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O Porto joga com o Zenit o apuramento para a próxima fase da Champions League. Os próximos dois embates com o Zenit serão decisivos para a passagem do Porto à próxima fase da Liga dos Campeões. Com a derrota, em casa, com o Atlético de Madrid, o Porto pode muito bem ter comprometido qualquer espaço para falhas que pudesse ter tido. Agora, com apenas três pontos, os jogos com o Zenit vão ser os mais importantes do grupo. Quem vencer os dois embates tem meio caminho andado para a passagem à fase a eliminar.

No jogo de hoje, o Porto entra em campo com uma equipa quase na máxima força; apenas Izmaylov está de fora. Paulo Fonseca deve apostar no onze-tipo do Porto, com o seu 4-3-3. Mas a grande questão é: quem vai jogar no miolo do Porto? Tanto Fernando como Lucho são, na minha opinião, elementos imprescindíveis do meio-campo portista e da forma de jogar do Porto. Agora, a questão pende sobre que será o terceiro homem a fazer parte do onze inicial. Defour tem sido o titular habitual com Paulo Fonseca. O belga já afirmou no passado que este tem de ser o seu ano de afirmação. O historial de jogos prova que, de facto, Steven Defour tem sido uma aposta fixa. No entanto, Hector Herrera, nos poucos jogos que já jogou, tem mostrado bons argumentos no que toca a ser uma aposta viável para o meio-campo portista.

Steven Defour / Fonte: http://www.abola.pt/
Steven Defour / Fonte: http://www.abola.pt/

Por um lado, Defour é um jogador de esforço. Não possui o toque mágico de João Moutinho, mas deixa sempre a pele em campo em prol da equipa. Do ano passado para agora, a evolução é notória: Defour está um jogador mais completo. A influência dentro de campo é maior e a confiança dos colegas também. O belga possui ainda uma “arma secreta”: a sua polivalência. Defour pode jogar tanto a médio defensivo como a médio centro, número 10 e até extremo. Porém, a sua “arma secreta” é, também, a sua fraqueza. Na minha opinião, o facto de Defour já ter jogado em tantas posições impede-o de se focar numa só. Se um jogador tem qualidade para ser excelente numa posição não vejo a razão, excepto em casos extremos, de o mudar de posição. Por outro lado, Herrera. O mexicano começou a mostrar o seu futebol com grandes exibições na equipa B do Porto. Rapidamente subiu na consideração de Paulo Fonseca, até ascender ao estatuto de suplente. A evolução, dentro do plantel azul e branco, de Herrera é extremamente rápida e coesa. Nos poucos jogos que fez até agora, mostrou uma grande inteligência e classe na assimilação dos processos de jogo do Porto. Possui uma boa cultura táctica e bons pés. Num meio campo com Fernamdo, Defour e Lucho, vê-se, facilmente, uma entrada de Herrera. Será interessante ver quem Paulo Fonseca vai lançar perante os russos do Zenit.

Do outro lado está a grande equipa russa do Zenit. Em anos recentes, o Zenit tem sido o grande adversário russo do Porto. Lembro-me dos embates com o Spartak de Moscovo na campanha da Liga Europa (com grandes resultados para o Porto). O Zenit vai jogar no Dragão sabendo que enfrenta uma equipa com o orgulho ferido, após a derrota com o Atlético de Madrid. Tal como o Porto, o Zenit vai subir ao relvado com a equipa quase na máxima força. Apenas um jogador está de fora da equipa de Luciano Spalletti: Witsel. O técnico italiano desvalorizou a ausência de um jogador como Witsel; no entanto, embora o Zenit tenha uma equipa com grandes jogadores, não se pode desvalorizar um jogador como este. Dentro do estilo de jogo da formação russa, Witsel surge como o maior herói. É o belga quem transmite segurança e inicia as transições defesa-ataque do Zenit. O Zenit joga numa espécie de 4-3-3 com Hulk, Danny e Kerzhakov na frente. Este trio ofensivo pode causar graves problemas à formação de Paulo Fonseca com o seu jogo rápido, sempre apoiado pelo meio-campo, e com grande poder de explosão. A defesa russa aparenta ser a zona mais fraca da equipa. Ambos os laterias são muito ofensivos, o que pode gerar abertas para o contra-ataque do porto.

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O segredo para desbloquear o jogo vai estar nas alas. Ambas as equipas têm sistemas semelhantes que se encaixam na perfeição. Vão ter de ser os extremos a criar os desequilíbrios. Vamos ver que tipo de atitude terá o Zenit; num jogo que o Porto tem de ganhar, a equipa russa pode dar-se ao luxo de jogar com o empate, mas não para o empate.

Uma nota breve: vai ser bom ver regressar o Dragão Hulk. O brasileiro, que deu bastantes alegrias aos adeptos portistas, volta a casa, e espero vê-lo ser bem recebido por todo o estádio. No jogo, espero que falhe passes e remates, que perca a bola e faça um péssimo jogo. Fora das quatro linhas, espero que seja ovacionado pelo estádio do Dragão.