Chegámos ao fim da primeira época desportiva completa sob a alçada do “fantasma covid”, que continua a comandar e a guiar as nossas vidas sob as suas diretrizes. O convívio social é um passado recente mas já distante, e os estádios de futebol, sem público, desde a formação ao escalão sénior, não escaparam a esta realidade cruel.

Atualmente, nunca fez tão sentido reduzir um jogo de futebol a apenas “22 homens”, porque com os estádios vazios é o que parece.. sendo até entediante, por momentos, ouvir as indicações dos treinadores e os avisos jogadores invés dos cânticos e gritos de incentivos à equipa.

No entanto, esta realidade temporária, esperemos, trouxe alguma imprevisibilidade ao futebol, mais equilíbrio entre os ditos “pequenos” e “grandes”, como os resultados assim comprovam. Este ano, assistimos a várias conquistas que pareciam improváveis, como a conquista do título nacional pelo Sporting CP, pelo Atlético de Madrid, em Espanha, a do Lille, em França, sendo que os habituais papões de títulos ressentiram a presença do público.

Público
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Outro dado interessante, na minha opinião, é o facto de não haver resultados tão desnivelados perante os “3 grandes”, centrando mais a nossa visão na realidade que conhecemos. Ou seja, poucas foram as partidas em que o FC Porto, SL Benfica ou Sporting CP conseguiram tranquilidade no resultado relativamente cedo. Por sua vez, durante a época fomos assistindo a várias surpresas, como a vitória do Marítimo, no Dragão, do Gil Vicente, na Luz.

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Isto é, a pressão de jogar fora, nomeadamente nos estádios com maior número de assistência deixou de assustar e as equipas forasteiras passaram a olhar mais “olhos nos olhos” aos favoritos.

Tudo isto, demonstra que o público, mesmo não jogando, pode ter um papel ativo na partida e este ano foi mais do que notório esse dado. Porém, com a evolução da situação pandémica, as restrições, a nível de saúde, também vão aliviando e alguns países e em algumas competições internacionais já foi possível conceder o acesso dos adeptos às bancadas, ao seu verdadeiro lugar.

A próxima época será um verdadeiro teste aos resultados do presente, no sentido de perceber se foi uma mera coincidência ou que mesmo com adeptos, estas conquistas enunciadas se iriam verificar. Se sim ou não? Não sabemos, contudo com o regresso à normalidade, será um detalhe a ter em atenção.

No caso concreto, todos sabem da “fortaleza” que os adeptos, com o apoio das claques, que nem tudo o que fazem é no sentido negativo, fazem do Estádio do Dragão, que por diversas vezes, já foi considerado um dos recintos mais difíceis para se jogar e visitar.

Pela pressão e pelo encorajamento que o seu público concede aos jogadores do FC Porto e que muitas vezes fazem sentir a presença do “12 jogador”. É esta força anímica que, durante todo o ano, os jogadores não sentiram de perto dentro do relvado e que em certos momentos poderia ter marcado a diferença.

Assim, ficou mais do que evidente que “ir à bola” é muito mais do que assistir, é também participar e marcar a diferença.

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