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Luís Castro teve um bom início naquele que foi o seu primeiro jogo enquanto treinador principal do Porto. Após a previsível saída de Paulo Fonseca, cabe agora ao ex-mister da equipa B pegar nas rédeas e fazer o sprint final do campeonato.

A vitória de ontem frente ao Arouca fica para a história como a primeira  do ciclo Luís Castro. Porém, o verdadeiro desafio começa agora. Sem querer faltar ao respeito ao Arouca, em termos de qualidade a equipa arouquense não se compara com que aí vem no calendário do Porto. Como tal, a dificuldade vai aumentar e a pressão começa a instalar-se.

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O jogo com o Arouca deve ser visto como um aumento de confiança. Para além de regressar às vitórias, que escapavam ao Porto há demasiado tempo, foi uma vitória folgada. Marcar quatro golos, com um penalty falhado, dá moral e aumenta a crença nos jogadores e nos adeptos. Mesmo assim, o Porto voltou a sofrer e já vai longe o tempo das “folhas limpas” consecutivas.

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O jogo de ontem foi o primeiro de Luís Castro enquanto treinador principal do Porto
Fonte: Mais Futebol

Na conferência de imprensa, Luís Castro afirmou que, embora tenha gostado da exibição da equipa, a forma como estiveram em campo não foi “linear”. De facto, notaram-se algumas diferenças, mas o estilo de jogo mantém-se semelhante. Isto não é propriamente mau – o Porto é uma equipa que está programada para jogar em 4x3x3, seja com duplo pivot ou apenas com Fernando mais recuado, e nenhum outro sistema iria beneficiar o Porto. A maior diferença pode mesmo ter sido os ares de mudança. Já tinha dito no passado que, nos últimos tempos, existia uma aura negativa à volta de Paulo Fonseca. Com Luís Castro é um novo começo.

Posto isto, o verdadeiro teste de Castro começa já esta semana. O Porto vai receber os italianos do Nápoles em jogo da Liga Europa a meio da semana e depois vai a Alvalade jogar o segundo lugar com o Sporting. Na semana a seguir, novo confronto com o Nápoles. A equipa napolitana é um sério obstáculo na Liga Europa. Como o Porto, foi uma equipa que ficou em terceiro lugar no seu grupo da Champions League. Porém, a sua história é bem diferente. Enquanto o Porto apenas venceu um jogo (frente ao Áustria de Viena), fazendo um total de 5 pontos, o Nápoles foi a equipa com mais azar dos terceiros classificados da Liga dos Campeões – com 12 (!) pontos conquistados, ficou de fora devido à diferença de golos. Na Liga Europa, os italianos são uma das equipas favoritas e certamente uma dor de cabeça enorme para o recém-chegado Luís Castro.

O Nápoles é o próximo adversário do Porto na Liga Europa  Fonte: Record
O Nápoles é o próximo adversário do Porto na Liga Europa
Fonte: Record

Segue-se, então, o Sporting de Leonardo Jardim. Em Alvalade vai estar em causa o segundo lugar da classificação e o possível acesso directo à Liga dos Campeões. Sem jogo a meio da semana, o Sporting tem mais tempo para se preparar e para descansar. No jogo de Alvalade, tanto Sporting como Porto vão tentar levar a melhor sobre o rival. Ambas as equipas têm demasiado a perder em caso de derrota, uma vez que o segundo lugar dá direito à entrada directa na Champions League, o que significa um bom encaixe financeiro.

O calendário destas duas semanas não é fácil. Os jogos que se seguem vão ser decisivos e podem ditar o pouco que resta da época. Se com o Arouca Luís Castro se deu bem, é seguro dizer que neste momento de necessidade a aposta num treinador da equipa B é uma jogada muito arriscada. Luís Castro tem, no entanto, uma estrelinha da sorte. O Porto B lidera a Segunda Liga. Após a saída do treinador teve um primeiro deslize perante o Chaves. Se este “desaire” se deve à falta do treinador é pura especulação; no entanto, a Segunda Liga e o Porto B são um desafio muito diferente da Primeira Liga e da Liga Europa. Luís Castro foi chamado ao palco principal. Está na hora de mostrar o talento que possui, até porque o seu verdadeiro desafio começa agora.

P.S.: Penso que deveríamos ver o cargo de Luís Castro como uma oportunidade. Surgiram há relativamente pouco tempo notícias que avançavam nomes como Jorge Jesus ou André Villas-Boas para a próxima época no comando do Porto. Por que não, caso Luís Castro se mostre competente e adequado ao lugar, manter o treinador actual? É apenas uma questão que exponho. No Porto todos recebem as mesmas oportunidades. Devem, no entanto, mostrar que as merecem.

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