Em Janeiro, quando a época ia a meio e se arrancava para as decisões, elegi um top cinco de jogadores até essa altura da temporada. Hoje, após o cerrar das cortinas do futebol português, chega o dia de anunciar os melhores do ano desportivo. No início do ano, Militão assumia a dianteira e era seguido por Corona, Marega, Brahimi e Óliver.

Hoje os eleitos são outros. Marega, que aparecia na lista por via de uma Liga dos Campeões superlativa não mostrou a mesma preponderância nos últimos meses, Brahimi foi desaparecendo das opções de Sérgio Conceição e só apareceu a espaços e Óliver, ainda que o melhor FC Porto da época tenha tido sempre o espanhol no comando das operações, não conseguiu dar seguimento às boas exibições que lhe garantiram o lugar de destaque a meio da época. Apesar de uma segunda metade de época menos conseguida, Militão e Corona mantêm-se na lista.

Assim, comecemos por Iker Casillas. A escolha do guarda-redes espanhol tem, como não podia deixar de ser, um cariz emocional. Depois do susto importa reconhecer a Casillas a importância e constância que teve ao longo do seu percurso no FC Porto. Como jogador, esse percurso parece ter chegado ao fim e o balanço só pode ser positivo. Nunca apoiei a sua chegada e permanência no clube porque não encontro sentido no seu vencimento quando tenho em consideração a realidade do clube e do futebol português e a posição que ocupa. No entanto, reconheço que mais uma vez se apresentou a um bom nível e, acima de tudo, foi muito regular nas suas exibições. Para além disso, valorizo o facto de, aos 38 anos ter sido capaz de evoluir no seu jogo e melhorar aquela que era (e continua a ser) a sua maior debilidade, o jogo aéreo e as saídas aos cruzamentos.

Depois, destaco Alex Telles. A cumprir a terceira temporada de azul e branco não se pode, de todo, dizer que foi a mais exuberante. De qualquer forma voltou a fazer uma época muito regular e foi capaz de manter um nível alto ao longo de todo o ano. Acresce que voltou a ter uma enorme preponderância na equipa, tanto no que concerne às bolas paradas como pela profundidade de que dá ao lado esquerdo do ataque. Sem substituto à altura Alex voltou a ter que cumprir quase a totalidade dos jogos da equipa e, como tal, mais se deve valorizar a capacidade do lateral em manter um nível elevado de rendimento mesmo não tendo direito a descanso. Seja o brasileiro capaz de melhorar e corrigir algumas debilidades no momento defensivo e pode tornar-se num lateral de referência a nível mundial. Resta perceber se esta foi, ou não, a sua última época de Dragão ao peito.

Éder Militão fez uma época de alto nível na sua primeira experiência no Velho Continente
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Em seguida decidi entregar o primeiro lugar do pódio a Héctor Herrera. O capitão do FC Porto voltou a ser a alma da equipa. Não é um prodígio de técnica, como demonstrou mais uma vez no Jamor, mas enche o campo como poucos. Não conheço muitos jogadores por essa Europa fora com a capacidade de trabalho e disponibilidade física de Herrera. Defende, ataca e lidera. Tem um pulmão inesgotável. Diz-se que vai deixar o FC Porto para assinar pelo Atlético de Madrid e acredito que poderá encaixar como uma luva no esquema e ideias de jogo de Diego Simeone. Tem o mérito de ter conquistado os portistas mais céticos ao longo dos anos e se conseguir subir o nível técnico do seu jogo tornar-se-á num médio de eleição.

Na vice-liderança volta a aparecer Jesús Corona. Não há muito a acrescentar. Finalmente a afirmação plena do mexicano. Foi pau para toda a obra. É como extremo direito que mais desequilibra, mas foi, também, e principalmente na primeira metade da temporada, várias vezes chamado a fazer o papel de defesa lateral. Apesar de ter baixado o rendimento nos últimos meses, tal como toda a equipa, fez a melhor época pelo FC Porto. O que mais impressiona vai sendo a facilidade com que dribla os adversários que lhe vão aparecendo pela frente. Há muito que se lhe reconhecia o talento, mas o mexicano tardava em apresentar a consistência ideal no seu jogo. Finta, passe, cruzamento, remate. É um jogador completo que joga bem com ambos os pés. Vai ficar no plantel da próxima temporada e tem tudo para se tornar na principal estrela da equipa. A continuar assim não restará muito tempo até que se mude para uma das principais ligas europeias.

E por fim, o melhor jogador da época azul e branca, Éder Militão. Com a chegada de Pepe à equipa acabou desviado para a lateral direita. Esta mudança retirou-lhe protagonismo e desviou-o da posição na qual se sente mais confortável e na qual acredito que, a breve prazo, se poderá tornar um dos melhores do mundo. Apesar do menor destaque mostrou sempre ser um jogador de outro nível e a exibição que fez em Anfield frente ao Liverpool FC comprova bem isso. O Real Madrid pagou 50M€ para o levar para Espanha no próximo ano e só pode ficar surpreendido quem não viu este central brasileiro jogar pelo FC Porto. Tem tudo. É rápido, agressivo e ágil, é imbatível no jogo aéreo, tem um sentido posicional e uma leitura de jogo sublimes e é imparável a jogar na antecipação. Tudo o que faz, fá-lo bem e com a classe de um predestinado. Foi uma passagem curta e fugaz pelo dragão, mas fica na retina como um dos melhores centrais que passaram pelo clube no presente século.

Foto de Capa: Diogo Cardoso / Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

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Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.                                                                                                                                                 O Bernardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.