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Nota introdutória: Caro leitor, esta imagem ao cimo da página pode levá-lo ao engano, mas cabe-me alertá-lo para o facto de que o que aqui se escreve não tem nada a ver com conquistas europeias. Ou se calhar até tem…

 

“Longe vão os tempos (…)”, dirão uns. “É sinal dos tempos”, dirão outros. O momento pode dar azo a uma multiplicidade de descrições, mas acaba por nos levar a uma conclusão mais ou menos consensual: estamos perante uma nova realidade futebolística, que não compreende a conquista de uma competição interna em simultâneo com uma boa prestação numa competição europeia, nomeadamente a Liga dos Campeões. E por boa prestação, entenda-se, no mínimo, a passagem à fase seguinte. Nada ficou comprometido, é certo, e em disputa estão ainda 15 pontos, mas o que mais preocupa ao comum adepto do FC Porto é a significativa incapacidade da equipa de se superiorizar a este Besiktas (recheado de qualidade, sim, mas bem ao alcance de um Porto “normal”).

E a questão está precisamente aí. Este não é um Porto normal, mas sim um Porto de serviços mínimos que terá de chegar pelo menos para conquistar o campeonato (e, eventualmente, uma das outras duas competições nacionais) e, se possível, causar uma “surpresa” e debelar equipas europeias bem mais capacitadas como são os casos de Besiktas, Mónaco e Leipzig. Por momentos, a ilusão de um excelente arranque de época levou-nos a crer num êxito diante dos turcos, mas o choque com a realidade foi grande e trouxe-nos imediatamente à terra.

Danilo ainda não está ao seu nível Fonte: FC Porto
Danilo ainda não está ao seu nível
Fonte: FC Porto

Neste momento, a nossa luta é outra. Não se trata de abdicar desta prestigiada competição, mas criar expetativas demasiado altas não será o caminho. Mais do que um plantel curto, até para consumo interno, salta à vista um preocupante défice qualitativo que poderá ter consequências tão ou mais graves quando enfrentarmos adversários do calibre deste Besiktas.

Não alinho, pois, no coro de críticas ao nosso treinador que se foi levantando logo após o desfecho negativo da última quarta feira. Diz-se por aí que falhou redondamente ao não abdicar do seu 4-4-2 ao invés de um 4-3-3 ou um 4-2-3-1, tudo porque na Liga dos Campeões os jogos ganham-se ganhando o meio campo. Caso Sérgio lhes tivesse “feito a vontade” neste momento estaria a ser crucificado por alterar a identidade da equipa. Por isso, criticam-lhe a inexperiência nestas andanças, como se Mourinho ou Villas Boas tivessem chegado ao Porto com um historial invejável. Dessem-lhe um Falcão, um James, um Hulk ou um Moutinho e, muito provavelmente, a preocupação por estes dias fosse a de saber com que adversário nos iriamos debater nos oitavos de final. É sinal dos tempos…

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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