Numa viagem ao passado com destino aos dias de hoje, Juan Quintero é o jogador que vai ser recordado nesta rubrica. O médio de 27 anos, que chegou ao FC Porto como uma grande promessa, é hoje o jogador dos “ses”. Podia fazer mais – e ainda pode -, mas ter uns bons pés não chega, se faltarem outras coisas.

Juan Quintero estreou-se como profissional em 2012, na Colômbia, quando representou o CD Atlético Nacional. Nessa época de estreia, o colombiano marcou dois golos em 22 jogos. Uma boa campanha que lhe deu passaporte até à Europa, mais precisamente Itália, onde jogou pelo Pescara, na época seguinte. Apesar de não ter feito uma época brilhante, as habilidades com os pés fizeram com que o FC Porto tivesse interesse no médio.

Em 2013, e depois de ter sido campeão e ter perdido jogadores-chave, o FC Porto precisava de encontrar soluções para as ausências. Nessa altura, Juan Quintero juntou-se ao plantel e era uma espécie de substituto do compatriota James Rodriguez. Ainda assim, desde logo começou a ficar aquém por ser acusado de gostar de sair à noite e de perder o foco daquilo que era realmente importante.

Quando chegou ao Dragão, Quintero começou pela equipa B, numa espécie de ambientação. No entanto, só realizou um jogo e foi imediatamente chamado por Paulo Fonseca para assumir as rédeas do meio-campo portista. E em boa verdade, a nível individual, a temporada 2013/2014 até foi positiva para o colombiano, que realizou 34 jogos e marcou quatro golos, mas talvez a má exibição coletiva e a falta de conquistas tenha custado um bocadinho a boa imagem que o jogador tentou deixar.

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Na época seguinte, a situação foi muito idêntica. A chegada de Lopetegui ao comando técnico do clube obrigou necessariamente a mexidas na equipa, com muitas saídas e entradas, mas Quintero ainda se manteve, fazendo três golos em 30 jogos. No entanto, mais uma vez, o fator coletivo falou mais alto.

Podia fazer mais, e ainda pode , mas ter só bons pés não chega, se faltarem outras coisas. Juan Quintero FC Porto Perdidos no Tempo
Juan Quintero esteve ligado ao FC Porto entre 2013 e 2018
Fonte: FC Porto

Depois de duas épocas em que não conseguiu afirmar-se, e com Lopetegui ainda no comando técnico, Quintero foi emprestado pelos portistas ao Rennes FC, de França, na época de 2015/2016, mas a temporada também saiu aquém do expectável. E apesar de já ser Nuno Espírito Santo o treinador do FC Porto na época seguinte, o colombiano acabou novamente a ser emprestado, mas desta vez ao CD Independente Medellín, da Colômbia,  equipa na qual revelou ter uma veia goleadora, ao marcar 16 golos em 33 jogos: o melhor que fez até ao momento na carreira. E talvez tenham sido esses mesmos números a despertar o interesse do CA River Plate, que o chamou para representar a equipa nesse mesmo ano, ainda sob empréstimo do FC Porto.

Em 2018, e depois de ter feito uma boa campanha no Mundial pela Colômbia, o médio também foi decisivo pelo CA River Plate ao marcar o golo da conquista da Taça dos Libertadores. Essa ascensão na carreira permitiu a Quintero ser adquirido em definitivo pelo clube argentino, onde está neste momento, deixando assim de fazer parte do plantel portista.

Acusado de ter perdido o interesse pelo futebol na altura em que ainda era jogador do FC Porto, o médio parece estar a viver uma segunda oportunidade no mundo do futebol e a mostrar ter a qualidade que muitos acreditavam que tinha.

Quintero tem magia, tem um bom toque de bola, tem uma boa leitura de jogo e, apesar de ser médio ofensivo, também é bom a defender, conseguindo pôr o pé nos momentos certos, mas falta-lhe alguma velocidade. Nada que ainda não possa conseguir, se assim o quiser.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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