fc porto cabeçalhoA época atual do FC Porto está a ser até agora uma época santa e imaculada. Com o Espírito Santo do nosso lado os resultados não foram favoráveis, mas este ano, liderados pelo nosso senhor Conceição os bons resultados e as boas exibições fluem com naturalidade. As missas que o mister apregoa são bem recebidas pelos seus praticantes e desengane-se quem pense que me refiro às mesmas missas dos rivais. No entanto, por muito abençoada que esteja a ser a atual época dos dragões, seja por obra divina ou por mérito próprio, a verdade é que existe sempre uma condicionante inerente a qualquer bênção: as lesões.

Atualmente, Sérgio Conceição e os seus pupilos disputam Campeonato Nacional, Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga dos Campeões. Em todas as competições nacionais em que está inserido, o FC Porto apresenta condições e argumentos para disputar e vencer os troféus com toda a legitimidade que o estatuto de “grande” lhe confere. No entanto, este FC Porto de Sérgio Conceição apresenta um grande defeito que até agora tem-se mantido adormecido mas que se pode manifestar a qualquer momento: o plantel é curto, muito curto! Para as competições nacionais pode, por ventura, ser suficiente. Mas quando pelo meio da semana surge a Liga dos Campeões, as opções para tentar manter um plantel “fresco” e competitivo podem escassear e obviamente que as lesões em nada favorecem essa causa.

Otávio está de fora e Marega e Soares ainda estão em processo de recuperação. Todos eles, homens da frente, deixando Aboubakar “abandonado” na frente com a dura missão de enfrentar sozinho as defesas adversárias. Face a este problema, urge uma solução rápida e eficaz e a próxima reabertura do mercado de inverno pode trazer novidades para a frente do FC Porto.

Numa altura em que a política de transferências do FC Porto resulta numa base introspetiva, de olhar para dentro do plantel aproveitando sobretudo o retorno dos jogadores emprestados, surgem de imediato dois nomes na cabeça de qualquer adepto portista para colmatar as baixas do ataque: Rui Pedro e Gonçalo Paciência.

Fonte: BnR
Fonte: BnR

Rui Pedro, ainda apenas com 19 anos, vai no seu primeiro empréstimo e neste momento veste as cores do Boavista FC. No início da época, o jovem avançado dividiu muitos adeptos dos dragões, já que muitos acreditavam que o “miúdo” tinha talento e potencial para fazer sombra a Soares e Aboubakar, numa altura em que a maioria ainda duvidava de Marega, duvidas essas que o maliano já tratou de esclarecer. De dragão ao peito, Rui Pedro fez treze jogos e foram suficientes para agradar os exigentes adeptos portistas. Isto deve-se sobretudo ao seu jogo de estreia, em que Rui Pedro marcou aos 94’ desfazendo um empate difícil frente ao SC Braga numa fase má dos dragões que foi terminada com esse golo do avançado.

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Golo na estreia mesmo no fim do encontro de um miúdo da formação que desfez um empate e uma má fase é sem dúvida um bom cartão-de-visita! Até ao final da época só fez mais um golo, mas também não esteve em campo muitos minutos. Nuno Espírito Santo deu o primeiro passo ao estrear Rui Pedro na equipa principal, veremos se Sérgio Conceição irá conseguir consolidar o seu talento e dar oportunidade a um jogador que ainda é querido e está na memória dos adeptos portistas. Rui Pedro deve aproveitar esta oportunidade no Boavista SC para crescer e acima de tudo deve marcar e muito! Um avançado no FC Porto tem de fazer balancear as redes muitas vezes e por isso o avançado tem de estar à altura do desafio.

Por seu lado, Gonçalo Paciência com 23 anos vai já no seu quarto empréstimo. O avançado atualmente no Vitória FC já é emprestado desde os seus 20 anos e se o intuito de os empréstimos é amadurecer os jogadores dando lhe experiência competitiva, então Gonçalo já está quase a “apodrecer”. Durante a sua curta carreira, o avançado conta com empréstimos à Académica, Olympiacos, Rio Ave e Setúbal. Gonçalo Paciência tem demonstrado ao longo das épocas em que esteve emprestado algumas dificuldades em se afirmar marcando apenas nove golos em sessenta jogos, números aquém de um potencial avançado do FC Porto. O ainda jovem avançado, está a ter ao serviço do Vitória FC a sua melhor época com quatro golos em catorze jogos.

Numa equipa carente de qualidade, Gonçalo Paciência tem-se conseguido destacar e as suas boas exibições valeram-lhe recentemente a estreia com a camisola das quinas frente aos EUA, algo que deve ser reconhecido já que são poucos os jogadores a jogar no campeonato nacional que não jogam nos três grandes a serem chamados à seleção nacional. Gonçalo Paciência nunca será igual ao seu pai Domingos, era outro tempo e a própria fisionomia de ambos e estilo jogo são muito diferentes. No entanto, o seu pai teve algo que Gonçalo não está a ter ao serviço dos dragões: oportunidades. Acho que esta pode ser a derradeira época de afirmação de Gonçalo e os seus números interessantes desta época podem mesmo valer-lhe o regresso ao FC Porto já em janeiro.

O FC Porto não tem paralelo em Portugal no que toca à formação de avançados. André Silva, Gonçalo Paciência, Rui Pedro e André Pereira (ainda a despontar), são alguns nomes mais recentes a destacar-se das camadas jovens dos dragões. No entanto, os técnicos dos dragões mostram-se reticentes em apostar nos jovens avançados da formação. O caso de André Silva foi um caso de sucesso e teve uma passagem muito positiva na equipa principal do FC Porto rendendo vários milhões de euros aos cofres dos dragões. É um caso que a direção deve ter como referência e deveria apostar casos semelhantes no futuro.

Sérgio Conceição já manifestou publicamente que necessita de reforços. Com as baixas no ataque, este setor deverá ser o de principal foco no mercado e como o mister não fechou as portas ao regresso de Gonçalo Paciência e de Rui Pedro, podemos muito bem voltar a ver estas caras conhecidas a vestir azul e branco mais cedo do que o previsto e de preferência a marcar muitos golos. Irá Sérgio Conceição apostar na irreverência de Rui Pedro ou na experiência que Gonçalo Paciência foi adquirindo ao longo dos empréstimos? Irá Sérgio Conceição trazer os dois ou mesmo nenhum?

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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O Nélson é estudante de Ciências da Comunicação. Jogou futebol de formação e chegou até a ter uma breve passagem pelos quadros do grande Futebol Clube do Porto. Foi através das longas palestras do seu pai sobre como posicionar-se dentro de campo que se interessou pela parte técnica e tática do desporto rei. Numa fase da sua vida, sonhou ser treinador de futebol e, apesar de ainda ter esse bichinho presente, a verdade é que não arriscou e preferiu focar-se no seu curso. Partilhando o gosto pelo futebol com o da escrita, tem agora a oportunidade de conciliar ambas as paixões e tentar alcançar o seu sonho de trabalhar profissionalmente como Jornalista Desportivo.                                                                                                                                                 O Nélson escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.