tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

De telemóvel na mão, com um nervoso miudinho, lá ia eu actualizando a página online da UEFA à espera de saber qual o adversário do Porto nos quartos-de-final da Liga dos Campeões. A notícia chegou-me através de um portista que, baixinho, soltou um “f*da-se, já fomos!” – o Barcelona iria encontrar o PSG, por isso só restava uma equipa que provocasse uma reacção tão franca. O Bayern de Munique, claro. Passado uns segundos lá me chegou a confirmação (a página apresentava um certo atraso em relação a outras fontes): o Porto vai mesmo defrontar os bávaros.

As probabilidades de sucesso são baixas. Aliás, seriam baixas com grande parte das equipas, mas defrontando o Barcelona ou Bayern Munique, então o cenário ficaria ainda mais negro. Analisando os resultados do Bayern Munique no campeonato alemão, vemos que tem apenas quatro empates (só um destes foi em casa) e uma derrota. Na Liga dos Campeões tem um empate, com o Shakhtar Donetsk, e uma derrota, com o Manchester City, ambos fora de casa. Pelo caminho humilhou a Roma, por 7-1, em Itália, e goleou o mesmo Shakhtar, por 7-0, na 2ª mão dos oitavos-de-final. Em suma, estão num grande momento de forma – melhoraram em relação ao ano passado (Guardiola introduziu algumas mudanças depois do insucesso na Europa na época anterior), pelo que até será díficil “copiar” tácticas.

A qualidade técnica e táctica dos bávaros é brilhante. É uma equipa que consegue alternar entre uma posse de bola asfixiante e um jogo directo letal (Ribery, Muller e Robben dão muita verticalidade ao jogo), que tem craques de encher o olho e, por tudo isto, não é fácil encontrar uma brecha na perfeição da máquina alemã. Se tivesse que apostar, diria que vamos tentar aproveitar o contra-ataque, com Brahimi e Tello nas alas, e talvez soframos alguma alteração táctica, deslocando o argelino mais para o centro para tentar povoar o nosso meio-campo. De qualquer forma, será curioso assistir a este duelo, pois o Porto também joga preferencialmente em posse; acredito, no entanto, que a posse de bola do Bayern venha a prevalecer.

A única vantagem que o Porto teve neste sorteio foi a de jogar primeiramente em casa. Contra um adversário desta qualidade, penso que um bom jogo em casa pode ajudar a encarar a 2ª mão com outros olhos e com mais confiança, ao invés de um primeiro jogo fora que pode trazer, desde logo, um resultado pouco esperançoso para os da Invicta. Abril vai ser um mês de tudo ou nada para o Porto pois poderá defrontar – caso chegue à final da Taça da Liga – duas vezes o Benfica e, ainda, claro, o Bayern.

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Sabemos que as probabilidades de sucesso em duas das três competições são difíceis, quer pelos adversários (no caso da Liga dos Campeões), quer pela diferença pontual (no Campeonato) mas é nestas alturas que temos de ter jogadores à Porto. Que deixem sangue, suor e lágrimas no campo e que sejam autênticos guerreiros. As imagens de Viena vieram logo à memória; são condições e equipas diferentes mas já na altura nos davam como mortos. A ilusão e o sonho podem prevalecer, com alemães e portugueses (principalmente os outros que não estão lá e que se roem de inveja…) a serem surpreendidos, e é nisso que todos os portistas, no fundo, acreditam. Espero que a equipa não deixe de acreditar nunca porque nós também jamais o deixaremos.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

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