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Dezembro traz a melhor época do ano. A altura é de reunir a família e celebrar. Por entre os doces e os presentes, a alegria com que se vive estes dias é indescritível. Por isso, antes de tudo o resto, a secção do FC Porto no Bola na Rede deseja a todos os seus leitores um Feliz Natal.

Nesta semana festiva, o futebol não entra. Pelo menos, aquele que se joga dentro das quatro linhas. Mas, mesmo sem jogos para comentar ou analisar, é impossível passar ao lado da atualidade desportiva. No início de janeiro, um clássico que pode ser muito importante nas contas do campeonato. O FC Porto chega a Lisboa com uma surpreendente liderança perante um Sporting que vem de uma derrota inesperada na Madeira perante o União. A benesse leonina veio diminuir a pressão portista e as consequências de uma possível derrota na capital. Mesmo perdendo em Alvalade, os dragões nunca sairão de Lisboa derrotados no campeonato. É, por isso, impossível não utilizar esse clássico como ponto de partida para o desejo de natal para o FC Porto.

2015 foi um ano difícil para a nação azul e branca. A última temporada trouxe um dos melhores planteis que me lembro. Danilo, Alex Sandro, Casemiro, Oliver, Brahimi, Quaresma e Jackson Martinez foram os protagonistas maiores de um plantel com quantidade e qualidade para vencer. A verdade é que, pouco a pouco, as cartas do baralho de Lopetegui foram caindo. Primeiro a Taça de Portugal, depois a Taça da Liga, seguido do desastre de Munique e do confrangedor empate na Luz que deitou o campeonato a perder. Com um plantel tão caro e de tanta qualidade, chegamos a Maio com a sensação de que tínhamos perdido uma oportunidade de ter uma época dourada. As razões para o insucesso já foram mais do que debatidas e discutidas. A verdade é que, mesmo sem títulos, a sina do mercado voltou a ecoar no Dragão. De uma época para outra, metade dos titulares abandonaram a equipa: Casemiro e Danilo saíram para o Real Madrid, Oliver e Jackson foram parar ao Atlético de Madrid e até Ricardo Quaresma decidiu voltar à Turquia para jogar no Besiktas.

A surpresa aconteceu com a manutenção de Julen Lopetegui no comando técnico. O treinador espanhol cometeu vários erros, mas Pinto da Costa não o deixou cair. Com a nova época, o que se desejava é que a estrutura portista tivesse aprendido alguma coisa. Em termos de plantel, a diferença entre um e outro ano é evidente. Por muito que continue a propaganda de que o FC Porto tem um plantel muito superior em qualidade aos rivais, a verdade é que continuo a achar essa teoria uma falácia. Quem olhava para Danilo e vê agora Maxi; para Alex Sandro e agora Layún, para Casemiro e agora Danilo, para Oliver e agora André André e para Jackson e agora Aboubakar não pode, a meu ver, continuar a defender algo que não corresponde à realidade. Mesmo assim, o plantel que Lopetegui tem ao seu dispor é mais do que suficiente para ser campeão em Portugal e fazer uma figura condizente com os pergaminhos do clube a nível europeu.

Quatro meses volvidos de temporada, o sabor é agridoce. Em termos pontuais, o FC Porto tem, no campeonato, uma pontuação bastante aceitável. Os três empates, frente a Marítimo, Moreirense e Braga podiam perfeitamente ter sido evitados, mas numa prova tão longa e exigente, é quase impossível que os grandes não cometam este tipo de deslizes. A vantagem para os rivais é curta e por isso prevê-se uma luta a três pelo título. O Sporting, apesar do empolamento que treinador e equipa têm sofrido semanalmente, continua forte; e o Benfica, tantas vezes já enterrado esta época, mostra que, com a recuperação de alguns jogadores e a compra cirúrgica de elementos em janeiro, pode, na segunda volta, entrar a todo o gás com o título em mira. As dificuldades estão aí à porta e, no que diz respeito ao FC Porto, o mês de janeiro é determinante para as contas da liderança.

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O duelo em Alvalade pode ser determinante para o resto da época
Fonte: sol.pt

Os portistas têm seis jornadas para disputar no primeiro mês de 2016, com 4 jogos fora e apenas dois no Estádio do Dragão. Fora de portas, os azuis e brancos visitaram quatro estádios, sendo que, na época passada, apenas venceram num deles: o Bessa. Alvalade, Guimarães e Estoril representaram perdas de pontos na última época e a qualidade das respetivas equipas antevê um ciclo competitivo muito exigente para o FC Porto. Com Taça da Liga e Taça de Portugal à mistura, todos os cuidados serão poucos e só uma gestão muito eficiente do plantel poderá permitir sair deste ciclo de 10 jogos em 33 dias com os objetivos ainda completamente intactos.

Nesta época natalícia, a tradição leva-nos a pedir desejos para o ano que se avizinha. Em termos futebolísticos, é evidente que o desejo maior é que o campeonato português se volte a pintar de azul e branco em maio. As dificuldades vão aparecer e só uma equipa muito capaz é que poderá festejar no final da competição. O problema maior para a nação azul e branca é que a incerteza continua a pairar em quase todos os adeptos. Apesar da liderança no campeonato e de 2016 ainda trazer quatro competições para disputar, a verdade é que continuam a ser maiores as dúvidas que as certezas acerca daquilo que este plantel e sobretudo este treinador podem fazer.

Depois da invenção de Lopetegui em Londres, os sinos da incerteza voltaram a ecoar no Dragão. A cada mau passe, a cada receção errada, a cada oportunidade de golo desperdiçada, o filme de terror volta e o perigo de voltar a ter um ano a zero continua à espreita. Ainda assim, todas estas dúvidas apenas surgem porque, no fundo, a nação azul e branca tem a perfeita noção de que os títulos estão perfeitamente ao nosso alcance. A qualidade do plantel é suficiente para vencer e por isso a exigência é constante. Por isso é que, neste natal, o único desejo da secção FC Porto do Bola na Rede é a de que os jogadores e o treinador honrem o símbolo que representam.

É certo que a exigência neste clube é maior porque o vício de ganhar está em todos nós. Mas para vencer, é preciso ter garra, determinação, atitude e vontade de ser cada vez melhor. Por isso é que, entre as alegrias e as tristezas que sempre surgem, o espírito de dragão tem de estar sempre presente. Mesmo não podendo ganhar sempre, aquilo que os adeptos querem é que a vontade seja sempre do tamanho do sonho e da ambição. Se assim acontecer, as vitórias e os títulos estarão mais perto e em maio, estaremos todos a festejar. O caminho está cheio de obstáculos, a começar pelo de Alvalade, já a de 2 janeiro. Mas se fosse fácil, não era para nós, certo?

Foto de Capa: Facebook Oficial do FC Porto

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