«Se o Porto está no topo, em grande parte deve-o ao Sérgio [Conceição]» – Entrevista BnR com Jorge Costa

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– O adeus forçado ao clube de coração –

BnR: Há um episódio polémico com a tua substituição ainda antes do intervalo no jogo contra o Vitória FC, em 2001/02. Havia já alguma desconexão entre ti e Otávio Machado antes deste episódio?

JC: Não faço ideia mas, sinceramente, nunca fugi a esse tema mas nesta fase da minha vida posso dar-me ao luxo de falar daquilo que me apetece e a não falar de pessoas que não me apetece.

BnR: Pinto da Costa interveio nesse diferendo ou na tua saída forçada para o Charlton?

JC: Claro que sim. Na altura fui eu que forcei para sair, ia ter o Mundial e precisava de jogar, nem convocado era. Mas claro que o Presidente não queria que eu saísse. Por outro lado, o Presidente não faz as equipas, isso é decisão sempre do treinador. Por isso, o Presidente não me pode garantir que eu vá jogar ou não. Mas foi sensível ao ponto de perceber que eu tinha um Mundial para jogar, precisava de jogar e só o conseguiria fora do Porto.

BnR: Porquê o Charlton, de entre todas as hipóteses que tiveste na altura?

JC: Não sei. Olha, às vezes nós temos decisões estranhas na vida e que não se consegue explicar. Lembro-me perfeitamente que estava tranquilo em casa e tinha vários convites desde Itália, França… E ligou-me o Amadeu Paixão, que eu não conhecia pessoalmente, mas tínhamos amigos em comum e não sei se foi pela forma dele falar tão honesta, tão simples, de me apresentar uma solução, que achei que era a pessoa ideal para me ajudar. Foi uma decisão um bocadinho tomada no impulso mas que em boa hora a tomei.

 BnR: O que é que José Mourinho disse para te convencer a regressar ao FC Porto?

JC: Nós já tínhamos uma relação mais próxima porque ele tinha sido adjunto do Bobby Robson. Entre muitas coisas que falámos, eu disse-lhe que voltar ao Porto não estava em causa, financeiramente perdia dinheiro, e perdi, e nem vale a pena estar a falar do que eu ganhei depois em termos desportivos porque não saberia se isso ia acontecer ou não. Eu queria era voltar a casa e a única coisa que lhe disse foi “Amanhã se eu tiver que não jogar, não jogo, mas se eu tiver que jogar, jogo. Por merecer ou por não merecer, não por questões paralelas”. E ele deu-me a garantia que isso com ele jamais aconteceria.

BnR: O teu pai descreveu-te como um “líder com coração de manteiga”. É importante este equilíbrio num líder?

JC: É. Mas isso não convém que se saiba muito [volto a ouvir a gargalhada caraterística do “Bicho”].

BnR: Ehehe. É aquele segredo mal guardado…

JC: Há claramente dois “Jorge Costas”. Há aquele dentro do campo, no treino e no jogo, que é intratável. E depois a pessoa “Jorge Costa”, que é diferente.

Frederico Seruya
Frederico Seruya
"It's not who I am underneath, but what I do, that defines me" - Bruce Wayne/Batman.                                                                                                                                                O O Frederico escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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