«Se o Porto está no topo, em grande parte deve-o ao Sérgio [Conceição]» – Entrevista BnR com Jorge Costa

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– Pedido de desculpas pelo Mundial 2002 –

BnR: No jogo contra a Inglaterra no Euro 2000, sofremos dois golos cedo. Demorámos a acertar as marcações porque houve alguma surpresa da parte deles em relação ao que Portugal esperava?

JC: Deixa-me só acrescentar, e eu sou suspeito, éramos das melhores seleções numa altura em que as outras seleções eram muito boas. A seleção francesa então era de sonho. Relativamente ao jogo com a Inglaterra, era o primeiro jogo no Campeonato da Europa, por isso entrámos assim um bocadinho… e acabamos por sofrer dois golos. Mas tivemos a capacidade e o talento coletivo e individual para dar a volta. Essa seleção para além de um coletivo fortíssimo, um espírito de grupo do melhor que podia haver, tinha individualidades que na dificuldade vinham ao de cima e resolviam jogos.

BnR: Qual era o estado de espírito ao intervalo?

JC: Sentíamos que era possível. Nós tivemos sempre essa confiança, mesmo com França, que era a melhor equipa do mundo na altura, achávamos que com a nossa competência, com o nosso trabalho, com uma ponta de sorte, poderíamos ter chegado à final. Infelizmente não conseguimos mas estivemos sempre na luta até ao fim.

BnR: Como é que era o ambiente nesta seleção?

JC: Eu comparo muito esta seleção, apesar de não termos ganho, ao “meu” Porto, nomeadamente o de 2003/04. Tínhamos essa confiança, nós sabendo que… repara, a seleção de França, se eu te começar a dizer um a um, são todos jogadores de topo a nível mundial. E sabíamos que era difícil, mas nós acreditávamos que nos podíamos bater com qualquer seleção, como acabámos por nos bater com França, onde acabámos por perder num golo de ouro.

BnR: Sentes que à seleção do Euro 2000 apenas faltou um bocadinho de sorte? Porque tinha tudo.

JC: Sim, faltou-nos sorte, faltou-nos as outras equipas não serem tão fortes. Eu orgulho-me muito e fiquei muito contente quando Portugal foi campeão da Europa, porque achava que era quase uma utopia um país tão pequenino como nós consegui-lo, apesar de termos o melhor jogador do mundo de futebol, de futsal e de futebol de praia. Temos os melhores do mundo mas depois temos um grupo mais restrito. Mete-te no papel do selecionador de França e faz-me uma lista de 23 jogadores. É dificílimo. Enquanto que Portugal não é assim tão complicado, deixas um ou outro de fora que pode dar discussão, em França deixas 20 ou 30, no Brasil deixas 100. Por isso nós portugueses só temos que estar orgulhosos, eu daquilo que fiz e também daquilo que vejo os atuais fazerem. A seleção com o Fernando Santos foi campeã da Europa e ganhou a Liga das Nações, é um feito brutal.

BnR: Como é que era o Humberto Coelho como selecionador nacional?

JC: Era alguém que nos punha sempre em sentido, no sentido de nós estarmos sempre com receio de não sermos escolhidos. Para o Humberto Coelho não havia indiscutíveis e acho que isso foi o grande segredo dele: ter-nos sempre no estado de alerta máximo porque se facilitássemos não jogávamos. Entre tudo o resto que ele tem de bom, como é evidente, fez um trabalho fantástico.

BnR: Como é que explicas o nosso desempenho no Mundial 2002?

JC: O Mundial 2002 foi uma desilusão para mim, começando no estágio de preparação, depois nas condições que tivemos, num ambiente que nós sentíamos que não era o mais agradável. Foi algo expectável de uma prova que foi mal preparada.

BnR: Sentes que também subestimámos o nosso Grupo?

JC: Sim. Digo isto com todo o respeito e pedindo desculpa a todos os portugueses, porque acho que nós todos temos que pedir desculpa aos portugueses pelo que não fizemos no Mundial 2002. Claramente nós achávamos, com maior ou menor dificuldade, que eram favas contadas. E não.

BnR: Qual a melhor lição que o futebol te ensinou?

JC: Houve tantas… O futebol deu-me tanto, tantas amizades, tanto convívio, ensinou-me a partilha. É difícil numa palavra dizer o que o futebol me ensinou porque eu cresci no futebol. Se calhar, o futebol ensinou-me a ser homem, a ser melhor ser humano.

Frederico Seruya
Frederico Seruya
"It's not who I am underneath, but what I do, that defines me" - Bruce Wayne/Batman.                                                                                                                                                O O Frederico escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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