Será o fim da gratidão? No próximo mês de Abril, o universo portista irá deparar-se com uma das burocracias oriundas do estado democrático, ou seja, com a realização de eleições para eleger quem comandará os destinos dos azuis e brancos nos próximos 4 anos. No entanto, ao contrário do que tem acontecido nos últimos anos ou até mesmo décadas, este período merecerá mais interesse por parte da massa associativa dos dragões, já que não se perspetivará como uma luta a solo, ou seja, o atual líder, Jorge Nuno Pinto da Costa, contará com concorrência, que desde já promete estar atenta ao que não tem corrido tão bem durante os anos mais recente, sob a mão do carismático presidente.

Na última década, o FC Porto tem vivido uma instabilidade, que ainda não tinha sido vista no reinado de Pinto de Costa de uma forma tão assertiva e contestada. Vários são os motivos que tem levado os adeptos a começarem a questionar a sua liderança, a começar pela perda da hegemonia do futebol nacional, na qual tem havido uma clara supremacia do SL Benfica, a perda de competitividade da equipa de futebol, o descalabro dos vários relatórios de contas, a incapacidade de segurar os maiores ativos do clube, a saída de vários jogadores em fim de contrato, assim como a ligação indireta de algumas personalidades menos bem cotadas pelos sócios na atividade corrente do emblema da invicta.

Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Desta forma, estes são alguns dos motivos que têm deixado o mundo portista descontente com o presente que vive o FC Porto, que não é mentira nenhuma que vive uma situação no limite e que a qualquer momento pode descambar. Por conseguinte, é cada vez maior a voz critica à direção, que fez crescer o clube para outro panorama do futebol não só nacional, como europeu. Contudo parece estar a esgotar do crédito que gozava há alguns anos atrás e que agora os problemas terão de ser discutidos. Com isto, foi com alguma naturalidade, mas também com surpresa, que apareceram já candidatos, sendo eles José Fernando Rio, Nuno Lobo e Martins Soares, além da candidatura habitual de Pinto de Costa.

Pinto da Costa: A sua candidatura já é encarada com uma formalidade e algo natural. Contudo, ao contrário de outros tempos, a sua efetivação já não é vista de forma unânime ou o caminho para a estabilidade do emblema nortenho. Não é mentira nenhuma em afirmar que Pinto da Costa enfrentará as eleições mais contestadas, desde que assumiu os destinos do FC Porto. Será com alguma naturalidade que continuará à frente da presidência dos azuis e brancos e tem como principal bandeira da sua candidatura a construção de uma academia para a formação, que já é algo que tem vindo a prometer/desejar há algum tempo. Porém, não são esperadas grandes alterações no modelo de gestão, nem na estrutura, por isso será sempre vista como uma candidatura de continuidade.

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José Fernando Rio: O jurista e comentador pode-se dizer que teve a coragem de dar voz à massa critica de Pinto da Costa e dar um sinal que nem todos concordam com o que se está a passar no clube e que tanto o presente como o futuro são uma preocupação para muitos. Na primeira declaração em que comunicou a sua intenção em entrar na corrida à presidência, o candidato afirmou logo que o seu objetivo primordial é discutir e levantar questões que todos os adeptos gostariam de ver respondidas. Naturalmente, também salientou o enorme respeito a Pinto da Costa e a todo o seu trajeto, mas reafirmou que isso não pode validar que tudo o que faça não possa ter as devidas consequências. Por outro lado, apoia e defende que o FC Porto deve passar por uma modernização e uma renovação, para que assim possa continuar competitivo em todas as modalidades que compõem a esfera “Porto” e continuar a elevar o seu nome no mundo do desporto.

Martins Soares: O médico para os adeptos mais jovens, pode ser alguém desconhecido, mas para quem já acompanha o FC Porto há mais tempo deve-se recordar certamente do seu nome , já que foi o único, até aqui, que teve a ousadia de rivalizar contra Pinto da Costa, em anteriores atos eletivos. Numa dessas tentativas até conseguiu uma percentagem assinalável, obtendo 22,4%, uma vitória que o mesmo considera, já que a conseguiu no auge do atual líder.

Tal como, José Fernando Rio, Martins Soares não desvaloriza tudo de bom que Pinto da Costa tem feito ao longo dos últimos 30 anos, mas em paralelo com o seu rival não fecha os olhos às obscuridades que tem marcado os últimos anos de gestão que se tem visto no FC Porto e pretende discutir até ao “dia D” esses atos de gestão mais duvidosos e que parecem não estar a levar o emblema nortenho para o rumo certo. Numa entrevista mais recente, pediu para se criar uma lista única, já que com o cenário corrente só levará à vitória da lista favorita, isto é, de Pinto da Costa. Além disso, afirma ainda que não percebeu bem a intenção de José Fernando Rio e que está à espera de que o candidato esclareça ainda alguns pontos sobre as suas motivações para o futuro do FC Porto.

Nuno Lobo: Por fim, o empresário que afirmou que será candidato às eleições de Abril, caso Pinto da Costa não faça certas modificações na lista que lhe agradem. O também professor de História, tal como os outros adversários, afirma que não está a lutar contra o atual presidente, mas sim a favor do FC Porto. Ainda não há um programa definido da sua lista, mas já expressou o desejo de contribuir para um debate e ideias, que possam ajudar o FC Porto a crescer no futuro. De realçar ainda que Nuno Lobo foi um dos membros da claque “Dragões Azuis”, que mais tarde deu lugar aos “Super Dragões”.

Fábio Silva tem sido a aposta de bandeira dos azuis e brancos, na formação
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Em jeito de conclusão, a candidatura de Pinto da Costa deverá ganhar, no entanto não se espera um valor tão consensual como nas últimas, já que a contestação tem vindo a crescer, bem como o atual panorama desportivo e financeiro. Por isso mesmo, as candidaturas de José Fernando Rio, de Nuno Lobo e de Martim Soares não são uma oposição direta ao atual presidente, mas sim à atual gestão e procuram esclarecer algumas obscuridades que têm acontecido no seu modelo de gestão. Por tudo isto, este ato eleitoral será um dos mais interessantes de seguir, desde que Pinto da Costa subiu ao lugar mais solene da estrutura do FC Porto.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão