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Com a final do Campeonato do Mundo, chegou a tristeza pelo fim de uma competição que, durante cerca de um mês, prendeu o mundo do futebol ao ecrã. Mas, com a vitória da Alemanha, simbolicamente deu-se o “tiro de partida” para a pré-época 2014-2015. Apesar das equipas já estarem a trabalhar desde o início de julho, o certo é que, para a maioria dos adeptos, só na última segunda-feira é que chegou à altura de virar a página, deixando para trás as terras de Vera Cruz, voltando a concentrar baterias para uma nova época desportiva.

No que ao campeonato português diz respeito, as últimas semanas têm trazido, como já é apanágio durante esta altura, páginas de jornais sobre reforços e possíveis contratações dos três grandes do futebol português. No campeão nacional SL Benfica, a debandada continua e já são 5 os jogadores que saíram da Luz: Oblak, Garay, Siqueira, A. Gomes e Markovic, com Rodrigo na porta de saída e Enzo e Gaitán com o futuro indefinido. No Sporting, a entrada de Marco Silva é o grande registo até agora, pois não há ainda registo de saídas importantes, com William, Rojo, Slimani e Rui Patrício como jogadores apetecíveis no mercado internacional.

Contudo, e porque este é um espaço destinado ao FC Porto, naturalmente que é sobre os portistas que recai a minha maior atenção durante a pré-época. Depois de uma temporada completamente desastrada, com Paulo Fonseca e Luís Castro a serem apenas alguns dos rostos do descalabro portista, era altura de uma revolução a nível técnico. Por isso, Pinto da Costa optou por surpreender tudo e todos, e quando muitos esperavam pela chegada de um técnico com experiência de clubes a nível internacional, eis que surgiu o nome de Julén Lopetegui, um completo desconhecido para a esmagadora maioria dos adeptos portistas. Apesar do passado nas seleções jovens de Espanha, com resultados mais do que esclarecedores, o nome do espanhol trouxe de volta os fantasmas do passado e as suspeitas de se começar mais uma época atrás dos principais rivais, Benfica e Sporting. Esta foi no entanto uma perspetiva que cedo desapareceu da mente dos adeptos e para que isso tenha acontecido bastou que surgissem os primeiros nomes sonantes para o plantel 2014-2015. As entradas de Martins Indi, Casemiro, Óliver Torres, Adrián Lopez, Cristian Tello e Brahimi foram motivo suficiente para que, num curto espaço de tempo, os adeptos azuis e brancos tenham passado do 8 ao 80. De facto, o surgimento de jogadores desta craveira (acima da média do campeonato português) veio mostrar a primeira diferença que Lopetegui trouxe ao clube portista. Mais do que um simples treinador, que se “limitava” a dizer o tipo de jogador que queria, deixando à direção do clube a missão de trazer reforços, Lopetegui tem-se revelado um autêntico manager, sendo a sua influência no recheio do plantel portista por demais evidente.

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Adrián foi a transferência mais cara do Porto de Lopetegui até agora
Fonte: blogfutgoal.wordpress.com/

Por isso, não é de estranhar que por entre as conversas nas redes sociais, já se volte a apelidar Pinto da Costa de “visionário” por ter apostado num homem que, ao que parece, voltou a trazer o selo de qualidade garantida ao relvado do Dragão. Ainda assim, e porque eu prefiro manter-se sempre cauteloso, opto por não dar, ao contrário do que já li, por garantida a conquistado título ainda antes de começar o campeonato. De facto, o campeonato apenas chega daqui a 4 semanas, mas o “histerismo” que paira devido à “parada de estrelas” que vem chegando ao Dragão faz com que para muitos seja apenas uma formalidade a conquista do próximo campeonato nacional. Nada de mais errado, na minha opinião, pois a chegada destes reforços, apesar da qualidade que trazem, não vêm trazer vitórias antecipadas. Por isso, acredito que a tarefa de Lopetegui se adivinha extremamente complicada. Depois de uma temporada onde Paulo Fonseca e Luís Castro olhavam para as suas costas e viam jogadores como Licá, Josué e Carlos Eduardo como opções, chegou a vez de Lopetegui começar a deparar-se com jogadores como Adrián, Varela, Óliver Torres, Quintero e companhia, que podem ter que ser remetidos para o banco. Há quem diga que ter este tipo de jogadores num banco de suplentes só traz competitividade ao plantel e que por isso só traz “boas dores de cabeça” aos treinadores. Mas a pergunta que faço é a seguinte: será expectável que jogadores como Casemiro, Óliver, Tello e Adrián, que vieram “por intermédio” de Lopetegui, aceitem de bom grado serem suplentes do FC Porto quando vieram de clubes maiores como Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid?

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Esta talvez seja uma das maiores dificuldades que se antevêem a Lopetegui: a dificuldade de gerir egos e de conseguir fazer com que o balneário não seja “pequeno demais” para tantas figuras. Digo isto porque ao olhar para a ficha com o plantel provisório dos portistas, vejo Defour, Herrera, Josué, Carlos Eduardo, Quintero, Óliver, Brahimi, Evandro, Varela, Quaresma, Tello, Adrián, Jackson e Ghilas, sem falar da promessa Rúben Neves e dos fiáveis Sami e Ricardo. Não quero parecer injusto, e por isso antes de mais permita-me que elogie o trabalho feito até agora por Lopetegui: as contratações são sonantes, e não tenho dúvidas que trarão mais qualidade à equipa e ao campeonato nacional. Contra o Genk, viram-se bons pormenores de Rúben Neves, Sami, Tello e Óliver, contrastando com os erros que parecem ainda pairar sobre a defensiva portista. Duas semanas depois do início da pré-época, este FC Porto parece estar de boa saúde, a nível de aquisições e no que à ideia de jogo diz respeito. Mas depois de uma época tão má, nem mesmo tantas “estrelas” me fazem sossegar e antever um título conquistado ainda antes de ser disputado. Isto porque os grandes nomes não fazem uma grande equipa e não ganham jogos a priori. Eu quero acreditar que o FC Porto e Lopetegui sabem isso.

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Apaixonado pelo desporto desde sempre, o futebol é uma das principais paixões do Pedro. O futebol português é uma das temáticas que mais gosta de abordar, procurando sempre analisar os jogos e as equipas com o maior detalhe.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.