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No passado sábado, após a vitória na Mata Real sobre o FC Paços de Ferreira, o FC Porto carimbou o passaporte para a Final Four da Taça da Liga que se disputará em Braga e que servirá para apurar o vencedor da competição. Desde o surgimento desta competição, o FC Porto (ou os seus responsáveis) têm vindo, por via do discurso, a desdenhar e a retirar importância àquela que, através do seu principal patrocinador, agora se denomina Taça CTT. Mas qual é, afinal de contas, a verdadeira postura do clube e a relevância dada a esta prova?

Será esta irrelevante como os dirigentes têm feito crer ao longo dos anos? Será mais uma competição importante do nosso calendário desportivo? Ou poderá, afinal, ser considerada como prioritária para o clube? Por mais paradoxal que possa parecer julgo que a competição é um pouco de tudo o que questionei no anterior parágrafo e, mais à frente, explicarei e sustentarei esta opinião.

Como foi referido anteriormente, no final de cada participação na Taça da Liga (vai na sua 11ª edição) os responsáveis azuis e brancos sempre lhe conferiram o estatuto de insignificante. À boleia de sucessivos maus resultados nas mais variadas fases da competição (sendo que o FC Porto foi finalista vencido em duas ocasiões) a direção do clube preferiu sempre olhar para as derrotas como um pequeno percalço na época e nunca como um irreversível fracasso. Ainda assim, pelos alinhamentos iniciais das equipas do FC Porto na prova e pelo esforço de gabinete levado a cabo para manter o FC Porto na competição aquando do polémico diferendo com o Sporting CP na época 2013/14, sou levado a acreditar que apenas nas edições iniciais da competição o FC Porto verdadeiramente se alheou do real objetivo de a vencer.

Voltando à questão que dá o título a este artigo, importa então perceber qual a abordagem levada a cabo pelo clube no que diz respeito à Taça da Liga na presente temporada. A um onze com alguns jogadores menos utilizados na receção ao Leixões SC, seguiram-se dois escalonamentos de uma equipa quase na máxima força nos jogos frente a Rio Ave FC e FC Paços de Ferreira. Por si só, isto representa óbvia evidência de que o FC Porto está de olhos postos na Taça.

Mar azul em Paços de Ferreira Fonte: Facebook do FC Porto
Mar azul em Paços de Ferreira
Fonte: Facebook do FC Porto
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Algures ao longo do presente artigo de opinião conferi à Taça da Liga o poder de encerrar em si, ao mesmo tempo, graus de importância distintos. Vários fatores e argumentos concorrem para justificar tão confusa afirmação. Se tivermos em conta que se trata, indubitavelmente, da competição com menos expressão do nosso futebol (Liga, Taça e Supertaça ocupam as primeiras três posições nesta hierarquia) e que a vitória na Liga Portuguesa adquire, este ano e por razões várias, o estatuto de imprescindível e urgente, podemos ser tentados a tratar a competição quase como irrelevante. No entanto, atendendo à grandeza de um clube como o FC Porto, nomeadamente no panorama nacional, nunca o desdém por qualquer competição (seja ela qual for) se compadecerá com tais pergaminhos e, como tal, sendo a Taça da Liga uma prova integrante do calendário oficial de competições do futebol português terá sempre importância e relevância. Por fim, ao concluir que o FC Porto ainda não foi capaz de inscrever o seu nome na lista de vencedores da Taça CTT, sendo que até clubes de inferior nomeada como o Vitória FC ou o Moreirense FC (com o maior dos respeitos que estas duas prestigiadas instituições me merecem) já o fizeram e que o maior rival do clube já leva sete títulos conquistados, começa a tornar-se prioritário vencer uma competição nacional que, mesmo com uma dezena de anos de idade, ainda não se vestiu de azul e branco.

A dois jogos do título e com uma meia-final para disputar contra um dos maiores rivais, parece-me evidente o cariz de extrema importância que a presente edição deverá merecer por parte de todas as pessoas envolvidas no comando dos destinos da equipa sendo que, ainda assim, nunca servirá para salvar uma época. Um clube como o FC Porto, mesmo com todos os constrangimentos de ordem financeira, tem a obrigação de lutar afincadamente por todas as competições que disputa em Portugal.

Posto isto, parece-me então que a importância dada à Taça da Liga não é mais nem menos do que a que esta merece. É para ganhar? Sim, sem dúvida. É um objetivo? Está claro que sim. O principal? Não. Salva uma época? Jamais, em tempo algum.

Foto de Capa: Facebook do FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.                                                                                                                                                 O Bernardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.