hic sunt dracones

No Sporting, Jorge Jesus não vai ter a mesma estrutura nem as mesmas condições de trabalho ou financeiras que lhe eram oferecidas na Luz. Já para os lados do Benfica, Rui Vitória volta à estrutura encarnada para orientar a equipa principal e começar a lançar os jovens da academia para os grandes palcos.

A miríade de opiniões que surgiram após a “bicada” do século era esclarecedora e, ao mesmo tempo, contraditória. Apesar de serem meras opiniões, existia uma grande disparidade entre elas porque a verdade é só uma: ninguém sabe. Ninguém sabe onde é que o Sporting foi buscar tanto dinheiro. Ninguém sabe o que é exigido a Rui Vitória ou a Jorge Jesus para além do óbvio. Ninguém sabe as condições de trabalho oferecidas. Ninguém sabe nada de nada.

Rui Vitória é um treinador que aposta na formação? Jorge Jesus despreza as categorias de base? Clichés! Todos os treinadores trabalham com o que têm. Vitória tem apostado na formação porque não tem tido craques de 15 milhões à disposição. Jesus tem desprezado as categorias de base porque lhe têm dado esses mesmos jogadores. Todos querem uma coisa: ganhar. E para isso costuma ser boa ideia colocar os melhores a jogar.” (António Tadeia)

Apesar de algumas reticências que coloco ao ler a opinião de António Tadeia, que merecia ser muito mais desenvolvida, pergunto-me como não concordar em grande parte com a opinião do comentador de futebol.

Todos juntos na casa de partida
Todos juntos na casa de partida
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Mas voltemos ao ponto de partida desta crónica, que, afinal, é sobre o FC Porto. Sim, ponto de partida parece-me o termo mais correto para utilizar neste momento. Tenho ouvido por aí que o FC Porto já começa a época à frente da concorrência porque manteve a estrutura, a equipa técnica e não mudou nada. E ouço-o, inclusive, de adeptos portistas. Passámos uma época a queixar-nos de sermos burgueses, de nos acharmos superiores aos outros. Pior… começámos a época a pensar que estava tudo ganho com uma equipa fabulosa, a “melhor dos últimos 30 anos”.

A casa de partida é a mesma para todos. Ninguém começa com mais ou menos pontos, com mais golos marcados ou menos golos sofridos. Começam todos do zero. A diferença está apenas nas equipas e na maneira como se prepararam e como vão encarando a competição. Pessoalmente? Prefiro acreditar que Jorge Jesus e Rui Vitória serão capazes. Prefiro acreditar que são capazes do que adormecer à sombra de umas “esperadas” prestações aquém do que é normal. Motiva-me mais, incentiva-me a trabalhar mais.

Se querem continuar a achar que está tudo ganho, força. Parece que os “excessos” ainda enchem a pança a muitos enquanto os que têm fome vão definhando.

Foto de capa: fcporto.pt

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