Chegou, viu e…transformou. Quase tudo mudou. Veio, não para aprender, mas sim para ensinar. Esse propósito assentou na necessidade de incutir mentalidade vencedora numa equipa que não sabia o que isso era. Este FC Porto de Sérgio Conceição recuperou muito do ADN perdido ao longo dos anos, essencialmente pela transformação que o treinador foi operando na cabeça dos seus jogadores.

“O FC Porto dos últimos anos não era capaz de virar um jogo destes da forma como virou, em tão pouco tempo”, foi mais ou menos o que se viu ou leu após o jogo com o Portimonense SC, jogado no Dragão, referente à 4ª eliminatória da Taça de Portugal, quando os portistas perdiam 1-2 aos 90 minutos e remontaram para 3-2 durante o período de compensação.

Já antes, após a derrota caseira com o JK Besiktas Istanbul (1-3), Sérgio prometera uma reação, logo no jogo seguinte, ao nível do que a história do clube exigia. O que se seguiu, na Liga dos Campeões, foi um contundente 3-0 na casa do atual campeão francês e semifinalista da última edição da prova, o AS Mónaco de Leonardo Jardim. Antes disso, o jogo que se seguira ao duelo com os turcos era uma deslocação perigosa e difícil a Vila do Conde, onde o Rio Ave FC ocupava, à 6ª jornada, os lugares cimeiros da tabela e já havia roubado dois pontos ao SL Benfica. Não obstante, os portistas venceram 1-2, revelando já aí uma força anímica essencial para quem luta por títulos e não se deixa abater por percalços no caminho. Já dizia Oliver Goldsmith que “A nossa maior glória não reside no facto de nunca cairmos, mas sim em levantarmo-nos sempre depois de cada queda.” Um cliché sempre bonito de se aplicar nestas ocasiões.

Sérgio Conceição é o rosto mais visível da transformação do FC Porto
Fonte: FC Porto

A época dos azuis e brancos é recheada de demonstrações de caráter e força mental que poderiam aqui ser enumeradas para sustentar a minha tese. Ainda assim, deixo apenas o exemplo mais recente: a terrível noite de 14 de fevereiro, na qual o Liverpool FC impôs a mais pesada derrota de sempre ao FC Porto, em casa, nas competições europeias. Não é demais explicar o momento importante e quase decisivo que os portistas atravessavam por essa altura e que continuam a atravessar. O jogo com os ingleses antecedia a receção a um sempre complicado Rio Ave FC, uma saída ao Algarve, a receção importantíssima ao Sporting CP e, pelo meio, a segunda parte com o GD Estoril Praia, para a qual o FC Porto partia em desvantagem e na qual os rivais depositavam grandes esperanças. Muito se especulou sobre as repercussões que essa humilhação teria no comportamento da equipa. Pois bem, mais uma vez a resposta foi firme e forte, ao nível de um verdadeiro campeão. 5-0 ao Rio Ave FC, 1-5 ao Portimonense SC, 1-3 ao GD Estoril Praia e 2-1 ao Sporting CP, afastando praticamente o rival da luta pelo título.

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Este tem sido o grande mérito da “Era Conceição”, o de entrar na cabeça dos jogadores e, de uma época para a outra, torna-los capazes de se comportarem como verdadeiros campeões e não duvidarem até das suas próprias sombras. Incutir neles o espírito de revolta pelas injustiças de que o clube fora alvo é mais um trunfo do treinador que reconquistou a confiança dos adeptos, tornando-os autênticos décimos segundos jogadores. Revêem-se naquele conjunto de jogadores que, semana após semana, são demonstração inequívoca dos valores que devem ser a base de uma equipa “à Porto”. Na sua apresentação, Sérgio Conceição garantiu que “em maio os portistas vão estar felizes”. Maio ainda não chegou e felicidade é coisa que (já) abunda para os lados da Invicta.

Foto de Capa: FC Porto