fc porto cabeçalhoChegamos a novembro, e se em agosto dissessem que iríamos ter derrotado o campeão francês num jogo fora, vencer o vice-campeão alemão em casa e estar em 1° no campeonato nacional não iria acreditar. Mas aqui estamos, 31 pontos somados em 33 possíveis, 11 jogos, 10 vitórias, 1 empate, 0 derrotas, 30 golos marcados, 4 golos sofridos, números expressivos e impressionantes para um Porto que era considerado por muitos o elo mais fraco da corrida ao título. Liderança consolidada com quatro pontos de diferença em relação ao segundo lugar, e cinco pontos de diferença face ao terceiro classificado.

O FC Porto encontra-se nos 16 avos de final da taça de Portugal, onde defronta o Portimonense SC em casa, logo pode-se assumir um favoritismo para a passagem à próxima fase da competição. Ainda em competições internas o Porto concedeu um empate frente ao Leixões SC no estádio do Dragão, um nulo foi o resultado de um jogo que deixou muito a desejar, no entanto o acesso à final-four ainda é possível, e o Porto irá ter no próximo dia 29 um jogo frente ao Paços que ira ditar se as aspirações portistas face à taça da liga podem continuar vivas ou não.

Na Champions League o acesso para a fase seguinte pode ser carimbado já na próxima jornada, mas para isso o Porto terá que bater os inesperados lideres do grupo, o Besiktas JK, na sua fortaleza turca e o AS Mónaco terá que somar a primeira vitória nesta edição 2017/2018 da Champions League e bater o RB Leipzig. Após um breve apanhado do estado atual da equipa, acho que não nos podemos queixar, as exibições são com qualidade, os jogadores são intensos e todos dão o seu melhor. Mas não creio que estejamos 100% bem, acredito que existem muitos problemas escondidos no plantel que mais tarde ou mais cedo vão-se evidenciar.

Desde o início da época que achei estranhas as nossas opções para ponta de lança, habituado a jogadores com Jackson Martinez e Falcao a brilhar na frente de ataque, agora deparava-me com um ex-vitória de Guimarães e um jogador que até então não tinha dado provas concretas em Portugal de que era um bom ponta de lança.

Além da qualidade técnica não estar no seu melhor em relação a algumas épocas atrás, a própria profundidade da posição também começou muito fraca, a ausência de contratações para o sector e o empréstimo de Rui Pedro para o Boavista fez com que de repente o porto ficasse só com 3 pontas de lança, e quando o sistema de jogo utilizado é um 4-4-2 fazer uma época só com 3 pontas de lança é praticamente impossível. No entanto o trabalho árduo cobriu a falta de técnica e o Porto encontrou em Marega e Aboubakar a dupla letal para chefiar a frente de ataque, mas nem tudo é um mar de rosas, e no ultimo jogo do Porto a contar para a Liga dos Campeões vimos o Marega a contrair uma lesão muscular, e a equipa a ter que alterar toda a sua orgânica pois não tinha mais nenhum ponta de lança no banco (devido a lesão de Francisco Soares), sentiu-se claramente que o Porto não esteve confortável quarta feira, notava-se no posicionamento de todos os jogadores mas principalmente de Aboubakar que aquela situação nunca tinha sido contemplada e que a equipa apresentava serias dificuldades.

Na minha opinião o problema que existe na frente de ataque do Porto é preocupante, e se em novembro o Porto se apresenta como o melhor ataque da liga, muito facilmente em março já foi ultrapassado. Apesar das restrições financeiras devido ao fair-play financeiro da UEFA é incontestável dizer que Sérgio Conceição tem metade de culpa nesta crise de soluções ofensivas, pois o 1M€ que foi gasto na compra de Vaná (quando já existiam 4 guarda redes nos quadros do clube) poderia facilmente ter sido gasto na compra de um ponta de lança que traria mais soluções ao ataque e mais profundidade no banco, provavelmente a vitória na passada quarta-feira poderia ter sido bem mais calma do que aquilo que foi.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

O segundo problema é o caso Casillas, por muito que goste e respeite o José Sá, acho inconcebível conceder-lhe a titularidade quando o plantel possui um jogador da qualidade e experiência do espanhol. O guardião espanhol em 10 jogos sofreu 6 golos (0,60 golos sofridos por jogo) enquanto que o português sofreu 4 golos em 7 jogos (0,57 golos sofridos por jogo), embora se sinta um melhoramento no rendimento de José Sá sente-se claramente a falta da segurança inerente à titularidade de Casillas.

De resto o plantel é todo ele com poucas soluções de segunda linha nas diferentes posições. Existe qualidade, existe trabalho, existe afinco, e na minha curta experiência de adepto de futebol, aprendi que mais do que trabalho e confiança a pedra pilar para a obtenção de um campeonato nacional é principalmente a profundidade, espero que esteja enganado, e que em fevereiro continuemos na mesma posição que estamos agora em Novembro e que em Maio os aliados voltem a encher-se com uma mancha azul e branca para celebrar o tão pretendido titulo, na vitória ou na derrota, seguimos juntos.

 

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Comentários