5 grandes momentos do Braga na Europa

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A viagem do Braga na UEFA Europa League 2025/26 chegou ao fim na passada quinta-feira (dia 7 de maio), após a derrota na Alemanha frente ao Friburgo por 1-3 (3-4 na junção das duas mãos). Um desempenho absolutamente notável que fez muitos recordar o percurso dos “Guerreiros do Minho” na mesma competição durante a época 2010/11. Após um terceiro lugar na fase de grupos da UEFA Champions League, a equipa então orientada por Domingos Paciência chegou à final da UEFA Europa League em Dublin, perdendo para o FC Porto de André Villas Boas por 0-1.

Qualificar-se para a Europa do futebol e procurar fazer um “brilharete” na mesma, independentemente da competição, já se tornou num padrão e obrigação no ADN do Braga. Além de ter sobrevivido na maioria das vezes () a uma fase de qualificação exigente, já por várias ocasiões o Braga chegou longe nas competições europeias, dando nas vistas e fazendo os adeptos sonhar com algo maior. Além da final da UEFA Europa League de 2010/11, da conquista da Taça Interoto em 2008 e das meias-finais de 2025/26, ficam para a história também os quartos de final da Europa League de 2015/16 e 2021/22.

Todos esses percursos mais frutíferos na história do clube bracarense e prestigiantes para o futebol português, foram brindados por algumas exibições bem conseguidas e algumas memoráveis. Aqui ficam cinco jogos marcantes da história do Braga nas competições europeias, na seleção dos mesmos predomina uma das mais histórias épocas do clube (2010/11).

5.

Braga 4-1 Fenerbahçe (2015/16) – A época 2015/16 corria de feição. A equipa de Paulo Fonseca além de quarta classificada na Liga, já era finalista da Taça de Portugal (tendo eliminado o Sporting e ia defrontar FC Porto na final), semifinalista da Taça da Liga (iria defrontar o Benfica) e tinha passado a fase de grupos da UEFA Europa League. Nos oitavos de final da competição, sai na rifa o Fenerbahçe treinado pelo português Vítor Pereira. Na primeira mão, a equipa turca venceu em Istambul por 1-0 (golo de Topal aos 82 minutos) e era necessária uma exibição consistente em busca de uma reviravolta.

Pelo Braga entraram em campo: Matheus Magalhães, Baiano, Boly, André Pinto (C), Marcelo Goiano, Mauro, Vukcevic, Josué, Rafa Silva, Hassan e Stojiljkovic.

Já as escolhas de Vítor Pereira para o onze turco foram: Demirel (C), Ozbayrakli, Bruno Alves, Kjaer, Erkin, Topal, Souza, Diego, Nani, Potuk e Van Persie.

O Braga cedo começou a pressionar e a virar a situação. Aos 11 minutos, Hassan recebe uma bola de Vukcevic e bate Demirel de pé esquerdo ainda fora da área. Já com Vítor Pereira fora do banco por expulsão, a equipa turca chega ao empate em cima do intervalo e voltando à vantagem na eliminatória. Após um cabeceamento bloqueado de Van Persie, a bola sobrou para Potuk que não perdoou.

A segunda parte seria memorável para os bracarenses. Aos 69 minutos, após Topal ter sido expulso, Josué converte uma grande penalidade e relança a eliminatória. Cinco minutos depois e na sequência de um passe chipado para a área, Pedro Santos cabeceia na direção de Stojiljkovic que recebe de peito e remata cruzado para o 3-1. A eliminatória ficava selada aos 83 minutos. Num contra-ataque, Hassan lança Rafa Silva que faz o quarto golo.

Uma reviravolta esmagadora em termos de resultado e que deu passagem aos quartos de final da competição pela primeira vez desde a histórica caminhada de 2010/11. Contudo, a equipa de Paulo Fonseca terminaria por cair na eliminatória frente aos ucranianos do Shakhtar Donesk (1-6 na junção das duas mãos).

4.

Braga 2-0 Arsenal (2010/11) – Na época de estreia do Braga na UEFA Champions League, as coisas não começaram da melhor maneira. O Arsenal goleou a equipa de Domingos na primeira jornada em Londres (6-0) e duas semanas mais tarde, perde na receção ao Shakthar Donesk de forma pesada (0-3). Tudo parecia mal quando há uma reação. Partilhando o último lugar do grupo com o Partizan com zero pontos, na terceira e quarta jornada, os bracarenses vencem em casa (2-0) e fora (1-0) a equipa de Belgrado e seguia-se a receção à equipa londrina. Uma derrota ou um empate inviabilizava qualquer hipótese dos minhotos se manterem em competição, mas com uma vitória, os homens de Domingos colavam-se na classificação à equipa de Arsène Wenger.

Os titulares do Braga foram: Felipe, Miguel Garcia, Moisés, Alberto Rodríguez, Elderson, Leandro Salino, Vandinho, Luis Aguiar, Alan, Matheus e Lima.

Já Arsène Wenger colocou a titular na Pedreira: Fabianski, Eboué, Squillaci, Djourou, Gibbs, Denílson, Jack Wilshere, Cesc Fábregas, Tomás Rosicky, Theo Walcott e Bendtner.

A verdade é que além de se ter apresentado com um elenco mais secundário, a equipa londrina foi uma sombra das suas capacidades e pouco conseguiu fazer. O melhor para o Braga estava reservado para a segunda parte e para bem perto do fim. Aos 83 minutos, Élton faz um passe longo que isola Matheus e bate Fabianski no um contra um à entrada da área. Dez minutos depois, o avançado brasileiro volta a apanhar a bola, vence a oposição da defesa do Arsenal e remata forte para o bis.

Um triunfo absolutamente notável que seria o primeiro contra um adversário de grande prestígio na UEFA Champions League. Nas contas finais, estes três pontos quase serviram para seguir em frente na competição. No entanto, uma derrota em Donesk (0-2) relegou a equipa de Domingos Paciência para o terceiro lugar que apenas oferecia o apuramento para UEFA Europa League, na qual os bracarenses fariam história ao longo dos meses seguintes.

3.  

Braga 1-0 Benfica (2010/11) – As meias-finais da UEFA Europa League 2010/11 ficam na história por ter existido o primeiro duelo entre dois clubes portugueses para uma competição europeia e pela presença de três equipas nacionais. O Benfica partia para a segunda mão com vantagem pela vitória caseira (2-1) uma semana antes, mas o golo de Vandinho na Luz deixava esperança ao Braga para ser a presença portuguesa “garantida” na final de Dublin. A outra meia-final era entre o FC Porto e o Villarreal.

As escolhas de Domingos Paciência foram: Artur Moraes, Miguel Garcia, Paulão, Alberto Rodríguez (C), Sílvio, Custódio, Hugo Viana, Mossoró, Alan, Lima e Meyong.

Já Jorge Jesus colocou a titular na Pedreira: Roberto, Maxi Pereira, Luisão (C), Jardel, César Peixoto, Javi García, Carlos Martins, Fábio Coentrão, Nico Gaitán, Saviola e Cardozo.

O Braga entrou determinado a fazer história e assim foi. Aos 19 minutos, Custódio responde “sim” com um forte cabeceamento a um canto de Hugo Viana e coloca os bracarenses na frente da eliminatória. O jogo foi ganhando mais e mais intensidade e na segunda parte surgiram três oportunidades que podiam ter mudado o rumo do jogo e da eliminatória.

Num canto aos 80 minutos, Luisão desvia com a cabeça e Gaitán é apanhado em fora de jogo, num lance em que por pouco não empatava. Aos 85 minutos, Custódio recebe uma bola de Alan e remata forte para Roberto fazer a defesa da noite, além de impedir o médio português de bisar. Três minutos mais tarde, Kardec cabeceia para o golo após um cruzamento e é Paulão quem salva quase em cima da linha. Apesar das diversas tentativas do Benfica em responder ao 0-1, o resultado não se alterou. O Braga era finalista

A final da UEFA Europa League estava alcançada e seria a única até aos dias de hoje na história dos “Guerreiros do Minho”. Seguia-se Dublin e o FC Porto era o grande foco para alcançar o objetivo da época.

2.

Braga 1-0 Liverpool (2010/11) – Após terminar a primeira caminhada da sua história na UEFA Champions League, o Braga vai para a UEFA Europa League e elimina o Lech Pozman nos 16 avos de final. Nos oitavos, calha na rifa bracarense o “colosso” Liverpool. A passar um período de dificuldades nos resultados e a viver um tempo menos feliz da sua história, ainda assim era o emblema mais “pesado” em competição. Só duas grandes exibições permitiriam à equipa de Domingos Paciência seguir em frente.

Os jogadores bracarenses titulares foram: Artur Moraes, Miguel Garcia, Kaká, Alberto Rodríguez (C), Sílvio, Leandro Salino, Hugo Viana, Mossoró, Alan, Paulo César e Lima.

Pelos Reds jogaram: Pepe Reina, Glen Johnson, Jamie Carragher (C), Skrtel, Kyrgiakos, Poulsen, Lucas leiva, Raúl Meireles, Joe Cole, Spearing e Dirk Kuyt.

O único golo da eliminatória aconteceu na primeira mão ainda na primeira parte. Aos 17 minutos, Kyrgiakos derruba Mossoró dentro da área e Alan converte sem hipótese para Pepe Reina. Aos 38 minutos, na sequência de um remate bloqueado de Mossoró, Sílvio remata forte de pé esquerdo em cheio na trave. Atónito com o que se passou na primeira parte, os reds de Kenny Dalglish vêm mais reativos para o segundo tempo. No entanto, os ingleses não conseguiam ser eficazes no último terço apesar de estarem mais por cima. Tirando um remate forte de Kuyt aos 67 minutos e que obrigou Artur Moraes e boa defesa, pouco mais o Liverpool conseguiu fazer. O Braga levou uma vantagem de um golo para Liverpool.

Em Anfield, apesar de mais iniciativa da equipa da casa, o Braga foi uma equipa coesa do ponto de vista defensivo e controlou o resultado e a vantagem na eliminatória até ao fim. Uma realidade que nem o “You’ll Never Walk Alone” cantado pelos adeptos ingleses até ao último minuto de jogo alterou.

A equipa de Domingos Paciência acabaria por segurar a vantagem e era a ultrapassagem do adversário mais prestigiante em termos históricos para o clube bracarense, o que dava argumentos para sonhar com algo maior. O Braga só terminaria na final de Dublin, frente ao FC Porto de André Villas Boas (que venceria por 1-0, golo de Radamel Falcao) e fazendo parte da única final entre dois clubes portugueses até hoje.

1.

Sevilla 3-4 Braga (2010/11) – O histórico segundo lugar na Liga Portuguesa 2009/10, dá a possibilidade ao Braga de disputar o play-off de acesso à UEFA Champions league. A primeira eliminatória foi disputada contra o Celtic e é vencida com êxito (vitória por 3-0 em casa e derrota por 1-2 em Glasgow). Para o último teste, sai na rifa o Sevilla. Um adversário exigente, das melhores equipas em Espanha na época e já com histórico europeu (vencedor da Taça UEFA 2005/06 e 2006/07).

Na primeira mão, a equipa de Domingos vence os espanhóis na Pedreira por 1-0 (golo de Matheus aos 62 minutos). Uma semana depois, veio o grande desafio para ambas as equipas em solo espanhol e quem saísse vencedor, tinha passaporte garantido para a fase de grupos da UEFA Champions League e quem não conseguisse iria para a UEFA Europa League.

Pelo Sevilla alinharam: Palop, Escudé, Fazio, Dabo, Konko, Zokora, Cigarini, Jesús Navas, Diego Perotti, Luís Fabiano e Kanouté.

Já Domingos Paciência colocou a titulares: Felipe, Sílvio, Moisés, Alberto Rodríguez, Elderson, Leandro Salino, Vandinho, Luis Aguiar, Alan, Paulo César e Matheus.

O Sevilla entrou focado na reviravolta e até teve um golo anulado por fora de jogo. No entanto, o foco no ataque levou a alguma exposição defensiva. Algo que foi bastante aproveitado pelos minhotos. Aos 31 minutos e após um remate de Paulo César fora da área que Palop defendeu para a frente, é Matheus quem aparece para fazer a recarga de pé direito e o primeiro golo. Até ao intervalo, o resultado não se alterou.

Aos 55 minutos é feita a substituição que ia mudar o rumo do jogo, saía Luis Aguiar e entrava Lima. Três minutos depois, Matheus cruza do lado direito e Lima faz o 2-0 fora da pequena área. Apenas dois minutos após o golo de Lima, Luís Fabiano faz o 1-2 com Felipe a ficar mal na fotografia. A partir do golo do avançado brasileiro do Sevilla, a equipa espanhola começa a acreditar novamente e faz o 2-2 por Jesús Navas aos 84 minutos, depois de já ter desperdiçado algumas oportunidades. Ainda o Sevilla estava a pensar no que ia fazer de seguida, já o Braga estava a marcar outro golo. Um minuto depois, Salino isola Lima que se antecipa à subida de Palop e faz o 3-2. Já tudo parecia terminado, quando Alan bate um canto aos 90 minutos e Lima faz o hat-trick de cabeça. O resultado fecha aos 91 minutos quando Jesús Navas cruza e Kanouté cabeceia sem hipótese para Felipe.

Um autêntico jogo de loucos. Segurando a vantagem na eliminatória e fazendo uma exibição absolutamente inolvidável, o Braga estava presente pela primeira vez na fase de grupos da UEFA Champions League.

Jorge Afonso
Jorge Afonso
O Jorge apaixonou-se pelo futebol num dérbi em Alvalade e nunca mais largou. Licenciado em Comunicação Social e mestre em Ciência Política, vive entre estatísticas, memórias épicas e o encanto de equipas como o Barça de Guardiola ou a França de Zidane.

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