Se perdura algo que resguardo com o sentimento de pertença e fascínio aquando dos tempos de ensino, é a História. As aulas traduziam verdadeiras contemplações da minha parte ao “orador”, observava-o perplexo e coexistia com o que era proferido, volteando e deambulando mentalmente.

Evidentemente, determinadas temáticas suscitavam e estimulavam mais as minhas propensões. A Segunda Guerra Mundial avivava o meu afinco, a queda da monarquia despertava o meu lado intrépido, todas as batalhas vencidas diante de mouros envaideciam cada aluno presente no recôndito espaço. Contudo, essência localizou-se prematuramente dada a magnificência dos atos: os Descobrimentos e a Revolução dos Cravos.

Algures no Atlântico, 1500. Dez naus e três caravelas embarcavam rumo à Índia com o simples desígnio de substanciar as relações comerciais com os nativos. Fidalgo de Belmonte, sábio marítimo, prescreveu uma rota distinta da traçada de modo a não “colidir” com ventos nocivos à demanda. E adivinhem…? Eis as Terras de Vera Cruz, eis o Brasil! Pedro Álvares Cabral difundia as suas pegadas por solos (mais tarde) latinos.

Do relato supracitado, encerra-se a aleatoriedade do acontecimento: o Brasil surge do nada. Como que o Fado nos quisesse segredar algo, como que a Ventura quisesse bater à porta lusa, como que a sina içasse velas no auxílio das caravelas da pátria.

O sucesso leonino desta temporada passou sempre pelas mãos dos seus guardiões
Fonte: Sporting CP

Futebolisticamente escrevendo, Guitta e Renan são filhos pródigos da esdrúxula gama de produtos brasileiros. Ambos ocupam o último resguardo das suas formações. Não obstante, glorificaram-nas de maneiras distintas: o primeiro foi um dos propulsores da consecução da UEFA Futsal Champions League, contribuindo com contorcionismos inabaláveis. Guitta representa, na quadra, a objetividade e o concreto, o verso livre e a liberdade linguística ao estilo de Carlos Drummond de Andrade; o segundo, oriundo do ano zero, sentenciou a partida da Taça de Portugal ao defender o sexto penalty no desempate. Renan apresenta, no seio das quatro linhas, uma homenagem ao poeta brasileiro José de Alencar pelo facto de, tal como ele, tentar construir novos trilhos para a literatura do clube.

Além disto, teço uma breve referência ao 25 de abril de 1974. Salgueiro Maia, ordenado por Otelo Saraiva de Carvalho, reuniu as tropas defronte do Terreiro do Paço e orquestrou o cerco do local, impingindo ao chefe de estado, Marcello Caetano, a rendição. Ângelo Girão, guiado pelos alertas de Paulo Freitas, construiu o cerco quer da formação do SL Benfica, quer da formação do FC Porto, submetendo-os à supremacia dos soldados da legião sportinguista e alcança a independência que restava, a democracia implorada pelos adeptos: Liga Europeia de Hóquei.

Tal como Pedro Álvares Cabral, Carlos Drummond de Andrade, José de Alencar e Salgueiro Maia se vincularam à História, os três leões Renan, Girão e Guitta imortalizam-se na fábula da instituição. Obrigado!

Foto de Capa: Sporting CP

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