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A balança de reforços

Ricardo Gonçalves · 5 min

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A escassez de jogadores novos que acrescentem qualidades ao plantel do Sporting fez com que o tema dos reforços seja um dos mais debatidos no actual período perturbado que a equipa vive. O dilema começa imediatamente na denominação atribuída ao jogador que acaba de chegar, sendo que, em alguns casos, ele representa tudo menos um reforço e faz tudo menos reforçar.

A transversalidade do fenómeno até poderia contribuir para o descanso dos Sportinguistas. Não é novidade um jogador de quem se espera muito não cumprir as expectativas, mas a situação complica-se quando o fenómeno não se sucede apenas com um jogador, contagiando meia dúzia de uma só vez. Entre as constatações lógicas ressalta a ideia de que o chamado “reforço” pretende aumentar os índices qualitativos de uma equipa, ora tentando colmatar a saída de um jogador, ora tentando corresponder a uma necessidade concreta de natureza distinta, representado o produto final do trabalho de Scouting. Antes da análise, lembre-se que no final da época passada o Sporting movimentou-se no mercado de transferências tendo perdido dois dos seus jogadores mais importantes e confrontando-se com o assédio às pérolas da sua Academia, que tinham acabado de conquistar o campeonato da Europa em França. Contudo, no momento em que a segunda volta do campeonato se inicia, e antes de partir para a análise individual de cada reforço, podemos admitir que a actuação do Sporting no último Mercado de Transferência ficou longe de atingir um resultado positivo, culminando num plantel longo, mas do qual só catorze jogadores contam.

Beto tem sido decisivo quando defende a baliza do leão Fonte: Sporting CP
Beto tem sido decisivo quando defende a baliza do leão
Fonte: Sporting CP

Beto

Apesar da troca de palavras com Jorge Jesus no passado, Beto foi o guarda-redes escolhido para ocupar a segunda vaga da posição. Com a saída de Marcelo Boeck, o Sporting precisava de assegurar a qualidade na baliza aquando da ausência de Rui Patrício, e mesmo sabendo ter a titularidade condicionada, Beto contrariou o ditado e regressou à casa onde já foi feliz. Sempre que é requisitado cumpre, e algumas defesas já valeram vitórias.

Douglas

É sabido que este central era um desejo antigo de Jorge Jesus. Primeiro devido à sua altura – que representa um requisito obrigatório para o técnico, e, depois, por ter alguma cultura na saída com a bola. A verdade é que Douglas, nas poucas vezes que entrou em campo, não se revelou um central esclarecido. E embora alguns lances possam ser sintomas da adaptação em curso, outros preocupam qualquer apreciador de futebol. Em suma: é certo que é sempre preciso ter centrais no banco, mas enquanto houver Semedo, Coates ou Paulo Oliveira muito dificilmente ouviremos falar em Douglas.

Petrovic

Talvez a sua aquisição também tenha representado uma salvaguarda para a possível saída de William, que afinal continuou como o dono da posição. No final das contas, foi pouco o que conseguiu mostrar durante o tempo que jogou, e o mesmo terá acontecido nos treinos em Alcochete – tal como o regresso de João Palhinha permite perceber.

Petrovic tem o caminho cada vez mais tapado em Alvalade Fonte: Sporting CP
Petrovic tem o caminho cada vez mais tapado em Alvalade
Fonte: Sporting CP

Meli

Após a sua repentina estreia, Jorge Jesus disse que ainda era cedo para falar de Meli. O jogador estava, então, a passar pela tradicional fase de adaptação, e havia processos de jogo que ainda lhe eram impossíveis de compreender. Contudo, o treinador do Sporting afirmou ter registado a qualidade de passe do Argentino, que ficou patente no único toque que deu numa bola ao serviço do Sporting.

Elias

Nem os assuntos do passado impediram o regresso do Brasileiro a Alvalade. Sendo a escolha para ocupar o lugar de Adrien, Elias acabou por ser a segunda escolha perante a permanência do capitão. Para sermos justos, diga-se que é um bom jogador, mas com grandes doses de paradoxalidade. Não é concebível que a sua experiência ainda permita alguns comportamentos que violam o comportamento da equipa, e talvez o problema esteja relacionado com a sua realidade, que já não coincide com a realidade do Sporting. Muito se tem falado na China. Parece-me uma boa hipótese.

Joel Campbell

Chegou à Europa com o rótulo de jovem promessa. Com talento indiscutível, a concorrência e as dificuldades impuseram as cedências do Arsenal a outros clubes, apesar dos jogos interessantes ao serviço do clube de Londres. Foi nesta circunstância que o Costarriquenho partiu para Alvalade, onde tem demonstrado que é, de facto, um jogador acima da média. Marca, assiste e agita com o jogo, deixando a ideia de que poderia ser ainda mais preponderante caso o rendimento da equipa fosse outro.

Markovic

Qualquer Sportinguista se entusiasmou com a vinda de Markovic, pelo menos qualquer Sportinguista com boa memória. Na época que havia realizado em Portugal, o Sérvio foi um dos melhores jogadores do campeonato, tendo a sua prestação aberto as portas do futebol Europeu. Posto isto, aproveito para desmentir a primeira frase deste curto texto. Markovic não regressou. Claro que não. Trata-se, por sua vez, de alguém muito parecido e que ainda está a dar os primeiros toques na bola.

Markovic tem sido uma miséria nesta temporada. Extremamente fraco Fonte: Sporting CP
Markovic tem sido uma miséria nesta temporada. Extremamente fraco
Fonte: Sporting CP

Alan Ruiz

Após a integração na equipa principal, Alan Ruiz deixou algumas boas indicações nos jogos da pré-época. Uma coisa é certa: como diz a gíria, este rapaz tem bons pés, porque só os tendo é que se faz passes como aquele que assistiu Bas Dost contra o Feirense. Porém, ser jovem, às vezes, traz algumas limitações, ainda mais quando se é oriundo de um campeonato totalmente diferente. Como um outro jogador já nos habituou no passado, também Alan Ruiz é neste momento um atleta de altos e baixos. Por enquanto o benefício da dúvida ainda se aceita, mas o prazo tende a diminuir quando se fala de um jogador de oito milhões.

André

Devo confessar que não conhecia bem o André, embora tenha ficado com o registo opinativo de alguns adeptos do Corinthians, que não ficaram muito incomodados com a saída do jogador. A história do Sporting conta com alguns exemplos de avançados que tiveram que esperar pela segunda época para singrar; mas não querendo ser pessimista, sou obrigado a duvidar de que isso aconteça com André. É um segundo avançado, eu sei. Mas, idênticos ao seu estilo, o Sporting teve, no mínimo, uma dezena nos últimos anos. E a estatística também conta.

Castaignos

Creio que neste caso trata-se apenas de um autêntico erro de casting. A não ser que, num jogo próximo, este Holandês ainda faça um hat-trick só com golos de pontapé de bicicleta.

Bas Dost tem sido o abono da família leonina Fonte: Sporting CP
Bas Dost tem sido o abono da família leonina
Fonte: Sporting CP

Bas Dost

Por representar a contratação mais cara da história do Sporting, o risco do investimento era igualmente elevado. Esta laranja mecânica não está programada para correr nas entrelinhas ou para se deslocar muito do seu raio de acção, mas o que importa isso se, afinal, é concreto naquilo que tem realmente de fazer? Numa época em que a equipa não joga bom futebol, o Holandês já festejou 14 vezes no campeonato, ocupando o topo da tabela de melhores marcadores e lutando por recordes internos. E isto é digno de aplausos e de um estádio inteiro a cantar o seu nome.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

Ricardo Gonçalves

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