Todas as pessoas possuem aqueles objetos de culto e que se contemplam mil vezes por dia, causa que provém de um enamoramento prematuro e sufocante aquando da aquisição. Qualquer tentativa que parta do próximo, seja para pegar “só para ver” (embora teime em tocá-lo) ou para perceber o seu uso e funcionamento é negada até à exaustão. Permitam-me o parêntesis em jeito valorativo: não confundam o ato com ausência de boa educação, porque talvez ela esteja em falta na pessoa que faz da insistência arma de arremesso. É inevitável, o ser humano traz consigo este defeito que nenhuma pessoa censura (ou pelo menos que tenha a lata necessária para o fazer).

A situação agrava-se quando de futebol se trata. E, só ao realizar a menção, já sinto a raiva enraizada em espuma de palavras e na troca de galhardetes que colidem com argumentos que outrora se utilizaram para solidificar posições distintas. Atenção, sortudas são as pessoas que assistem ao debate acérrimo: cada projeto lei é elaborado com toda a minúcia e o orçamento proposto idem (“Caros amigos, António Carlos tem dez golos apontados enquanto que Joaquim José só possui oito. Portanto, o ponta de lança da minha equipa vale mais 100 euros, no mínimo!”); porém, e é algo que raramente acontece no poleiro dos políticos, a proposta nunca é aprovada por nenhuma alma viva, a não ser pelo autor da mesma. Afinal, futebol e política não se situam no mesmo patamar das temáticas interditas.

Confesso que desisti das abordagens dessa estirpe. Os pacemakers são dispendiosos e a saúde é prioritária. Ou melhor, posso contrair nervosismo, mas, em vez de produzi-lo através da voz, exprimo-o por palavras. Respirar simultaneamente ao dedilhar das teclas é uma técnica infalível no controlo cardíaco. Apostem nisso, leitores!

A qualidade e regularidade demonstradas em campo tiveram como recompensa um substantivo aumento salarial
Fonte: Sporting CP

Por falar em intocáveis, adivinhem quem vem à baila! É Bruno Fernandes, logicamente. Não é à toa que se efetuam amálgamas entre si e a instituição que representa, Sporting Clube de Portugal (Bruno Clube de Portugal ou Sporting Clube de Bruno, por exemplo). E, de facto, os elogios escasseiam e recorre-se, frequentemente, a repetições de conteúdo. Começa a ser chato, não só para os interinos, o exterior também sofre (e de que maneira!).

Apelo, solenemente, ao departamento médico do clube para que se realizem exames médicos na zona da coluna. O diabo que figura no ombro esquerdo segredou-me que, futuramente, as dores de costas lhe darão inúmeras complicações uma vez que, jogo após jogo, suporta o peso (morto) de dez jogadores. O intento de abafar a miséria que cerca o clube parte somente de um dos seus profissionais: contribui com golos, assistências, entrega, ambição, muita vontade e atitude digna de envergar a camisola que, nos dias de hoje, poucos sonham vestir. Mais e melhor é impossível.

Por sua vez, o anjo, do lado oposto, diz-me que aquilo são dores momentâneas (não interpretem no sentido denotativo) e que, para o ano, o desconforto já nem existe. Além disso, prometeu a continuidade no topo dos marcadores europeus bem como na equipa da UEFA (um bom augúrio, presumo) e assegurou a sua permanência no clã leonino. Os tubarões que pesquem outro alimento, há mais peixe no mar.

“Enquanto houver estrada para andar, o Bruno Fernandes vai continuar, enquanto houver estrada para andar. Enquanto houver ventos e mar, o Bruno Fernandes não vai parar, enquanto houver ventos e mar”.

Foto de Capa: Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Comentários

Artigo anteriorÀ conquista do mundo
Próximo artigoO melhor 11 de jogadores treinados por José Mourinho
Casado há 18 anos com o Sporting Clube de Portugal e amante do Moreirense Futebol Clube, clube da terra na qual cresci e da qual me orgulho cada vez mais. Internacionalmente, o foco localiza-se no Liverpool FC e na massa adepta que considero fanaticamente apetecível e extremamente fidelizada para com a instituição que apoia, festejando cada golo como se do último se tratasse. Deste modo, a paixão futebolística faz companhia à escrita e à leitura tendo em mente a opção pela vertente jornalística.                                                                                                                                                 O Romão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.