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sporting cp cabeçalho 2Para se atestar a qualidade ou o sucesso de determinado negócio, é necessário que o mesmo mostre vários resultados ao longo de vários anos. Como uma empresa que é líder de mercado e o conseguiu com várias apostas que se mostraram superiores às concorrentes, ou uma banda que consegue manter-se com sucessos durante trinta anos, também em todos os outros negócios terá de haver uma continuidade de vários anos a produzir qualidade para que se possa autoproclamar como o melhor.

Dito isto, e sobre a formação de jogadores de futebol em Portugal, ouvi esta semana algumas proclamações que me deixaram um pouco confuso, mesmo pela conflitualidade entre ideias defendidas pela pessoa que as anunciou. Essa pessoa disse, pelo menos, duas frases interessantes, e que aqui enuncio. São elas: “O nosso clube está um pouco à frente dos outros clubes de Portugal em termos de formação.” e “A formação do nosso clube está ao nível das formações dos melhores do mundo.”. Ora, indo ao encontro do que escrevi no início deste texto, e porque acho que ninguém contestará a verdade de “La Palice” aí descrita, estas duas frases vêm tentar contradizer essas ideias que o próprio mercado teima em atestar.

Falando então concretamente da formação em Portugal, temos um clube que já formou jogadores como Paulo Futre, Luís Figo, Cristiano Ronaldo, não podendo deixar de referir, a um nível logo abaixo, jogadores como Nani, Simão Sabrosa, João Moutinho, Ricardo Quaresma. Temos depois esse clube que se autoproclama agora como a melhor formação em Portugal, que formou no passado jogadores como Rui Costa. Ponto. Apesar de ser o maestro, e eu ter sido admirador do seu futebol, não chegará para tentar igualar a qualidade de formação dos dois clubes.

A Academia de Alcochete teve papel fundamental na conquista do Euro'2016 Fonte: Sporting CP
A Academia de Alcochete teve papel fundamental na conquista do Euro’2016
Fonte: Sporting CP

Mais recentemente um desses clubes tem vindo a formar jogadores como Adrien Silva, William Carvalho, João Mário, Rui Patrício, estes com créditos já firmados, juntando-se a eles Gelson Martins, Ruben Semedo, Matheus Pereira, Wallyson Mallmann, Iuri Medeiros, Daniel Podence (não sei se deva considerar aqui João Palhinha, uma vez que chegou já no final da formação ao Sporting). Outro formou um belo contentor de jogadores de quinze milhões, patrocinado pela máquina “Mendes”, colocados em clubes sob a sua alçada, de onde poderemos espremer um Bernardo Silva, e um pouco abaixo um André Gomes. Este formou ainda Renato Sanches, que terá ainda muito a provar, até pelos seus dezoito anos. Está agora a lançar Nelson Semedo e Gonçalo Guedes (Ederson e Lindelöf são tanto da formação deste clube como Palhinha ou Pedro Marques serão da formação do Sporting). Postos todos estes nomes em cima da mesa, e juntando a quantidade e a qualidade identificadas, parece uma luta bastante desequilibrada quanto à formação neste belo rectângulo à beira mar plantado.

Ou seja, ao que parece, o senhor que proferiu as frases acima não deveria estar a falar do “produto” final que a formação gera, porque se assim fosse não poderia dizer de ânimo tão leve que o seu clube está à frente de todos os outros clubes em Portugal. Pode ambicioná-lo mas ainda lhe falta “um bocadinho assim”. E mesmo esse bocadinho, julgando pelas carreiras que estão a ser feitas este ano pelos juniores, iniciados e infantis dos dois clubes, ainda vai demorar um bocadinho a esbater-se. Já quanto ao facto de o senhor dizer que a sua formação está ao nível dos melhores do mundo, não vou rebater, se ele estiver, de forma implícita, a dizer que a formação do Sporting é a melhor do mundo (o que contradiz a primeira afirmação). Mas, mesmo assim, continuam um bocadinho atrás, mas só um bocadinho, para que ele não fique triste.

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