rugir do leao duarte

Hoje tenciono escrever sobre aquela que penso ser a posição chave, pelo menos tendo em conta a perspetiva ofensiva, no sistema tático de Marco Silva – a posição 8. Quase sempre desempenhada por Adrien Silva, de forma mais ou menos competente, esta posição assume uma importância ímpar na equipa verde e branca.

O sistema tático do treinador português exige bastante do jogador que desempenha tais funções, quer a nível defensivo, mas também e sobretudo a nível ofensivo. Se olharmos para a classificação da época de 2013/2014, podemos constatar que a equipa do Estoril, orientada por Marco Silva, apresentava bastantes melhores resultados a jogar fora de casa do que em terreno caseiro. Em 15 jogos disputados fora de portas venceu nove, empatou quatro e perdeu apenas dois. Nos jogos que disputou no António Coimbra da Mota venceu seis, empatou cinco e perdeu quatro. Desde que assumiu o cargo de treinador do Sporting Clube de Portugal a situação é bastante semelhante – 63% de vitórias fora de casa contra apenas 56% em jogos disputados em Alvalade. Se tivermos em conta que a equipa do Sporting já jogou fora contra equipas como o Benfica, Guimarães e Nacional, esta estatística ganha ainda mais força. Na minha opinião, uma das razões para tal insucesso a jogar em casa prende-se com a posição número 8.

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Marco Silva entende que o jogador que atuar na posição 8 deve ser o patrão do meio campo leonino; pretende que este seja capaz de executar constantemente passes de rotura, aquilo a que na gíria futebolística se costuma apelidar de Maestro. Não querendo, de todo, diminuir Adrien Silva, penso que não possui tais características. Vejo o internacional português muito mais como um médio de transição, o chamado box-to-box.

Como consequência, a equipa de Alvalade, principalmente em casa, torna-se, por vezes, bastante previsível no seu processo ofensivo. O treinador do Sporting, numa tentativa de resolver o problema, apresentou algumas soluções que, na minha opinião, nem sempre foram as melhores. A solução não passa por retirar jogador A para colocar jogador B, mas sim pela envolvência, sobretudo na fase de construção inicial, dos três jogadores do meio campo leonino. Quando tal acontece, a produtividade do setor intermédio do Sporting sobe significativamente.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal