No curso normal da vida de cada um, perduram incompreensões, coisas, factos ou acontecimentos de que nunca descortinamos a razão, o âmago da questão que nos assola. E, viver a vida com esse fardo, é tudo menos agradável. Arrisco-me a dizer inquietante, como um simplório inseto que insiste (e resiste) às nossas pancadas e que volta, uma e outra vez, a causar a sensação de transtorno. Ou como a presença da torrente proteica e lipídica através da qual, as mães, saturam as suas crias aquando de uma evasão caseira, mesmo que por um único dia. (Elas ainda argumentam, mas continuo envolto no meu ceticismo…)

Todo este exórdio em tons de crónica social para esclarecer, o que quer que a palavra signifique neste caso, a eternização de Matheus Pereira. Sim, o leitor leu bem. Nos anos sob a alçada do Crucificado, as primeiras aparições conservaram “charcos” de saliva na boca dos sportinguistas e, apesar de não dispor de qualidade nem maturidade suficientes, alicerçou-se a esperança. Contudo, até hoje, a promessa permanece hirta, intacta. Os irracionais mais crentes (paradoxo?) chegaram a pensar que o desenlace do embrulho se poderia efetuar na época natalícia, mas nem aí…

O jovem extremo ainda procura o seu espaço no Sporting CP
Fonte: FC Nurnberg

As pré-épocas sinalizavam escaladas e, tal como no início, prometiam mundos e fundos. Contudo, chegada a hora da verdade e onde só os mais audazes vingavam, recaía sobre ele o quebranto. A ideia que trespassa é a de que reúne todas as agonias possíveis no corpo. Aquele pé esquerdo enérgico, o drible curto e o ritmo de quem pretende colocar o adversário a sambar. Nunca tal contemplamos e o mais próximo que estivemos de o fazer surgiu aquando da sua cedência ao GD Chaves… Atrofia muscular, birra ou algo no qual o fundamento é inatingível?

“Matheus Pereira não quebrou o enguiço com Jorge Jesus, mas com Peseiro será diferente pelo facto de ser um treinador propulsor de jovens”, balela! O vigor foi esbanjado na pré-época novamente; “um segundo empréstimo trará nova alma ao jogador”, infâmia! Ao serviço do Nuremberga, no cômputo da performance individual, não foi Matheus Pereira. Atuar no estrangeiro, na querela que classifica o campeonato alemão, constitui um entrave, efetivamente. Porém, ciente das suas capacidades, tal facto não estimulava a tormenta.

Marcel Keizer parece ter seguido as pegadas dos seus antecessores. Aqui jaz a impaciência! O extremo leonino não cumpre os requisitos, é demasiado bom para agarrar a titularidade ou algo que, reiterando, ainda ninguém foi capaz de destrinçar? Tenho um palpite: considero que o trauma o circunscreveu. Matheus é aquele miúdo que promete o ato heroico na peleja, durante o intervalo, quando ainda está na sala de aula. Do género “lá fora falamos”. Espero o diálogo ansiosamente…

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

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