Fim de semana trágico para Tondela e para mais de seis milhões que já se preparavam para bombardear a internet com posts e divulgações cómicas à perda de pontos dos leões. Coates cilindrou a baliza de Cláudio Ramos (bonito nome) e provocou a azia total no universo dos paineleiros. Mas afinal quem são os eles?

São, nomeadamente, pessoas que foram colocadas nos sítios certos para propagar a mensagem do líder, ou seja, é como “prestar” serviços para uma empresa de alto gabarito mas ser pago por uma empresa de outsourcing. A comunicação social é a maior fonte dos paineleiros, seguindo-se dirigentes, comentadores e, algumas vezes, equipas técnicas para ceder ao líder e complicar os rivais. Mais depressa o presidente do Tondela conseguiu arranjar uma foto em tamanho poster, a altas horas da noite e naquela região, do que os seus jogadores conseguiram fazer mais de oito faltas, durante noventa minutos, no jogo frente aos campeões nacionais. De facilitismo em facilitismo, assim se governam os paineleiros.

Coates deu, novamente, a vitória no último momento da partida
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Para uns roem as solas do sapato e comem a relva como se não houvesse amanhã, para outros, estenderam uma passadeira vermelha como tem sido um habitué nestes encontros. Não acredito em actos premeditados, confio em gente séria e creio que Pepa já demonstrou ser sério, mas, ao mesmo tempo, também já demonstrou não conseguir motivar a sua equipa para determinados encontros.

Pela primeira vez (penso eu), concordo com o discurso de Jorge Jesus. Na conferência de imprensa, o treinador leonino meteu o dedo na ferida apontando, mais uma vez, a falta de credibilidade em volta, não só deste assunto, mas como em todos os temas em que envolvem a instituição verde e branca. Do seu discurso retiro apenas algumas frases que colocam em sentido quem critica e quem faz juízos de valor sem esquecer que tem telhados de vidro:

Anúncio Publicitário

“O Tondela não se pode queixar do árbitro, pode sim queixar-se de não ter conseguido segurar o resultado. Mas isso já me aconteceu a mim…”
“Quando o jogador do Tondela está no chão, ouvi no banco – todos ouviram! – o árbitro dizer que ia dar mais três minutos”
“Tondela fez 24 faltas, veio aqui um rival e fez sete. Sete não, fez oito”

JJ esteve acertado na conferência de imprensa
Fonte: Sporting CP

Por falar em telhados de vidro, os minutos a mais da compensação jogados em Belém para o empate do SL Benfica foram esquecidos, bem como, os minutos extra compensação em Moreira de Cónegos foram ignorados no empate do FC Porto. Porque teriam ou terão, de ser sempre os mesmos a ser beneficiados? Porque não se aplaude esta medida para terminar com o antijogo? Será que definitivamente não podemos defender uma forma de anular algo que traz vermes cínicos à qualidade do nosso futebol? A resposta será sempre não!

Enquanto houver paineleiros não haverá equilíbrio e tudo continuará desequilibrado porque, como referido anteriormente por um presidente que já roubou um camião, não é preciso muito investimento, é só preciso ter as pessoas certas, nos lugares certos. O resto será sempre uma utopia, não que concorde com a menção de censura de Bruno de Carvalho, mas concordo que o respeito tem de ser mútuo e o que é ilegal para uns tem de ter o mesmo impacto quando é ilegal para os outros. Não podemos continuar a fingir que os paineleiros são um mito, porque o futebol não se esquece da era da fruta nem, muito menos, dos emails e dos vouchers de outros tempos.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

Comentários