Costuma-se dizer que a primeira impressão é a que prevalece, mas será que devemos julgar um jogador pela capa? Andraz Šporar, 26 anos, ponta de lança, foi o mais recente reforço a chegar a Alvalade. Proveniente do Slovan Bratislava, deixou a equipa eslovaca com um registo bastante interessante de 60 golos em 78 jogos, num negócio a rondar os seis milhões de euros.

Custa-me bastante entender a contratação tardia de Šporar e não posso deixar de explicar o porquê se não recuar até Bas Dost. No verão de 2019, o Sporting CP decide vender mediocremente um dos maiores goleadores da sua história e prepara-se para atacar o campeonato apenas com um avançado de raiz, Luiz Phellype.

A única solução direta disponível nas camadas da formação era Pedro Mendes e nem para inscrevê-lo houve astucia e inteligência. Estou longe de acreditar que o jovem leão poderia resolver os nossos problemas, mas era obrigatório a sua inscrição na liga, tendo em conta a falta de alternativas. Não foi necessário muito tempo para perceber que tinha sido um erro crasso vender o avançado holandês.

Em Janeiro, chega então Šporar com o galhardete de melhor marcador da Liga Europa até àquela data, incluso já tinha marcado ao SC Braga na fase de grupos dessa competição. Ainda com Silas no comando técnico da equipa, fez a sua estreia contra o Marítimo em Alvalade. Embora não tenha marcado na sua noite de estreia, ficou a boa impressão das qualidades que possui.

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Admito que fiquei bastante surpreendido com Šporar pela capacidade que tem em mover-se e desmarcar-se rapidamente, jogando quase sempre no limite do fora de jogo (não me recordo do último avanço com características móveis que tenha deixado saudades, talvez o “levezinho”). Desde que chegou a Alvalade conta com três golos em nove jogos, registo pouco vistoso mas é importante não esquecer o contexto atual do clube.

Cada vez mais ligado à equipa
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Deixou água na boca quando se estreou a marcar frente aos turcos do Basaksehir com uma bela execução de primeira, após desmarcação entre os centrais. Tomou gosto ao pé no jogo seguinte contra o Boavista, voltando a fazer balançar as redes. Na memória ficou também o jogo em Famalicão, com uma clara oportunidade desperdiçada à boca da baliza (detalhes que fazem a diferença e resolvem um jogo).

O ponta de lança esloveno voltou a sorrir na estreia de Rúben Amorim, finalizando de cabeça num gesto técnico de grande qualidade. Estou expectante relativamente a este reforço e creio que tem mais para além das competências técnicas. Acredito que o sangue frio de leste seja sinónimo de esforço, dedicação e trabalho e isso fará com que esteja mais próximo de ouvir o seu nome cantado na bancada verde e branca.

As suas qualidades parecem-me evidentes, a qualidade está lá. A pressa nunca pode ser inimiga da perfeição, sem esquecer a exigência de um clube como o Sporting Clube de Portugal. A falta de estabilidade não ajuda e a realidade está longe de ser brilhante, qualquer jogador sentiria dificuldades por mais qualidade que tivesse. Chegou com seis meses de atraso, mas ainda vai a tempo de dar as alegrias que merecemos.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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