Pois é, o Sporting CP foi campeão após dezanove anos de jejum. E claro que não podiam faltar as habituais piadas rivais sobre o pó das camisolas, o local onde habitualmente se juntam os adeptos para festejar, e outras mais. E todas elas tinham em comum a falta de originalidade e objectividade.

É o que dá fazer as coisas à pressa, ou sem pensar. À pressa só porque como qualquer bom português deixaram tudo para a última, ou simplesmente porque quiseram acreditar muito que se iria revelar um qualquer milagre, dos muito comuns no futebol nacional, que pudesse ainda tirar o título ao Sporting CP. Pode ter também sido sem pensar, mas se calhar essa é uma capacidade que não lhes foi dada, até porque tiveram dezanove anos para o fazer.

A verdade é que, como bons samaritanos, tentaram ajudar os sportinguistas, relembrando que, se queriam fazer compras para comemorar, não se deviam esquecer que desde o último festejo de um campeonato a unidade monetária já tinha mudado. Ora, como depressa e bem não há quem, esqueceram-se que o Sporting CP já havia festejado em 2002, quando já circulava o Euro como meio de pagamento.

Paulinho assinalou o golo que deu o título ao Sporting CP
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Outra muito usada, que começou ainda antes de nos termos efectivamente tornado campeões, foi a poeira que andava no ar, fruto das camisolas e cachecóis verdes e brancos que começavam a sair das gavetas, depois de muitos anos esquecidos e guardados. Mas neste caso até entendo que, não sendo eles sportinguistas, não poderiam perceber algumas coisas que passo a explicar.

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Se um sportinguista seguisse o seu clube ou fosse fiel ao mesmo apenas pelos resultados do futebol, não seriamos ainda um dos clubes com maior e mais dedicada massa adepta. Porque eles não entendem que o Sporting CP tem na sua génese o ecletismo que qualquer entidade desportiva deve ter, e por isso tem motivos para festejar todos os anos, em vários momentos da época desportiva.

O Sporting CP, mesmo estando dezanove anos sem festejar um título, teve sempre o estádio praticamente lotado com quem lá se deslocava, devidamente apetrechado com a sua verde e branca listada, sem esquecer o cachecol para poder levantar quando toca o “Mundo sabe que…”. Até porque não somos dos que queima o cartão depois de qualquer dificuldade que surja.

E se temos esse compromisso com uma modalidade que ganha pouco ou nada, o que dizer das que nos dão constantemente títulos nacionais e internacionais? Quais? Pois, eu sei que só se lembram que há mais para além do futebol quando outra modalidade do vosso clube lá consegue ganhar algo no Andebol (uma cena que se joga com as mãos – uma coisa parecida com Basquetebol, mas sem cesto e com baliza. Não sabem o que é Basquetebol? Então esqueçam), Atletismo, Futsal, Hóquei em Patins, etc… (Não vos vou explicar o que é cada uma delas.)

📸 As imagens da festa dos Leões do #BasquetebolSCP 🏆

A história ficou 𝓮𝓼𝓬𝓻𝓲𝓽𝓪… ✍️ pic.twitter.com/losTmCD92M

— Sporting CP – Modalidades (@SCPModalidades) June 3, 2021

É que nós não nos esquecemos delas, até porque, mesmo que quiséssemos, elas não deixavam. Fazem questão de nos fazer festejar todos os anos, em todos os pavilhões do país e da Europa, vários títulos. Se calhar, o Sporting CP até já festejou no vosso.

Enchemos pavilhões, principalmente o nosso, e pistas de tartã ou de terra batida, a apoiar todas as nossas modalidades, ditas amadoras, sempre sem descurar a apresentação cuidada, exibindo as nossas belas vestes verdes e brancas.

Por tudo isto, e muito mais, as camisolas dos sportinguistas não têm tempo para ganhar pó, porque nós temos muito a festejar para além do dito desporto rei.

Rei apenas o Leão.

Vocês sabem lá…

 

Artigo revisto por Joana Mendes

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