Quem segue os meus artigos de opinião sabe que sempre defendi que Bruno de Carvalho nunca seria condenado. Eu não percebo nada de Direito de qualquer tipo (talvez perceba só um pouquito), e muito menos de ciências da adivinhação, mas sei perfeitamente como funcionam os poderes neste retângulo à beira mar plantado.

Também sei que, quando alguém aparece e coloca em causa o poder e influência instalados, a primeira coisa a fazer é desacreditá-lo. E só depois dele estar bem debilitado então pode-se “assassiná-lo” sem que alguém se preocupe muito ou levante ondas. Afinal “era só um vagabundo, um drogado, um ladrão.”

Ora, e falando apenas de quem pertenceu a postos directivos dentro do clube, em poucas horas conseguiu inventar-se um caso “Cashball” e um caso Alcochete para fazer cair os que eram naquele momento os dois homens fortes do Sporting CP: Bruno de Carvalho e André Geraldes.

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E veja-se bem, num país em que há casos como “Apitos Dourados” com escutas ou casos de e-mails a provar que existiu efectivamente corrupção, não servindo em nenhum dos casos para sequer acusar alguém, quanto mais destituir ou prender, aparecem dois casos no Sporting CP, nos quais não surge uma única prova direta e inequívoca que se pudesse imputar a nenhum dos dois dirigentes leoninos e que resultariam imediatamente em prisão para ambos.

E para que serviu a prisão de André Geraldes? Para mais nada senão enfraquecer Bruno de Carvalho e tentar que ele pudesse, de alguma forma, incriminar o “chefe”. Já Bruno de Carvalho, foi preso como mais um passo no processo de descredibilização e assassínio político.

Com tudo isto, e com tudo o que se imputou em praça pública ao ex-presidente do Sporting CP, o que ganhou ele? Fraco ladrão ele me saiu e mais ainda se comparado com o nível de ladroagem que se conhece nos vários quadrantes da vida empresarial em Portugal.

Mas então alguém ganhou com o caso Alcochete e “Cashball”? Bem, no caso “Cashball” ganharam os adversários mais diretos que já quase nem uma tacinha conseguiam ganhar (e está agora a resultar no desinvestimento nas modalidades). Já o caso Alcochete permitiu a ascensão de algumas pessoas que estavam na sombra. Ou acham normal que, um médico do clube, que nunca tinha tido qualquer intervenção diretiva ou politica, sem qualquer apoio aparente, apareça poucos dias após o caso Alcochete como candidato a umas eleições que ainda nem se sabia que iriam existir, e que foram só depois engendradas pelo bombeiro e outros (porque o bombeiro não sabia o que andava a fazer, uma vez que andava apenas a fazer o que lhe mandavam).

A CMTV não foi a maior culpada do que se passou. Serviu apenas de influenciadora da opinião pública para que os verdadeiros culpados tivessem via aberta para consolidar e finalizar o golpe.

Bem, a verdade é que o Sporting CP não ganhou grande coisa com a destituição da anterior direção e a eleição da atual. Claro que vão dizer que o Sporting CP está como está por culpa de Bruno de Carvalho, mas como não somos todos crianças e conseguimos perceber o trabalho que Bruno de Carvalho conseguiu fazer para salvar o clube numa época muito difícil da sua existência e conhecendo a capacidade do atual presidente, facilmente perceberemos quem tem o seu mérito. Bruno de Carvalho errou? Claro, mas não fez algo que justificasse todos os castigos que lhe foram infligidos. Se assim fosse, nenhum outro presidente poderia hoje ser sócio do clube, no mínimo.

E agora uma pergunta para os apoiantes de Varandas. O que raio foi fazer o presidente do Sporting CP, cujos olhos são tão marcantes que até os utentes do hospital das forças armadas, mesmo gazeados, o conseguiam conhecer (mesmo com a máscara), àquela entrevista na SIC? Ah já sei, foi para percebermos que ele tem bom gosto em decoração de interiores. E cortar o cabelo no barbeiro do hospital. Para isto podia ter usado o canal do clube (não para cortar o cabelo, se bem que daqui a pouco já nem para isso servirá a Sporting TV). Para que serviu? Que informação relevante saiu dali? Pelo menos já aprendeu com outros dirigentes a tentar mostrar o seu lado estadista.

Para se perceber a abrangência do golpe, só no Sporting CP os jogadores se poderiam associar a um golpe de estado para derrubar um presidente. Já não é de hoje. Há muitas décadas que temos, principalmente os jogadores que saem da formação e chegam à equipa principal, a pressionar presidentes para saírem, fazendo birras, enviando mensagens para jornais, e o diabo a quatro. Eles pensam que mandam no clube, secalhar mandam, a ver pelo que se passou.

Desde o início que se percebia que todas as acusações não serviriam para mais nada do que servir os interesses de quem lá está agora. E não falo só da direção, mas de todas as esferas de influência que voltaram a frequentar os corredores de Alvalade. E eles sabiam que não iriam conseguir incriminar Bruno de Carvalho, mas não era isso que eles queriam. O que eles queriam, conseguiram. Agora é esperar para ver até quando aguenta o Sporting CP.

Muitos dirão, “lá vem este malhar no mesmo”, “isto já é só chover no molhado”, mas para eu chegar ao nível de repetição que alguns órgãos de comunicação tiveram para dar força à culpabilização de Bruno de Carvalho, eu teria de escrever ainda durante muitos anos sobre este tema. Eles deviam era agora dar o mesmo tempo de antena a explicar porque razão o “pior cancro” do futebol português não vai ser incriminado. Isso já não interessa, porque quem tinha de comer a palha já encheu o bucho e muitos continuam a alimentar-se desse fardo. Não vale a pena contrariar. O que interessa é que fique aquele eco “O Bruno é culpado” em muitas cabeças vazias.

A culpa é do Bruno. Herança pesada.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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