A época 2019/2020 chegou oficialmente ao fim após a entrega da Taça de Portugal ao FC Porto. Tudo correu demasiado mal na primeira e única época dirigida exclusivamente por Frederico Varandas. “Futebol, fácil…”. Esta foi sem dúvida a pior época do Sporting CP de que tenho memória: uma época repugnante, repulsiva, asquerosa, indigna para o emblema do Sporting CP e para os valores que representa. Digo “pior” (não esquecendo a época do malogrado 7.º lugar) tendo em consideração as consequências que ainda estão para vir de um planeamento desportivo que nunca existiu e de uma gestão delinquente (para não dizer criminosa) do Clube.

A par do horrendo resultado desportivo, o Sporting CP foi também vítima de um clima de fracturação e discórdia, muito alimentado pela actual Direcção. Viveram-se situações que são inadmissíveis num clube da dimensão do Sporting CP, como a de sócios e adeptos leoninos serem obrigados a tirar os sapatos antes de entrarem no estádio.

Fomos alvo de achincalhamento por parte de sujeitos que sempre se colocaram em “biquinhos” de pés diante do Sporting CP, tais como o presidente do Braga, que, mal garantiu o seu preciosíssimo terceiro lugar, não esperou em vociferar palavras de soberba e ódio ao Sporting CP, agradecendo ao “nosso” treinador pela conquista da Taça da Liga e pelo excelente percurso no campeonato. Um Clube como o Sporting CP liderado por gente séria e competente jamais daria azo a que um presidente de um clube pequeno gozasse desta maneira.

O responsável por toda esta miséria não pode deixar de ser Frederico Varandas e a sua entourage que gere o futebol profissional do Sporting CP. Na entrevista travestida “dada” ao Jornal Record, Varandas desculpou-se com os chavões habituais: Alcochete, Pandemia e “herança pesada”. O que não deixa de ser curioso, se compararmos este discurso com o de auto-glorificação de Varandas aquando do final da época de 2018/2019.

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O surgimento da pandemia com o regresso do Capitão Varandas ao Exército veio amenizar a contestação em torno da Direcção e deu-lhe alguma trégua ao ponto de até ter andado desaparecido. Todavia, convém contextualizar a época do Sporting CP em factos concretos e objectivos, que é para não sermos acusados de brunismo, como tem vindo a tornar-se um hábito:

  • Pior pré-época desde 1967, com 0 vitórias, 3 empates e 3 derrotas;
  • Derrota contra o adversário de escalão mais baixo na história do Sporting CP (FC Rapperswill-Jona);
  • Maior derrota da história do Sporting CP numa final (Supertaça);
  • A pior série de jogos sem ganhar de toda a história do clube (11 jogos);
  • Pela primeira vez na sua história, o Sporting CP sofreu três derrotas consecutivas em casa;
  • Após onze anos de jejum, o FC Porto voltou a vencer em Alvalade;
  • Eliminação da Taça de Portugal por uma equipa do terceiro escalão na 3.ª eliminatória;
  • Eliminação da Liga Europa depois de uma vitória na 1.ª mão em casa por 3-1;
  • Uma época com quatro treinadores, um dos quais Leonel Pontes, e não se conseguiu qualquer vitória;
  • O Sporting CP terminou o campeonato a 22 pontos do primeiro lugar, o segundo pior registo da história;
  • Maior número de derrotas numa época da história do Sporting CP (17);
  • O melhor marcador da equipa na Liga – Bruno Fernandes – saiu no mercado de Inverno e só jogou metade do campeonato, algo que também é inédito;
  • Derrota em todos os confrontos contra os outros dois grandes do futebol português, algo que nunca tinha acontecido na história do Sporting CP.
Após o vexame da Supertaça, Frederico Varandas “não estava preocupado”
Fonte: Sporting CP

Nem se ouse dizer que foi o dinheiro ou a falta de dinheiro que ditaram o desastre que foi esta época. Apesar da “herança pesada” de que Frederico Varandas tanto invoca como causa de todos os males, o certo é que o Sporting CP orçamentou só para a época transacta cerca de 70 milhões de euros, que terão sido “corrigidos” após o despedimento de Marcel Keizer para se contratar Silas, que, por sua vez, foi despedido para se dar dez milhões de euros por Rúben Amorim.

Com efeito, tudo leva a crer que dinheiro não era um problema para o Sporting CP. Varandas até se deu ao luxo de fazer a terceira contratação mais cara do futebol mundial de um treinador que nem sequer tem essa qualificação. Mais não foi do que um acto irresponsável e de desespero de quem vai sobrevivendo mal no poder com uns balões de oxigénio, e que, durante pouco tempo, serviu para atirar areia para os olhos aos que bateram palminhas a esta contratação. Para cúmulo dos cúmulos, o mesmo treinador não evitou que o Sporting CP acabasse atrás do seu antigo clube.

Vejamos então quais foram as contratações da Administração Varandas para a equipa principal do Sporting CP até ao momento: Idrissa Doumbia, Borja, Tiago Ilori, Luiz Phellype, Gonzalo Plata, Luciano Vietto, Camacho, Valentin Rosier, Eduardo Henrique, Luís Neto, Jesé, Bolasie, Fernando e Sporar. Com a excepção de Vietto, que só muito dificilmente não sobressairia num plantel de baixa qualidade como o do Sporting CP, nenhum dos restantes nomes logrou convencer os sócios e os adeptos sportinguistas. Será isto normal? E será isto admissível e consentâneo com saídas ao de jogadores fulcrais como Bas Dost, Nani, Raphinha, Bruno Fernandes ou Fredy Montero?

Mais, e ainda a propósito do actual treinador do Sporting CP, Varandas fez apregoar que Amorim traria uma revolução a Alvalade que passaria pelo lançamento na equipa principal dos jovens talentos da Academia. Enfim, um discurso de charme para cativar todos os adeptos que queriam ver mais “miúdos” a jogar na equipa principal. É bom recordar que, durante a campanha eleitoral, era apanágio de Varandas o célebre chavão da aposta na formação. E também é bom recordar que Varandas afirmou que Keizer era o homem indicado para este seu projecto. O que é que mudou entretanto para só agora ser possível a aposta nos mais jovens?

Não esqueçamos que foi o próprio Varandas, muito preocupado com os próprios colchões da Academia, que contratou os jogadores acima identificados e que os mesmos impediram que os jovens da formação tivessem oportunidades na equipa principal.

Foi preciso que estes jogadores pagos a peso de ouro apresentassem rendimentos muito abaixo do mínimo exigido para Varandas concluir que os jovens formados em Alcochete são o futuro do futebol leonino? Tudo isto soa a incompetência, a desonestidade intelectual e a incoerência.

Na verdade, isto chama-se gestão danosa e gozar com a cara dos verdadeiros Sportinguistas que vivem este Clube. E como já tem sido dito em vários “lugares”, engane-se quem disse que o Sporting CP é eterno, pois não o é. Não é apenas o futuro próximo que preocupa, mas também tudo leva a crer que a vida do Sporting CP poderá vir a ser hipotecada a longo prazo.

Foto de Capa: Candidatura “Unir o Sporting”

Artigo revisto

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