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Chegado o momento mais importante antes das eleições do próximo mês, todos os Sportinguistas tiveram a oportunidade de assistir ao primeiro e único debate entre os candidatos à Presidência do clube. Com duas listas na disputa, o duelo parece ter condescendido às regras clássicas, começando cortês e elevando-se aos poucos, no ritmo e no tom, ao longo do tempo do debate.
Enquanto, num dos lados, Pedro Madeira Rodrigues marcava a sua estreia, Bruno de Carvalho, no outro, entrou no confronto oratório depois de liderar o Sporting durante os últimos quatro anos. As cartas de cada um eram, portanto, muito diferentes. As intenções também. Dependentes da fluência dos temas, a estilística acabou por ser determinante em vários momentos, e apesa
r de toda a subjectividade inerente a estes duelos cordiais – em que nenhum dos intervenientes desiste -, não será impossível identificar um vencedor da troca de argumentário. Talvez por esta estreia o obrigar a remodelar a postura na explicitação de ideias, existia alguma especial atenção virada para Madeira Rodrigues, que começou o debate reafirmando uma das suas armas mais recorrentes: a confiança que sente por parte dos Sportinguistas com que vai falando. Sinteticamente, e avaliando para tudo aquilo que já não pertencia ao patamar da novidade, Madeira Rodrigues começou bem, respondendo a Bruno de Carvalho na primeira ronda, expondo aquilo que iria ser introduzido na estrutura leonina. Enquanto o atual Presidente prometia a continuação do trabalho desenvolvido, o candidato adversário apontava o futuro para o caminho oposto. Até aqui nada de novo.

Fonte: Montagem BnR
Foi, porém, ultrapassada a fase preliminar do debate, que os esclarecimentos surgiram, ora evidenciando fraquezas, ora enaltecendo a posse da razão. E podemos ir direitos ao assunto: Bruno de Carvalho venceu este debate, e a vitória justifica-se com gestos tão elementares da retórica, onde o desmembramento dos argumentos do adversário foi fulcral. Repare-se: num determinando momento do debate, ainda inicial, constatou-se que Madeira Rodrigues começou a preferir atacar Bruno de Carvalho com, por exemplo, as saídas de alguns elementos da estrutura do Sporting. Contudo, a justificação do Presidente do Sporting foi muito, mas muito mesmo, mais eficaz do que a indirecta acusação do adversário. Por seu turno, e continuando na avaliação estratégica, podemos dizer que Bruno de Carvalho deu licença ao outro candidato para tomar as rédeas da condução da conversa. Apesar da moderação, as ideias soltas que iam surgindo foram, tanta vez, os motes para respostas que ficavam pendentes. E, neste capítulo, Madeira Rodrigues também perdeu, viabilizando a abordagem de temas exteriores ao clube, e para os quais não conseguiu assegurar o domínio. Em paralelo, mesmo parecendo paradoxal, foi o candidato que tinha menos a provar quem mais se preocupou com a elucidação dos Sportinguistas, tanto com iniciativas preparadas para a oratória – exemplificadas por esclarecimentos financeiros -, como com respostas aos projectos de Madeira Rodrigues – como ilustra o Dossiê das obras do Estádio de Alvalade.
Houve, claramente, uma fraqueza constante em Madeira Rodrigues: a incapacidade de revelar algo de novo, que se conjugou com a igual ineficácia de explicitação de modelos de execução nas demais áreas. E erros como este reflectem-se com facilidade, tendo Bruno de Carvalho aproveitado algumas vezes para ditar sentenças durante o confronto, sugerindo a Madeira Rodrigues que se centrasse na explicação de ideias, o que acabou por não conseguir concretizar. Todavia, digamos que havia espaço de manobra para o antigo gestor. Poderia ter abrilhantado a sua prestação caso tivesse sido mais audaz em alguns temas. O processo de despedimento de Jorge Jesus não poderia ter sido comentado como foi, tal como não poderia ter deixado escapar a oportunidade de desvendar o nome do Treinador quando todos os Sportinguistas o estavam a ouvir. Por opção estratégica ou não, a verdade é que estes poderiam ser trunfos de peso cuja ausência retirou densidade ao posicionamento do candidato. As temáticas mais relevantes foram abordadas. Desde as finanças até ao plantel, passando pela Formação e pelo trabalho nas modalidades, os oradores tiveram a hipótese de desenvolver pontos de vista visando a captação de votos. Gabe-se o jeito democrático que caracterizou a sessão.

Fonte: Sporting CP
Ainda assim, e considerando o conhecimento genérico que possuímos de cada um dos candidatos, só um elevado grau de ingenuidade nos permitiria duvidar de que Bruno de Carvalho deixaria de evidenciar a sua superioridade. E aqui não estamos a debater a qualidade de projectos ou de equipas, mas sim a constatar naturezas. E a Natureza do actual Presidente do Sporting coincide com os momentos em que é preciso secundarizar o argumento adversário. Não deixou escapar nenhum pormenor, soube ser sagaz quando necessário e, mais importante, ser conveniente quando não era possível ser outra coisa. Foi, como se diz na gíria, um Knockout exímio, que veio abrir ainda mais as portas de um segundo mandato que só precisa de uma taça para ser perfeito.
Foto de capa: Facebook da Sporting TV









