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Chegado o momento mais importante antes das eleições do próximo mês, todos os Sportinguistas tiveram a oportunidade de assistir ao primeiro e único debate entre os candidatos à Presidência do clube. Com duas listas na disputa, o duelo parece ter condescendido às regras clássicas, começando cortês e elevando-se aos poucos, no ritmo e no tom, ao longo do tempo do debate.

Enquanto, num dos lados, Pedro Madeira Rodrigues marcava a sua estreia, Bruno de Carvalho, no outro, entrou no confronto oratório depois de liderar o Sporting durante os últimos quatro anos. As cartas de cada um eram, portanto, muito diferentes. As intenções também. Dependentes da fluência dos temas, a estilística acabou por ser determinante em vários momentos, e apesa

r de toda a subjectividade inerente a estes duelos cordiais – em que nenhum dos intervenientes desiste -, não será impossível identificar um vencedor da troca de argumentário. Talvez por esta estreia o obrigar a remodelar a postura na explicitação de ideias, existia alguma especial atenção virada para Madeira Rodrigues, que começou o debate reafirmando uma das suas armas mais recorrentes: a confiança que sente por parte dos Sportinguistas com que vai falando. Sinteticamente, e avaliando para tudo aquilo que já não pertencia ao patamar da novidade, Madeira Rodrigues começou bem, respondendo a Bruno de Carvalho na primeira ronda, expondo aquilo que iria ser introduzido na estrutura leonina. Enquanto o atual Presidente prometia a continuação do trabalho desenvolvido, o candidato adversário apontava o futuro para o caminho oposto. Até aqui nada de novo.

Decorreu o único debate antes das eleições de 4 de março Fonte: Montagem BnR
Decorreu o único debate antes das eleições de 4 de março
Fonte: Montagem BnR

Foi, porém, ultrapassada a fase preliminar do debate, que os esclarecimentos surgiram, ora evidenciando fraquezas, ora enaltecendo a posse da razão. E podemos ir direitos ao assunto: Bruno de Carvalho venceu este debate, e a vitória justifica-se com gestos tão elementares da retórica, onde o desmembramento dos argumentos do adversário foi fulcral. Repare-se: num determinando momento do debate, ainda inicial, constatou-se que Madeira Rodrigues começou a preferir atacar Bruno de Carvalho com, por exemplo, as saídas de alguns elementos da estrutura do Sporting. Contudo, a justificação do Presidente do Sporting foi muito, mas muito mesmo, mais eficaz do que a indirecta acusação do adversário. Por seu turno, e continuando na avaliação estratégica, podemos dizer que Bruno de Carvalho deu licença ao outro candidato para tomar as rédeas da condução da conversa. Apesar da moderação, as ideias soltas que iam surgindo foram, tanta vez, os motes para respostas que ficavam pendentes. E, neste capítulo, Madeira Rodrigues também perdeu, viabilizando a abordagem de temas exteriores ao clube, e para os quais não conseguiu assegurar o domínio. Em paralelo, mesmo parecendo paradoxal, foi o candidato que tinha menos a provar quem mais se preocupou com a elucidação dos Sportinguistas, tanto com iniciativas preparadas para a oratória – exemplificadas por esclarecimentos financeiros -, como com respostas aos projectos de Madeira Rodrigues – como ilustra o Dossiê das obras do Estádio de Alvalade.

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