“São os mordomos do universo todo; Senhores à força, mandadores sem lei”.

Mais de meio século passou e, no nosso Portugal, ainda há letras que carregam em si um sentido muito semelhante ao de então. Não quero comparar os tempos de hoje aos da ditadura de António de Oliveira Salazar ou Marcello Caetano, mas a verdade é que o poder, neste pequeno solarengo país, continua nas mãos obscuras de poucos, poucos esses que têm a capacidade de manter boa imprensa e quem lhes faça uma entrevista politicamente correta.

Deixando a política de lado e entrando no mundo do futebol, as imortais palavras de Zeca Afonso não perdem qualquer verdade e aplicam-se a muitos dos clubes da Primeira Liga. Apesar de sentir que há claras semelhanças entre rivais, irei-me centrar no “meu” Sporting. Escrevo “meu” porque sinto que do clube que o meu pai me fez amar já pouco resta, que aquela paixão de infância e amor de adolescência está a esfumar-se em algo que roça a indiferença e, como escrevi no passado, a minha donzela pertence agora a outros que “vieram em bando, com pés de veludo”.

Para além de chupar o sangue fresco, estes vampiros fazem entrevistas onde tentam enganar com o ar sisudo, quando nas palavras sentimos a mão cheia de nada. Nem falo da questão de encenar uma entrevista porque, a meu ver, tudo se prende com a questão da sala onde foi realizada a mesma ser espelhada e, como tal, não ter sido possível ver o vampiro em questão.

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A este “mandador sem lei”, algumas questões ficaram por explicar, daquelas que apenas os intelectualmente desonestos se iriam lembrar como, por exemplo, como é que com tanta herança pesada anterior se dá ao luxo de “pagar” um técnico sem curso e, sendo uma cláusula de rescisão, como é possível não ter pago na hora.

Para além desta questão, deveria ter sido questionado a época falhada após a “melhor época” das últimas décadas, onde venceu a Taça da Liga e a Taça de Portugal. Tendo sido esta uma conquista que o próprio puxou a si como uma conquista sua, como é possível justificar a seguinte como culpa de terceiros e do passado? Assim sendo, será que as duas conquistas não têm também mérito nessa mesma herança? Para além disto, de quem é a culpa das três contratações feitas no último dia de mercado que, no final de contas, apenas deram prejuízo ao clube?

tema interessante para a entrevista seria a questão dos sócios e o porquê de, se foram batidos recordes, o mesmo período ter sido estendido por semanas.
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Outro tema interessante para a entrevista seria a questão dos sócios e o porquê de, se foram batidos recordes na regularização das quotas, o mesmo período ter sido estendido por semanas, numa clara tentativa de chegar a objetivos e a um retorno financeiro válido.

Por falar em finanças, aproveitaria também para indagar sobre o aumento para perto de 30 milhões das dívidas a empresários, sendo que uma grande parte é à Gestifute. De onde vem esta dívida e qual o motivo para a mesma?

Quase a terminar o capítulo económico, questionava quanto dinheiro sobrava do contrato “pesado” celebrado em 2015 com a NOS e se a saúde financeira do Sporting depende desse mesmo acordo.

Sobre algo mais recente, tal como sangue fresco, gostaria de questionar as palavras de Zé Pedro e as críticas que fez à estrutura leonina sobre o plantel leonino e as dificuldades que era gerir determinados jogadores, feitios e egos.

Estou em crer que assim seria uma entrevista mais interessante, com mais sumo (ou sangue) e que serviria algo mais do que palavras ocas, raciocínio curto e uma tremenda incapacidade para se ver ao espelho… Pudera!

Artigo revisto por Joana Mendes

 

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