Há algumas semanas atrás escrevi neste mesmo espaço que, de repente, a formação do Sporting CP tinha passado do 8 ao 80 num esfregar de olhos, tendo sido necessário apenas um acrescento de condimentos que poderão confirmar no referido artigo.

Mas, segundo parece, neste Sporting CP de Frederico Varandas tudo é feito a uma velocidade estonteante. Velocidade essa que, por vezes, mais parece um passo de magia do que fruto de um trabalho com “cabeça, membros e pernas”.

Há uns dias, o Sporting CP emitiu um comunicado em que referia uma informação que me deixou a duvidar de todo o trabalho e tempo que eram necessários para formar um jogador de futebol. Aliás, fez-me questionar até se valerá a pena ter um investimento tão grande em infraestruturas e corpos técnicos para a vertente formativa, incluindo a qualidade dos colchões em que os nossos jovens atletas descansam.

Então, no comunicado (e o outro é que fazia muitos comunicados), era passada a ideia de que os jogadores de qualidade que estavam agora a aparecer na equipa principal do Sporting CP tinham sido formados em dois anos, curiosamente o mesmo número de anos em que esta direção ocupa o cargo à frente do clube. Isto não deixaria de ser um feito extraordinário se fosse verdade, o que colocaria o nosso clube de novo no topo dos melhores clubes formadores do mundo (será que alguma vez deixámos de ser?), mas também na inovação científica quanto ao desenvolvimento fisionómico do ser humano – ou não tivéssemos um médico como presidente.

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Bem sei que muitos gostam de acreditar que muito do que veio da anterior direção foi mal feito e neste campo pecou apenas em apostar num treinador que é reconhecidamente pouco dado a apostar na formação, mas, por favor, não se aproveitem dessa má vontade para com quem foi demitido para dizer mentiras, achando que toda a gente vai comer e calar. Para piorar, fazem-no em comunicados oficiais do clube. Mais valia fazerem um “post” de Facebook.

formação
Nuno Mendes foi o último jovem da formação a estrear-se na equipa principal
Fonte: Sporting CP

Anteriormente, eu dizia que a formação do Sporting CP tinha passado do 8 ao 80 por obra de um alquimista que de repente transformou tudo em ouro. Mas agora já mais parece um passo de magia em que, juntando um presidente médico, um super-agente, e colchões da mais alta qualidade tecnológica, forma super-jogadores às pazadas em poucos meses.

Escrevo isto depois de um jogo muito bem conseguido da nossa equipa, com um onze recheado de jovens da formação de Alcochete, mas que não estão há apenas dois anos no clube. Já estavam lá quando esta direção chegou, a serem formados, apesar das noites menos bem dormidas. Escrevo isto depois de dois jogadores do Sporting CP estarem nomeados para o prémio “Golden Boy”, apesar de sabermos o que isso vale, a ver por alguns jogadores que o ganharam.

Escrevo isto, porque a qualidade já lá estava, tendo, agora sim, um treinador que não tem receio de apostar neles. (Não foi a direção que apostou neles, senão as dezenas de treinadores que passaram no clube nestes dois anos já teriam apostado em algum deles, que já tinham idade para isso). Escrevo isto, porque, apesar de não gostarem dos antecessores, não pode valer tudo.

Querem que reconheçamos o vosso trabalho, sigam o vosso caminho e valorizem-se fazendo melhor que os outros. Não tentem parecer melhores apenas tentando rebaixar o trabalho dos outros. Porque esse é a forma que os incompetentes encontraram para se promoverem à custa de terceiros.

Dito isto, temos excelentes jovens jogadores. Nunca deixámos de ter. Basta apostar neles. Não apareceram ontem em Alcochete por magia, até porque tentando vender essa ideia é só mais um tiro nos pés, desvalorizando o trabalho que se faz há anos na Academia. Com colchões ou sem eles, sempre teremos qualidade a sair de Alcochete. E o problema é mesmo esse. Essa qualidade vai sair, porque o alquimista já está a tratar disso.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Joana Mendes

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