Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
Muito já se escreveu sobre as declarações de Jorge Jesus no final do último jogo do Sporting. No entanto, e apesar de algumas das coisas que aqui irei referir já terem sido ditas e desmistificadas, ainda quero voltar ao assunto pela importância das mesmas a vários níveis.
O que Jorge Jesus disse no final do jogo sobre João Palhinha pode ter várias interpretações, e todas elas já foram expostas, defendidas, e bem argumentadas. Todas têm verdade nos argumentos utilizados, e só daqui a algum tempo se poderá dizer qual verdade é a verdade. Porque o que disse o treinador do Sporting, devido à sua deficiente comunicação, pode ter várias leituras (se bem que até o melhor comunicador pode ser entendido de várias formas, dependendo de quem o está a ouvir, e com que intenção o ouve) e ele, ao proferi-las, não sabe qual a interpretação que o jogador fará.
Como cada um é como cada qual, uma mensagem pode ser estimulante para uma pessoa, e pode resultar no contrário para outra. Assim, Jorge Jesus, naquele momento só teria que não individualizar, e querendo passar mensagem ao Palhinha (a ele a a toda a equipa, porque na primeira parte não foi só Palhinha que falhou) só teria que o fazer no treino do dia seguinte, ou durante a semana. Ou quando se foi abraçar ao Casillas, teria sido bem mais proveitoso um abraço ao seu jovem jogador que lutou por ele, pelo seu treinador, e pelo seu clube.
A verdade é que o treinador do Sporting não joga com estes floreados e cuidados no que toca a comunicação, pelo que não poderemos esperar mais que isto. Sabemos nós e sabem os responsáveis do clube, que já viram isto acontecer várias vezes. Como ninguém consegue alterar o modus operandi de Jesus, terá de se encontrar uma forma de ir reparando as eventuais fraturas que possam ir surgindo no grupo. E neste caso, eu iria sugerir um psicólogo que acompanhasse a equipa, e desse apoio à equipa técnica, de forma a perceber de que forma cada jogador reage ao facto de alguém colocar em cima das suas costas o resultado de um jogo tão importante para a sua equipa, ou de ver o seu treinador a passar a mensagem de que sem ele (Jesus), aquele jogador não teria a qualidade que tem.
A nossa sorte é que, como se viu, a Academia de Alcochete forma Homens, com valores, com carácter, e que assumem os seus erros e responsabilidades com profissionalismo, como se viu na reação dos nossos jovens ao longo da semana. Com a reação de Palhinha, (seja encomendada ou não, como alguns dirão), apoiado por Gelson, fiquei descansado quanto à inteligência dos mesmos em retirarem o que realmente importava tirar do jogo e da mensagem, conseguindo filtrar todo o ruído que daí surgiu. Também aqui os miúdos mostraram ao treinador que há homens de 20 anos, e crianças birrentas de 50 ou 60 anos. Por isso, e apesar de concordar que não é só com a formação que seremos campeões, estes poderão dar-lhe garantias que outros mais velhos nunca lhe deram. E para desmistificar, Jorge Jesus não pode querer escamotear que, apesar de grande parte da equipa principal ter muitos da formação, três deles já são campeões europeus, e não contando com esses, temos como titulares Gelson Martins, que não compromete, e Semedo, que apesar de ir comprometendo aqui e ali, continua a jogar por teimosia do próprio treinador, quando tem Paulo Oliveira no banco. Depois, ter um banco com jogadores como Francisco Geraldes, Podence, Matheus Pereira não é de menosprezar (até porque pode ser mais uma mensagem perigosa para desmotivar, e espero que não seja esse o intuito do mister).
Todos sabemos que Jesus não mudará, muito menos agora que já tem vários anos de consolidação deste seu ego, mas alguém lhe deveria explicar que esse tipo de mensagem, em clubes que não conseguem controlar a comunicação social, o prejudica também a ele. Porque nenhum treinador que tenha uma má comunicação social conseguirá ter grande visibilidade para o exterior (não, só o trabalho e mérito pessoal não chega). Porque os jornais e televisões serão para ele a empresa de Marketing da sua imagem junto do mercado, e se essa imagem chegar retorcida, bem pode o mister dizer que é um dos melhores do mundo, que ganhou isto e aquilo, que nunca vai chegar onde quer chegar. É que essa máquina pode decidir dar ênfase aos insucessos, e as tais conquistas passam pelos pingos da chuva, chegando até a que o nome e imagem sejam retirados ou apagados da história, como se nunca lá tivesse estado. Ele que se lembre, e sei que lembra, que há um treinador que lhe pode vir a roubar a glória dos últimos dois campeonatos conquistados, caso aquele clube consiga o tetra. Já ninguém se lembrará, ou eles não querem lembrar, quem lá estava. O treinador do tetra será o que lá está agora.

Fonte: Sporting CP
Continuando o tema da comunicação social, olhando para o que se tem passado, publicado, dá sensação que estão a ser guiados, não por um guião, mas por uma cartilha que inclui tópicos como: Assunto Sporting – Destacar as possíveis polémicas, e não dar ênfase aos méritos. Assunto Benfica – Destacar todos os méritos, contando com a qualidade do papel usado nos WCs do estádio, e desviar atenções das polémicas e falhanços com polémicas alheias. É que o jogo do Sporting aconteceu no sábado, e na terça-feira de manhã ainda eu estava a ouvir uma noticia na RTP, com transcrições de afirmações de treinador e jogadores do Sporting. Curiosamente, sábado ou domingo saiu uma entrevista de um jogador que agora joga na Turquia (Talisca) a destruir o ramalhete que se tenta criar relativamente à santidade do presidente de Benfica, e no dia seguinte já não se ouvia falar do tema. Critérios, não é verdade? E esta é quase como a da situação do Carrillo, com quem todos vinham mostrar compaixão, que estava a ser maltratado, quando no outro lado da Segunda Circular há um jogador que há alguns anos era uma peça fundamental na equipa e de repente sumiu do mapa, de seu nome Ruben Amorim, alguém se lembra?
Deve ser difícil encontrá-lo. Ou então tentem encontrar algo sobre o tema na mesma caixa da “Urbanos” que surgiu há uns dias num programa televisivo, carregadinho de folhas de rascunho dos serviços da redação doseu clube e impressões de erro de impressora. Pelo menos as primeiras a sair eram dessas. Depois cansei-me de esperar que saísse dali algum documento importante e mudei de canal. Não sei se o comentador chegou a encontrar o que procurava, ou ainda lá está a mandar papel para os olhos de quem o vê e ouve (é que deve demorar, já que eram mais de mil documentos). Mais parecia um mau truque de magia, de cuja cartola nunca mais saía o coelho prometido e ambicionado.

Fonte: SL Benfica
A verdade é que hoje em dia já (e acho que já vem de há muitos anos, infelizmente) não temos de nos preocupar unicamente com os de fora, porque os que temos no seio da massa adepta e sócios do Sporting se estão a demonstrar bem mais tóxicos. E nisso eu tenho que dar mérito aos presidentes dos outros dois “grandes”, que destruíram ou incorporaram qualquer oposição que fosse surgindo, estando agora a viver períodos de paz, em que todos seguem cegamente o que é dito, sem ruídos, sem flyers, sem candidaturas que não acrescentam nada para além de criticar tudo e todos (isso até o grupo de velhinhas da minha terra consegue fazer), dando assim margem de erro e risco a quem dirige. Porque também erraram, e os que agora estão na mó de cima andaram muitos anos para o conseguir, sendo agora proclamados salvadores. Nós autoproclamamo-nos diferentes, com valores e integridade, mas depois queremos lutar para os mesmos objectivos de outros que usam armas muito mais poderosas? Que raio de utopia é essa? Decidam-se se fazem favor. Porque nunca vamos conseguir que o futebol seja regido por transparência e bons costumes. Se querem mesmo que isso aconteça, vão ter que andar muitas décadas à espera que isso aconteça, e que possamos lutar de igual para igual com os outros (podem ter de esperar e nunca acontecer). Pode ser também que nessa altura o outro comentador já tenha conseguido tirar toda aquela papelada da caixa.
E por falar em papel, quero deixar um post-it para o treinador de andebol do Sporting com o seguinte: “MAS QUE FOI AQUILO? DEZ MINUTOS SEM MARCAR UM GOLO.” (É que só precisava de ter marcado dois ou três, não pedia mais. Ou defender um bocadinho melhor). Desculpem o desabafo.
Outro Post-it para o candidato da lista A: “ONDE É QUE VISTE O MARKOVIC EXPLODIR MESMO?”
Último post-it para o presidente arouquense: “NÃO PRECISAVAS VIR DIZER QUAL É O TEU CLUBE E O TEU MENTOR. NÓS JÁ SABÍAMOS.”
Foto de capa: Sporting Clube de Portugal












