A CRÓNICA: SPORTING – UM FILME DE TERROR LEGENDADO EM TURCO

Como é que uma equipa que ganha por 3-1 na primeira mão de uma eliminatória acaba goleada por 4-1 na segunda? Não sei o que mais falta acontecer a este Sporting CP.

Apesar do embalo do 3-1 no marcador de Alvalade, abrilhantado por uma das melhores exibições da época, os Leões sabiam que tinham um difícil teste pela frente quando pisassem o relvado do moderno Fatih Terim Stadium para disputar a segunda mão dos 16 avos da Liga Europa, em Istambul. No entanto, o Sporting CP tinha mais do que os argumentos necessários para gerir devidamente esta eliminatória.

Por seu turno, o Instanbul Basaksehir, a jogar sob pressão da desvantagem, sabia que tinha de arriscar e tomar conta do jogo desde o início. Aliás, o emblema turco já havia demonstrado que lidava bem com a pressão ao ter logrado apurar-se para esta fase com uma vitória ”ao cair do pano”, frente ao Borussia M´Gladbach, no último jogo da fase de grupos. E, hoje, voltou a fazer o mesmo: chegou à vantagem antes do regresso aos balneários para o intervalo, empatou a eliminatória aos 90+1’ e fechou a eliminatória com a conversão de uma grande penalidade no cair do prolongamento.

A equipa turca entrou no jogo a precisar de marcar dois golos e mesmo sem mostrar grandes argumentos conseguiu marcá-los durante a primeira parte: o primeiro no minuto 31’, com um cabeceamento em recarga de Skrtel perante uma defesa leonina desconcertada, e o segundo na sequência de um livre directo marcado por Alksic, que viu o seu trabalho facilitado por Max, que hesitou na abordagem ao lance.

A primeira parte do Sporting CP é inqualificável. Apenas Marcos Acuña criou uma situação flagrante de perigo na baliza turca, após um grande lance individual. Perante um adversário a precisar de marcar, mas muito parco em ideias, à semelhança do que apresentou em Lisboa, a equipa leonina não conseguiu explorar com calma as fragilidades defensivas do Istanbul Başakşehir FK, nem tão-pouco a “rigidez de rins” dos seus defesas. Pelo contrário, a estagnação e a atitude amorfa dos Leões convidaram a um aumento da pressão turca e a que se desse o rude golpe que foi a reviravolta na eliminatória, momentos antes da pausa para descanso.

Se a segunda parte exigia uma mudança de atitude, o certo é que a turma de Silas continuou muito serena enquanto a equipa de Istambul crescia em intensidade.

Com a entrada do jovem equatoriano Gonzalo Plata para o lugar de Bolasie, a equipa verde e branca ganhou um novo ânimo no processo ofensivo, e ao minuto 68’, após um cruzamento perfeito de Marcos Acuña, Luciano Vietto encostou de cabeça para o golo que voltaria a colocar o Sporting CP no comando da eliminatória.

A partir deste lance capital, o Sporting CP parecia ter, novamente, o apuramento garantido. Não só o Istanbul Başakşehir FK acusou, e muito, o golo sofrido, como também permitiu que o Sporting CP chegasse mais vezes à sua grande área e tivesse, inclusive, oportunidades de golo. Mas as más decisões e o azar (Doumbia acertou no ferro) impediram que o Sporting CP selasse a eliminatória.

O facilitismo fez-se pagar caro e trouxe de novo o terror ao minuto 90’+1, quando Edin Visca, aproveitando alguma displicência de Ristovski numa brilhante conclusão, atirou certeiro para o golo que forçou o prolongamento.

Sporar esteve muito apagado durante o jogo
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

No prolongamento, os minutos arrastavam-se e vimos as duas equipas a acusar cansaço e receio em cometer erros. E como se adivinhava que este filme de terror rodado na Turquia teria um final infeliz para o Sporting CP, Vietto que era até então o herói leonino passou a vilão nos últimos instantes do prolongamento ao ter cometido uma grande penalidade sem qualquer nexo sobre Caiçara, no interior da grande área verde e branca. O capitão bósnio Edin Visca voltou a marcar e garantiu a passagem da equipa turca.

A vontade turca superou a atitude amorfa dos Leões, que ficam assim excluídos da única competição que ainda poderia trazer alguma cor a uma época que tem sido um autêntico quadro negro.

A FIGURA

Fonte: Istanbul Başakşehir FK

Edin Visca – o capitão bósnio de 30 anos, que está há 8 anos ao serviço do emblema de Instambum, é a grande figura deste encontro. Foi uma das peças chaves no processo ofensivo do Istanbul Başakşehir FK, carregou a sua equipa quando esta acusou o golo sofrido e demonstrou, uma vez mais, que a sua carreira deveria ter passado por palcos maiores que o do futebol turco.

O FORA DE JOGO

Fonte: Sporting CP

Equipa do Sporting CP – Erros, facilitismos e morbidade. São algumas das palavras que caracterizam a exibição do Sporting CP. Nenhuma vantagem nesta eliminatória, por mais interessante que fosse, justificaria a abordagem feita pelos Leões neste jogo. Foi, precisamente, essa abordagem apática que trouxe confiança ao adversário para “virar” a eliminatória. Entretanto, a “administração Varandas” consegue mais um record inédito: o Sporting CP perde pela primeira vez em território turco. Enfim, mais um episódio lamentável numa tragédia que tende em não acabar.

ANÁLISE TÁTICA – ISTANBUL BAŞAKŞEHIR FK

O clube de Istambul apresentou-se num esquema de 4-3-3, com algumas alterações em relação à formação com que se apresentou em Alvalade. O quarteto defensivo contou com os experientes centrais Skrtel e Epureanu, e nas laterais com Gael Clichy e Junior Caiçara. O meio-campo foi preenchido por Azubuike Okechukwu, İrfan Kahveci e Danijel Aleksic, sendo que este último ocupou uma posição mais próxima do ponta-de-lança. Por fim, o eixo atacante contou com Elia e Visca, respectivamente, nas alas esquerda e direita e com Demba Ba na cara da baliza adversária.

Como era expectável, o técnico Okan Buruk apostou num jogo mais vertical com passes longos para chegar o mais depressa possível a zonas de finalização da grande área do Sporting CP. Sem ideias muito arrojadas, o Istambul Başakşehir FK conseguiu, ainda assim, tirar proveito do completo demérito do Sporting CP.

 

ONZE INICIAIS E PONTUAÇÕES

Mert Gunok (7)

Júnior Caiçara (7)

Alexandru Epureanu (6)

Martin Skrtel (8)

Gael Clichy (8)

İrfan Kahveci (6)

Danijel Aleksic (8)

Edin Visca (9)

Azubuike Okechukwu (7)

Demba Ba (6)

Eljero Elia (6)

SUBS UTILIZADOS

Berkay Ozcan (6)

Fredrik Gulbrandsen (6)

Robinho (7)

Carlos Ponck (-)

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

O Sporting CP apresentou o seu habitual 4-3-3, mas também algumas alterações em relação ao “onze” com que se apresentou na recepção ao Boavista FC. Silas voltou ao seu onze tipo e a Ristovski e Acuña nas laterais. Coates e Ilori preencheram o eixo central da defesa. Num jogo que parecia sugerir um meio-campo mais defensivo e de contenção, Silas voltou a entregar o terreno intermédio a Wendel e Battaglia. Vietto apareceu nas costas de Sporar, enquanto Bolasie e Jovane Cabral ocupam os corredores esquerdo e direito do ataque leonino.

Como também seria expectável, a turma de Silas começou com um bloca baixo, pouco profundo, a entregar a iniciativa aos turcos e a tentar explorar o contra-ataque. No entanto, o que seria defender a vantagem deu lugar a um jogo totalmente amorfo dos leões, repleto de erros infantis perante um adversário com poucas ideias, mas que tirou partido de uma atrapalhação injustificável que se apoderou dos Leões no fim da primeira parte.

Com o desenrolar da partida e a perda da vantagem, a formação verde e branca foi obrigada a subir no terreno, com Vietto muito móvel no corredor central, nas costas de Sporar, mas o ponta-de-lança esloveno aparecia quase sempre muito “marcado” pela defesa turca. Ainda assim, na fase final do tempo regulamentar, o ataque leonino protagonizou várias oportunidades de golo, em muito devido pelo condão ofensivo trazido com a entrada de Plata. No prolongamento, em virtude da entrada de jogadores defensivos como Eduardo e Doumbia, o Sporting CP perdeu o seu caudal ofensivo.

ONZE INICIAIS E PONTUAÇÕES

Luís Maximiano (6)

Stefan Ristovski (6)

Tiago Ilori (5)

Sebastián Coates (5)

Marcos Acuña (7)

Rodrigo Battaglia (6)

Wendel (6)

Yannick Bolasie (4)

Andraž Šporar (5)

Jovane Cabral (6)

Luciano Vietto (5)

SUBS UTILIZADOS

Gonzalo Plata (7)

Idrissa Doumbia (5)

Eduardo (5)

Pedro Mendes (5)

Foto de Capa: UEFA

Artigo revisto por Joana Mendes

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