Nunca fui apologista da abertura completa e sem regras dos assuntos que se passam no interior de uma organização. Considero que “quem não deve não teme” e é nessa segurança que deve residir não uma atitude de “mostrar tudo e mais alguma coisa” mas antes uma atuação que, respeitando as regras da transparência, divulgue para o exterior apenas e só as coisas que são verdadeiramente importantes e essenciais de se discutir na praça pública.

Se penso assim para qualquer organização – política, desportiva, financeira ou económica – penso também o mesmo para o Sporting Clube de Portugal. O Conselho Diretivo (CD) do Sporting achou por bem, na sequência do lamaçal em que o clube de Alvalade se encontra divulgar a ata da reunião dos órgãos sociais do passado dia 24 de maio de 2018 para todos os associados do clube.

A Direção justificou a sua decisão da seguinte forma: “A bem da transparência e da verdade dos factos, e porque estamos a viver tempos de exceção, vimos por este meio facultar a ata da reunião, realizada na passada quinta-feira, dia 24 de maio, no Estádio José Alvalade, entre os Órgãos Sociais. Cremos ser esta a única forma de pôr cobro a um conjunto de especulações e mentiras inaceitáveis, postas a circular no espaço público, que penalizam e prejudicam os superiores interesses do Sporting” (consultado no site do Jornal O Jogo de 26 de maio de 2018).

Os sportinguistas devem saber (re)agir nas alturas de crise. E, sobretudo, perceber que os rivais estão de “setas apontadas” para o Reino do Leão nos nossos momentos mais difíceis
Fonte: Sporting CP

Como sócio do clube, recebi, na minha caixa de email, a referida ata. Vou abster-me de fazer qualquer consideração acerca dos conteúdos da mesma, muito menos se o que lá consta foi o não foi verdade, se foi ou não objeto de manipulação. Se o quiser fazer, faço-o internamente, no seio da família sportinguista e em sede própria. Ponto final. Se todos os sportinguistas reservassem aquilo que é do foro interno do clube para si e para os seus consócios talvez evitar-se-iam os tristes papéis que alguns pseudosportinguistas fazem nalguns programas televisivos ridículos de horário nobre.

Nesse aspeto, Bruno de Carvalho, tem razão, quando refere que é nas Assembleias Gerais, e só lá, que se devem discutir os assuntos internos. Mas, como se costuma dizer, dá “uma no cravo e outra na ferradura”: como entender que um assunto tão “interno” como uma ata de uma reunião entre os órgãos sociais “resvale” assim na praça pública? Como entender que se preste a diretos de horas a fio pelos canais televisivos, falando de coisas que são do foro interno do nosso clube? Cabe aos órgãos diretivos, aos atuais ainda em funções e aos outros que sucederão, pensar na definição sobre o que deve e não deve “saltar” para o espaço público, sob pena do Sporting ficar ferido na sua alma e identidade.

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A partir do momento em que uma organização – desportiva ou não – se “manda”, sem dó nem piedade, para a praça pública, para que todos discutam os seus assuntos internos, sem qualquer tipo de filtro ou regra, só pode estar doente. E é caso para dizer que isto assim não Ata nem Desata. E, no que à doença diz respeito, só resta uma solução: fazer um diagnóstico, identificar o(s) elemento(s) patogénico(s) e ataca-lo(s) com a intervenção mais eficaz. Mas para isso o Sporting terá de voltar a ser, apenas e só, dos sportinguistas.

 

Foto de Capa: Sporting CP