O Sporting CP deslocou-se ao Estádio da Luz para o derby eterno contra o SL Benfica. Os leões, com o título já conquistado, procuravam manter-se invencíveis, enquanto que as águias procuravam ferir o leão e ainda tentar lutar pelo (difícil) segundo lugar. Na verdade – e pela forma como se desenrolou o jogo – ambas as equipas sabiam que não lutavam por nada para lá do orgulho e da honra e daí resultar num jogo mais anárquico, com maior pendor ofensivo, com mais espaços, num jogo aberto e cheio de golos.

Ambas as equipas apresentaram-se – sem surpresa – em 3-4-3 contando apenas com algumas mudanças nos seus onze habituais. No lado do SL Benfica, Jorge Jesus optou por colocar Pizzi no lugar de Rafa Silva (já lá vamos) enquanto que Rúben Amorim – já tinha deixado no ar na antevisão ao jogo – apresentou quatro mudanças: João Pereira no lugar de Pedro Porro (por lesão); Matheus Reis no lugar de Feddal (por castigo); Matheus Nunes e Daniel Bragança (por opção) no lugar de João Mário e João Palhinha.

O próprio treinador leonino afirmou de que as mudanças que promoveu resultam do processo de crescimento da equipa, em forma de preparação já para a próxima época, dificultando até a vida aos seus jogadores. E a verdade é que o Sporting CP perdeu (um)a batalha, mas não perdeu a guerra. As dores de crescimento leoninas fazem parte do processo, mas hoje acabam por ter um impacto importante no desfecho do resultado.

Lembram-se de ter dito que já iriamos falar de Pizzi? Certo. O médio português – sobretudo na primeira parte – foi o melhor jogador em campo no lado do SL Benfica, mas vamos por partes. Já é comum as equipas encaixarem muito nas referências individuais fruto de alinharem no mesmo sistema de 3-4-3. Aconteceu exatamente isso numa outra fase da época e esse mesmo encaixe acabou por resultar em jogos mais fechados e com maior tendência a duelos e a um jogo mais físico.

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Provavelmente pela altura da época resultou num jogo diferente, mas o posicionamento de Pizzi foi também chave no encontro – sobretudo na primeira parte. Enquanto que os três homens da frente do ataque leonino condicionavam os três centrais do SL Benfica, os alas pressionavam os alas adversários do seu lado, com os dois médios do Sporting CP também com constantes vigilâncias individuais a Taarabt e a Weigl, criou-se espaço para Pizzi operar e explorar com facilidade o espaço enorme nas costas dos médios leoninos. Este posicionamento permitia criar situações de quatro para quatro na última linha defensiva do Sporting CP e também permitir combinações rápidas com Everton promovendo o um para um do brasileiro.

O Sporting CP sentiu assim muita falta da sua maior referência defensiva que é João Palhinha. Num meio-campo a dois elementos, é preciso homens que consigam cobrir uma maior área do terreno e o português é o homem ideal para isso. Enquanto que Palhinha é importante no equilíbrio, na transição defensiva e na recuperação de bolas – quer coletiva, quer individual – permitindo também a João Mário estar mais solto e ter um papel semelhante ao de Pizzi neste jogo, com a dupla de Matheus Nunes e de Daniel Bragança isso acabou por não acontecer.

Pizzi, médio do SL Benfica, realizou uma primeira parte de luxo no derby do passado sábado
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Foram sobretudo dois jogadores mais preocupados com o processo ofensivo, muitas vezes jogando até de forma paralela, não conseguindo criar esse equilíbrio que permitia ao Sporting CP sofrer poucos golos em 32 jogos, mas sofrer três em apenas 30 minutos onde foi visível nos primeiros golos a facilidade com que o SL Benfica entrava no bloco adversário pela falta de intensidade, agressividade e pressão ao portador da bola.

Por outro lado, as mexidas na linha defensiva de cinco homens com a entrada de Matheus Reis e de João Pereira, salientaram também a importância nesta equipa de Pedro Porro e Feddal, pela forma como estão entrosados dentro das dinâmicas individuais e coletivas e como já estão coordenados. Matheus Reis sentiu sempre muitas dificuldades – no controlo da profundidade, no posicionamento, nas decisões – revelando não estar à altura para jogar neste nível como central pela esquerda e o SL Benfica também soube explorar essas debilidades. O SL Benfica foi melhor, não há dúvidas disso, mas foi sobretudo eficaz na primeira parte, aproveitando esses erros individuais e coletivos que o Sporting CP raramente demonstrou ao longo da época dando a sensação de que o resultado era justo sim, mas algo desnivelado.

A segunda parte foi quando o Sporting CP entrou em campo, deixando as experiências de lado e a colocar em campo as suas melhores peças com a entrada de João Mário, João Palhinha – e mais tarde de Jovane Cabral – para a equipa se ajustar e melhorar a todos os níveis, passando a controlar o meio-campo empurrando o SL Benfica para trás, sendo a equipa mais esclarecida em campo e com as melhores situações de golo, estando ainda perto de conquistar o empate quando Pote remata ao poste.

Matheus Reis comprometeu no eixo defensivo e foi aposta furada de Rúben Amorim
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Na ressaca da conquista que o Sporting CP tanto precisava, Rúben Amorim foi coerente e de facto começou a preparar a próxima época. O caminho é este, mas ficou bem explicito a importância de alguns elementos no plantel e também as debilidades do mesmo. Com o aumentar da exigência competitiva – tanto pelo nível de Champions League, tanto pela maior quantidade de jogos – irá obrigar a que o Sporting CP se reforce com outras peças de forma a equilibrar o plantel e garantir a estabilidade competitiva de que irá precisar.

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