Verde e Branco à Risca

Assegurámos no último Sábado o principal objectivo para esta época: a qualificação directa para a fase de grupos da Liga dos Campeões da UEFA.

Com um plantel composto, maioritariamente, por jovens jogadores oriundos da formação e um ou outro jogador contratado por valores bastante baixos, o treinador Leonardo Jardim conseguiu construir uma equipa forte e unida, que superou todas as expectativas para a época que agora termina. Acontece que esta época foi, infelizmente, marcada pela ausência de competições europeias no Estádio José Alvalade, logo o desgaste resultante de várias competições para disputar numa só época não existiu para o Leão. Na próxima época, iremos jogar duas vezes por semana e, possivelmente, com adversários de enorme craveira na Europa do futebol. Teremos, obrigatoriamente, de fazer entrar mais e melhor no nosso plantel.

Comecemos pelos guarda-Redes: no meu entender, se queremos construir uma equipa que a curto/médio prazo lute por grandes classificações europeias, só podemos deixar sair os nossos grandes valores pelas cláusulas de rescisão, ou seja, Rui Patrício é para ficar. Trata-se do melhor guardião português, e de um dos melhores da Europa: imprescindível, portanto. Marcelo Boeck é um óptimo suplente e um elemento crucial no balneário leonino, logo, seria importante ficar, jogando Rui Patrício na Liga e Champions e Marcelo na Taça de Portugal e Taça da Liga. Para qualquer eventualidade, teremos sempre um terceiro guarda-redes de qualidade na equipa B pronto a ser convocado.

No que toca ao sector defensivo, teremos com certeza algumas saídas: Welder e Píris serão devolvidos aos seus clubes após um ano de empréstimo em Alvalade. Welder nunca mostrou credenciais, e Píris, embora competente, não me parece que justifique uma compra. Ficaremos com a lateral direita entregue a um Cédric Soares em óptima forma e a Ricardo Esgaio, que foi uma das figuras da Liga de Honra 2013/2014. Com a lateral direita, a meu ver, bem composta, passemos ao centro da defesa, onde se impõe a permanência de três bons centrais (evoluíram bastante esta época) como Rojo, Maurício e Dier. Não podemos vender estes três activos, e teremos de acrescentar um outro central para compor um quarteto forte no centro da defesa: Rúben Semedo precisa de um empréstimo a um clube primodivisionário para amadurecer e ganhar ritmo competitivo a alto nível, e Nuno Reis não me parece ter a confiança do staff leonino pois, com 23 anos de idade, ainda não teve uma única oportunidade de mostrar o seu valor na equipa principal. Exige-se, por conseguinte, a contratação de um bom defesa-central que bem poderá estar na Liga Portuguesa: Paulo Oliveira seria uma boa opção. A lateral-esquerda do sector mais recuado poderá, também, constituir um problema, visto que apenas ficaremos com um fabuloso Jefferson, sem um suplente à altura. Mica Pinto e King talvez possam ser soluções secundárias, mas seria bastante mais segura a contratação de uma alternativa a preços acessíveis. Falou-se em tempos do interesse do Sporting em Rúben Ferreira, do Marítimo; porém, não o considero a melhor opção para o nosso clube.

Com Rojo e Maurício, a baliza de Rui Patrício ficará protegida  Fonte: Sapo.pt
Com Rojo e Maurício, a baliza de Rui Patrício ficará protegida
Fonte: Sapo.pt
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No que toca ao meio-campo, o verdadeiro motor do plantel, Gérson Magrão e Vítor provavelmente irão ver as portas abertas para a saída do clube, visto não terem mostrado argumentos para integrar o plantel. William Carvalho (a sua permanência será o melhor reforço possível e imaginário), Adrien, André Martins, Shikabala (que fará verdadeiramente a sua primeira época), Wallyson Mallmann (parece-me ser aposta clara de Jardim) e Carlos Mané (que já provou ser bastante competente no centro do terreno) terão com certeza a companhia do regressado João Mário. O regresso de Fito Rinaudo também me agradaria, seria uma boa injecção de experiência no plantel; porém, parece-me que o Catania, provavelmente, quererá ficar com o argentino em definitivo. Posto isto, temos um meio-campo curto, e teremos de acrescentar ao plantel dois jogadores para o centro do terreno, essencialmente um trinco de qualidade. Zezinho e Fokobo não me parecem ser aposta para Leonardo Jardim, e Filipe Chaby terá de rodar, tal como Rúben Semedo, numa equipa da Primeira Liga portuguesa. Ali Ghazal, do Nacional da Madeira, seria um reforço interessante para o Sporting, assim como o português Manuel Fernandes (em final de contrato com o Besiktas), embora os valores auferidos na Turquia provavelmente sejam impeditivos para o Leão.

Avançando no terreno para o sector mais avançado, existe abundância e qualidade; porém, a meu ver, existe também alguma falta de magia. Falta alguém que de um momento para o outro pegue na bola e resolva um jogo. Será Iuri Medeiros, finalmente, uma aposta na equipa principal? Este miúdo poderia, claramente, trazer a magia que falta ao ataque leonino (tanto a extremo como atrás do ponta-de-lança). O problema é que Capel, Héldon, Mané, Wilson Eduardo e Carrillo já são cinco extremos (só jogam dois), e, sinceramente, não gostaria de que nenhum deles abandonasse o plantel, nem acho que nenhum deles mereça ser posto de parte nesta altura. Tendo em conta estas circunstâncias, haverá lugar para uma aposta no miúdo Iuri? Ou será mais seguro, de momento, um empréstimo a uma boa equipa da nossa Liga? Será necessária a contratação de mais um extremo, porventura melhor do que os cinco que já temos? A questão dos extremos será uma das mais delicadas que Leonardo Jardim terá em mãos.

 

Serão os cinco extremos do Sporting suficientes?  Fonte: Maisfutebol
Serão os cinco extremos do Sporting suficientes?
Fonte: Maisfutebol

Quanto aos pontas-de-lança, parece-me que estamos bem servidos. Slimani e Montero mostraram ser grandes jogadores de futebol: Slimani é uma fera de área, resolve um jogo de cabeça quando tudo já parece perdido; e Montero tens uns pés fantásticos e, apesar do jejum de golos, é um grande profissional, joga e faz jogar. O regresso do bom jogador Valentin Viola dará mais uma opção ao nosso treinador, e a estes três avançados poderá juntar-se Betinho, Cissé ou Dramé, sendo os outros dois emprestados a equipas inseridas em ligas competitivas.

Resumindo e concluindo: com a saída de Welder, Píris, Magrão e Vítor e a entrada de um lateral-esquerdo, um defesa-central, um trinco, provavelmente um médio-centro e um extremo – e com a permanência de Leonardo Jardim -, o Sporting terá com certeza condições para, com um plantel de cerca de 25/26 jogadores, atacar os objectivos da próxima época: ser campeão nacional, ganhar a Taça de Portugal, ganhar a Taça da Liga e passar a fase de grupos da Liga dos Campeões.

O mais importante reforço será manter os nossos principais activos, manter a espinha dorsal da equipa. Conseguindo tal proeza, o caminho estará a meio para assistirmos a uma época memorável no reino do Leão.

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