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O Sporting de Jorge Jesus tem provocado um misto de sentimentos aos seus adeptos e não só. Sobre os outros, eles que se manifestem. Os Sportinguistas, contudo, terão de aprender a equilibrar as emoções de forma a potenciar a estabilidade necessária, que tão poucas vezes tem existido em Alvalade. Neste início de campanha, o míster Jesus levou os leões à conquista da Supertaça, tendo sido superior ao Benfica; dominou a maior parte da eliminatória perante um CSKA de qualidade inegável e com mais tempo de preparação e, para já, encontra-se a dividir a liderança do campeonato com o Porto ao fim de três jogos fora e alguns (muitos!) erros de arbitragem relevantes. O futebol é fantástico? Não; pelo menos não a tempo inteiro. Mas será fácil constatar que é melhor do que aquele que o Benfica apresentou no início das suas duas últimas épocas.

Ontem, perante o Rio Ave, os três pontos eram de reforçada importância. Para além das vitórias de Benfica e Porto nos dias prévios, tratava-se da jornada que antecede o jogo entre os dois rivais e em que, caso o Sporting vença o Nacional em Alvalade, poderá roubar pontos a um ou mesmo a ambos os clubes. Mas para além de importante, este jogo também era dificílimo. Numa altura em que a preparação assume uma preponderância cada vez maior no futebol, esta deslocação a Rio Maior que por si só nunca seria fácil tornou-se mais complicada ao surgir depois da pausa para selecções. É que se do 11 titular do Sporting, 7 haviam estado ausentes do grupo de trabalho e em viagens e jogos internacionais, no Rio Ave todo o plantel esteve à disposição de Pedro Martins. Resumidamente, o Sporting preparou-se com remendos da equipa B e apresentou-se com jogadores desgastados perante um adversário que teve duas semanas de plena preparação. 

Assertivo, Jesus sabe quais as prioridades do momento Fonte: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal
Assertivo, Jesus sabe quais as prioridades do momento
Fonte: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal

Conquistados os três pontos e mantida a liderança da prova, interessa entender o que falta à equipa, quer em termos colectivos quer individuais. Colectivamente, embora já sejam visíveis muitos princípios de qualidade (procura pelo jogo interior na organização ofensiva, colocação de muitos jogadores à frente da linha da bola no momento do ataque, inclusive entre-linhas; muita concentração de jogadores perto da bola no momento defensivo, coberturas e contenções cada vez mais afinadas), falta ainda a capacidade de controlar o jogo com bola quando em vantagem no marcador. Ontem a posse acaba por ser dividida mas a ideia que dá é que o Sporting esteve quase 60’ do jogo a defender – o que, por outro lado, mostra a belíssima organização das equipas de Jesus no momento sem bola, ou imagine-se este cenário com Marco Silva e adivinhem se o Sporting alguma vez ganharia o jogo nestas condições, estando tanto tempo a defender. Ainda assim, a máxima do futebol é de que quando se tem a bola não se pode sofrer golo e portanto essa é a forma mais segura de encarar uma vantagem. Já em Moscovo nos faltou essa capacidade, e ontem sentiram-se problemas semelhantes.

Individualmente há alguns problemas a rever. Menos importantes, diria, porque faltam William e Ewerton que, já o disse Jorge Jesus, serão os dois melhores reforços dos verde-e-brancos e vêm suprir duas lacunas, mas há trabalho a ser feito até lá. Naldo, relativamente rápido e forte – o que lhe dá algum poder nos duelos individuais -, tem de entender uma máxima do futebol: um jogador que jogue 90’, na melhor das hipóteses, passará 2’ deles com bola no pé e 4’ ou 5’ em zonas activas do campo (ou seja, a disputar a bola com um adversário, ou numa contenção ao portador da bola). Nos 80’ e tal minutos que restam estará sem bola mas o seu comportamento como membro da última linha da equipa é igualmente importante. Um jogador que não saiba jogar sem bola, não está preparado para praticar um jogo tão complexo como o futebol. Em Alvalade, perante o CSKA, foi quem falhou ao não subir para a linha de Paulo Oliveira o que deixou Doumbia em jogo; em Moscovo, repetiu o mesmo erro, que acabou por custar o segundo do CSKA; ontem, foi atrás de um adversário quase para fora da área em vez de defender o espaço prioritário, em frente à sua baliza, deixando um espaço vazio aproveitado por Yazalde para finalizar. Naquilo que é o entendimento do jogo, Naldo deixa muitíssimo a desejar e tem custado alguns golos cruciais. Tobias, seu suplente, a meu ver, fica-lhe atrás apenas na velocidade. Seja como for, Ewerton assim que regresse tornar-se-á titular e significará um upgrade na defesa leonina.

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Outro dos pontos menos bons no jogo de ontem foi Adrien. Pouco assertivo no passe, está a anos-luz de William que, para além de melhor e mais seguro na construção, é também mais imponente nos duelos e inteligente tacticamente. Aqui pouco há a dizer dadas as diferenças entre ambos os jogadores, mas custa a entender o porquê da preferência por Adrien em detrimento de João Mário, ainda que com este Aquilani fosse obrigado a recuar ligeiramente. Seja como for, William vai ser um dos indiscutíveis da equipa e o principal reforço da equipa.

Por reforçar fica, assim, a lateral direita, ontem entregue a Esgaio que, embora inteligente e regular, é algo limitado naquilo que pode oferecer ao jogo. Defensivamente parece entender as suas limitações e as suas funções e, por isso, não será de esperar dele muitos erros relevantes no processo defensivo, apesar de se tratar de um jogador que fisicamente não é nem muito rápido nem muito forte e que pode ser batido individualmente se não apoiado por coberturas próximas. Ofensivamente, ainda não dá muita profundidade mas poderá melhor com o aumento de confiança. Para já, superior ao que João Pereira ofereceu à equipa. Mas Janeiro poderá ser um mês importante para se ter mais um reforço na equipa.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

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