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Agora que já passaram uns dias do “choque”, creio que é mais fácil raciocinar sobre este assunto. Sei que não é fácil aceitar que um símbolo e imagem de um clube troque o nosso por um rival directo. Acreditem que já senti isso na pele com nomes que hoje nem quero pronunciar.

Nélson Évora sempre foi um gentleman no desporto e tem o coração demasiado perto da boca, o que muitas vezes lhe causa problemas. Foi assim quando terminou a participação nos Jogos Olímpicos, no Brasil, e foi um pouco assim com as declarações que teve aquando da “saída” da equipa vermelha e branca. Mas quem pode criticar um Homem que quer continuar a voar, que procura a sua felicidade quando a vida dele dá uma volta que acredito que nem ele estava à espera?

Não nos iludamos, o Nélson veio para Alvalade para procurar o que é melhor para si. Independentemente de ter ou não sido procurado para renovar, a vida dele deu uma volta quando o companheiro de uma vida desportiva, João Ganço, o informou que não iria mais ser o seu treinador…

A vida do campeão olímpico deu uma volta que nem ele esperava. Agora, é treinado por um ídolo, o ainda recordista cubano: Ivan Pedroso Fonte: Facebook oficial de Nélson Évora
A vida do campeão olímpico deu uma volta que nem ele esperava. Agora, é treinado por um ídolo, o ainda recordista cubano: Ivan Pedroso
Fonte: Nélson Évora

Infelizmente, no atletismo em Portugal não há muita clubite, há uma necessidade de sobreviver e de aproveitar os parcos recursos que são cedidos para se atingir o sucesso (para alguns) e sobrevivência (para a grande maioria dos atletas). Quem o pode criticar por ele procurar a felicidade, depois de o treinador ter rescindido contrato com ele (não vou comentar as razões, porque pouco sei e pelo que vi, ambos se precipitaram) ?

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O Nélson várias vezes esteve dado como “morto” para a modalidade e, qual fénix, regressou sempre das cinzas. Ninguém acreditava já naquele menino que com um sorriso fácil ganhou um ouro olímpico e “pouco” tempo depois rebentou uma perna. Onde estavam as vozes críticas quando o Nélson ganhava títulos e prémios, e nem água quente tinha no balneário do Estádio Nacional? Onde estavam as vozes críticas quando o Nélson, um Campeão Olímpico, pouco ganhava quando comparado com atletas medianos (e alguns pouco esforçados) de futebol? Sim, o Nélson foi procurar a sua felicidade. Não nos iludamos, ele não é agora o maior sportinguista do mundo, mas acredito que é um dos maiores atletas e sonhadores do mundo. E sim, já o era no tempo do clube da Luz (e até do Dragão, quando lá passou).

Hoje o Nélson é treinado pelo seu ídolo, Ivan Pedroso, o ex-campeão de salto em comprimento, e quer mais: quer voltar ao pódio nos próximos Jogos Olímpicos. Quem o pode criticar?

Foto de capa: Nélson Évora

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

 

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