No futebol como no Wrestling

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sporting cp cabeçalho 1O Futebol cada vez mais parece wrestling. Não, não vou falar de “fariseus”, “samaritanos” ou “pizzas”. Vou falar de um espectáculo de showoffs, combates combinados e discursos ensaiados. Vendo a situação desta forma, quase não dá para perceber se me refiro a um ou a outro desporto, uma vez que cada vez mais estes “ingredientes” se observam em ambos.

Ainda me lembro de, aos fins-de-semana e pela hora de almoço, estar a ver os combates de wrestling comentados pelo “Tarzan” Taborda e ficar impressionado com a paixão com que o mesmo falava desse desporto, convidando qualquer lutador a enfrentá-lo no ringue e dando como certa a sua vitória (sim, Mayweather e McGregor ainda eram crianças, infelizmente). Apesar de eu não poder pôr em causa a valia do comentador dentro dos ringues, por nunca o ter visto lutar, gerava-me alguma estranheza tal confiança num atleta que lutava num desporto com regras tão próprias, que dificilmente outros lutadores aceitariam (isso passou-me depois do combate Mayweather/McGregor). Só conseguiria aceitar toda aquela confiança se o confronto fosse com qualquer outro lutador da mesma modalidade, com todas as regras (ou falta delas) e campeões pré-estabelecidos. Ainda assim, naquela altura o programa entretinha-me e eu via-o regularmente.

Depois de cada emissão juntava-me com alguns amigos, adeptos daquele desporto, a quem eu tentava demonstrar os golpes ensaiados e as cadeiras que surgiam do nada, situações associadas a árbitros que nunca viam as “infracções”, ao que eles retorquiam com a beleza de cada voo, uppercut, quase mostrando total cegueira ou desprezo pelo óbvio.

Por mais óbvia que seja uma infracção, nunca se admite desde que seja feita por um jogador da sua equipa Fonte: CM TV/Mister do Café
Por mais óbvia que seja uma infracção, nunca se admite desde que seja feita por um jogador da sua equipa
Fonte: CM TV/Mister do Café

Acabei por ir perdendo o interesse, ao cansar-me de ver golpes que apenas atingiam o chão do ringue e combates que terminavam quando os intervenientes decidiam ou combinavam que havia chegado o momento de acabar. Bem sei que, neste caso, o que interessa é o espectáculo, e todos sabem que são essas as regras, e todos sabem o que esperar.

Pelo menos no wrestling eles assumem que é só “faz de conta”. Já no futebol, todos sabem que é faz de conta e ninguém o assume.

Nuno Almeida
Nuno Almeidahttp://www.bolanarede.pt
Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.

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