É com alguma tristeza que redijo este texto. Foi anunciada a rescisão de Fredy Montero e Nani com o Sporting CP. Dois jogadores que dizem muito à massa adepta leonina pelo estatuto que ambos tinham no plantel verde e branco. Deste modo, importa perceber o que pode ter levado a esta atuação por parte da direção do Sporting CP, presidida por Frederico Varandas, e tentar analisar o que poderá isto significar daqui para a frente.

Primeiramente, é necessário olhar para a conjuntura do plantel. Os leões têm tido dificuldades em marcar golos nos últimos jogos, produzindo um futebol ofensivo aquém do exigido para uma equipa com as aspirações do Sporting CP. Curiosamente, são dois atletas de características atacantes que vemos partir para o estrangeiro, o que retira opções ao leque de Marcel Keizer.

No entanto, se olharmos para as contas do clube, penso que a tesouraria agradece ambas as rescisões, uma vez que se irão poupar vários milhões de euros que seriam gastos no pagamento de salários aos dois atletas.

Contudo, na minha opinião, seria ainda mais benéfico para o clube se recebesse uma quantia pelos dois jogadores, ao invés de simplesmente os entregarmos a outras equipas, ainda para mais tendo ambos a qualidade que lhes é reconhecida. Porque motivo isso não aconteceu? Desinteresse? Falta de propostas? Se não houvessem ofertas, os jogadores não teriam para onde ir… pelo menos a minha ótica é essa, e um montante, qualquer que seja ele, é sempre melhor que zero.

O avançado colombiano teve duas passagens pelo clube leonino
Fonte: Sporting CP

Analisando agora as saídas de ambos, começo por Fredy Montero. Nesta temporada, o colombiano alinhou em 16 jogos, tendo apontado quatro golos. O avançado estava há já algum tempo lesionado, pelo que não vinha a ser opção do técnico. Ainda assim, penso que após a sua total recuperação, o jogador poderia vir a ser útil para a equipa. É preciso ver que o Sporting CP tem vindo a apresentar muitas dificuldades em marcar golos e em ligar o jogo. Ora, Montero tem essa capacidade de receber e dar sequência às jogadas, tendo mais técnica, visão de jogo e qualidade de passe do que Bas Dost.

Para além disso, a sua longa distância é também um trunfo nos jogos em que as equipas se fecham mais. Deste modo, vejo com alguma apreensão a sua saída do plantel, algo semelhante ao que os sportinguistas sentiram quando este abandonou o clube na época 2015/2016. Esperemos que esse arrependimento não surja novamente. À primeira todos erram, à segunda só cai quem quer.

Nani, que envergava a braçadeira de capitão, está de partida para a MLS
Fonte: Sporting CP

Se já com Montero considerei a sua saída preocupante, então relativamente a Nani acho ser um erro crasso que pode reduzir ainda mais a qualidade de jogo apresentada pela equipa orientada por Marcel Keizer. O internacional português não é um simples jogador que pertence ao plantel. Simboliza muito mais que isso. É um atleta formado em Alcochete, capitão e líder da equipa, que já ia na terceira passagem pelo clube, e que apresentava ainda muita qualidade para atuar com a camisola verde e branca. Todos estes fatores fazem com que eu questione com vários pontos de interrogação esta partida.

A juntar a tudo isso, considero que Nani era o melhor extremo do plantel e que poderia inclusive ter sido utilizado em zonas mais interiores próximas do ponta de lança. É verdade que a velocidade já não é a mesma de outrora, mas a sua experiência, calma, qualidade técnica, passe, visão de jogo e remate continuam lá. Era um dos cérebros da equipa no que toca ao momento de posse de bola, e penso que até era um bom apoio para Bruno Fernandes. A sua partida causa-me alguma estranheza e receio do que aí virá.

Concluindo, considero péssimas as saídas de ambos os jogadores. Por tudo o que escrevi até aqui, receio que ambas as rescisões vão fazer decrescer a qualidade do plantel, que Frederico Varandas já admitiu anteriormente não ser a melhor. Com estas decisões, não auguro coisas positivas para o Sporting CP no que falta desta época. Oxalá esteja enganado…

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

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