a norte de alvalade

Não caiu bem em Vila do Conde a nomeação do árbitro Hugo Miguel para o jogo Rio Ave – Sporting do próximo domingo. O pretexto é que o referido árbitro é agente da marca de equipamentos Macron, que, como sabemos, equipa o Sporting.

A indignação justifica-se pelo potencial conflito de interesses, mas sobretudo por não proteger nenhum dos intervenientes no jogo, como deveria ser acautelado por quem nomeia os árbitros. Se o árbitro errar, e dos seus erros resultar o prejuízo de um dos clubes, fica exposto a todo o tipo de suspeições. Ou porque protegeu pretensos interesses pessoais e comerciais, caso o beneficiário seja o Sporting, ou porque errou a favor do Rio Ave para, por via da contestação a priori, não ser acusado de favorecimento. A suspeita estará sempre presente de qualquer lado das bancadas e é impossível que não atinja o árbitro, especialmente se o jogo começar por lhe correr mal.

Não ver isto é uma falha grave que funciona como uma declaração tácita de incompetência e impreparação para a função. Isto quando já de si muito é duvidoso que a actividade comercial do árbitro seja compatível com a qualidade de profissional da arbitragem que já possui. Casos como este compreender-se-iam melhor caso a presença do árbitro no jogo tivesse resultado de sorteio, mas continuaria, ainda assim, pelos motivos expressos acima, por defender o interesse dos intervenientes e acima de tudo do futebol.

Sobre esta questão há outra que ressalta à vista quando se fala da Macron, a fornecedora de equipamentos. Há já algum tempo que se pode observar que a página oficial da marca não coloca o nome do clube na sua lista de destaque na abertura, como se pode ver na imagem acima. Para ver o emblema do Sporting é necessário ir ao fundo da página procurar no “E-shop catalogue”. É-me muito difícil de compreender que uma marca que se quer promover ignore o nome de um clube com o nosso historial, independentemente de dar ou não o destaque a outros que lá figuram.

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Hugo Miguel não traz boas memórias ao Sporting
Fonte: desporto.sapo.pt

Um pormenor a ter em conta quando voltar a estar em cima da mesa a renegociação dos contratos. Até porque este é um daqueles casos em que o valor líquido da proposta pode ser apenas uma parte do total dos valores envolvidos em que uns são mais tangíveis que outros. O poder da projecção do nome do clube que a associação com uma grande marca proporciona é um deles. Não apenas pelo prestígio, mas também pela visibilidade. Isto sem falar do imenso leque de realizações a que se pode aceder, como por exemplo os torneios de início de época, em que cachets e adversários competitivos e renomados estão presentes.

Nos valores intangíveis deve-se incluir também o poder das marcas junto dos organismos oficiais, dos quais são muitas vezes patrocinadoras oficiais. Este tema é ainda mais candente quando sabemos o quanto nos custou termo-nos cruzado o ano passado com uma equipa cujo patrocinador era também patrocinador da UEFA. Já agora, sabe quem é a marca que veste o CSKA? Pois, é a Adidas, que também é a patrocinadora da Champions League. Não estou aqui a postular que foi por isso que fomos postos borda fora. Estou só e apenas a concordar com o espanhol: “no creo en brujas pero que las hay, las hay“. E, se preferível, é melhor que estejam do nosso lado.