Com menos de duas semanas para o fecho do mercado de transferências, que encerra a dois de setembro, os clubes portugueses começam a entrar numa fase de tentar apressar os negócios que ainda estão pendentes, com o objetivo de não só reforçar as equipas principais e secundárias, mas também para “escoar” excedentes, de forma a que se tente encontrar um equilíbrio entre a qualidade dos jogadores e o investimento, principalmente em salários. Falando neste último aspeto, existem clubes que conseguem colocar os seus excedentários com relativa facilidade, sendo por empréstimos ou por transferência definitiva, mas existem outros clubes que não o conseguem fazer, como é o caso do Sporting Clube de Portugal.

Esta janela de transferências não se afigura fácil, uma vez que ainda existem muitos mercados abertos, como o de Espanha e França por exemplo, de onde podem surgir negócios de última hora e que o clube leonino poderá ter que aceitar, devido a várias situações. Mas rumores à parte, os sportinguistas podem fazer um balanço da atuação do presidente e este texto será para isso mesmo, considerando os pontos positivos e negativos.

Começando pelos pontos positivos, o negócio que trouxe Luciano Vietto para Alvalade deve ser do agrado dos sportinguistas, porque conseguimos receber 22,5 milhões de euros por Gelson Martins e por 7 milhões de euros garantiu-se o ponta de lança argentino, num negócio onde, segundo as leis atuais em vigor, não éramos obrigados a receber nada por ele. Por isso considero que foi um negócio “menos mau” e com isso trouxemos mais uma solução com qualidade para a frente de ataque.

Falando agora de Luís Neto, penso que foi uma excelente aquisição, pois veio a custo zero e apesar de já ter alguma idade, possui muita qualidade e eficiência. Traz uma vasta experiência consigo para um setor onde falhar é uma palavra proibida e ainda tem algumas épocas pela frente de leão ao peito. Eduardo Henrique chegou a Alvalade por valores próximos dos 3 milhões de euros, depois de demonstrar toda a sua qualidade no Belenenses SAD, por empréstimo do Internacional de Porto Alegre.

Apesar de ainda não ter demonstrado todo o seu potencial de leão ao peito, a qualidade está lá e penso que será uma questão de tempo até começar a ter impacto na equipa principal. Todavia, tendo em conta o baixo valor da sua aquisição, Frederico Varandas esteve bem ao garantir os serviços deste jogador.

Este tem sido o primeiro mercado de verão da estrutura leonina montada pelo presidente Frederico Varandas
Fonte: Sporting CP

Para a posição de defesa direito chegou Valentin Rosier, proveniente da liga Francesa, por valores próximos dos 8 milhões de euros. Para os mais desatentos, este jogador era considerado como um dos melhores laterais da liga francesa, antes da lesão que o afastou e que lhe estagnou a carreira. Será uma incógnita até estar fisicamente apto, pois o potencial demonstrado no Dijon não engana e se o demonstrar de leão ao peito, será uma grande contratação, mas só o tempo o dirá.

Falando agora de Rafael Camacho, creio que foi uma oportunidade de negócio, pois chegou por 5 milhões de euros e nas alas – um setor onde o Sporting carece de qualidade – poderá fazer toda a diferença, pois possui bom sprint e qualidade individual. Resta agora saber se irá conseguir demonstrar toda a sua qualidade. Se for aposta regular do treinador, penso que teremos um elemento valioso no plantel.

Porém, Frederico Varandas não fez tudo bem e existem situações, quer devido à sua inexperiência quer devido a fatores alheios, que são impensáveis num clube com a dimensão do Sporting. Começando pelos excedentários do plantel, o Sporting atualmente não consegue vender os jogadores que não entram nas escolhas de Keizer e tal facto gera um grande problema, porque estamos a pagar salários desnecessários a jogadores que nem sequer jogam.

Apesar de já terem sido colocados muitos excedentários, como são os casos de Carlos Mané, Iuri Medeiros ou Ryan Gauld, a verdade é que existem outros como André Pinto e Jefferson que são mais gritantes, pois auferem elevados salários sem serem opções válidas para a equipa. Contudo, não são casos isolados, pois ainda existem jogadores como Bruno Gaspar, Emiliano Viviano e Mattheus Oliveira que, no total, fazem muita mossa na massa salarial.

Falando num tema mais recente, o dossier Bas Dost está a ser muito mal gerido sobretudo porque o holandês não é um jogador qualquer, pois em três temporadas apontou 93 golos e como tal, tem de ser tratado com respeito. Compreendo a posição de Varandas em relação ao elevado ordenado que aufere, contudo se o presidente leonino fosse mais competente a “escoar” os excedentes, o salário de Bas Dost não seria um problema e teríamos uma máquina de golos à nossa disposição. Se um jogador faz tanto golo em tão pouco tempo e atualmente não tem rendido, a culpa é do treinador e não do jogador.

Em relação a Bruno Fernandes, apoio a ideia de que caso saia, terá que significar um bom retorno para os cofres de Alvalade, uma vez que se trata do nosso melhor jogador. Se ainda não apareceram propostas que reflitam o seu valor, concordo que não se venda ao desbarato.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

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