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O papel dos alas no Sporting CP

Miguel Gato · 3 min

O Sporting CP resolveu na primeira parte e adormeceu na segunda, mas fez o suficiente para sair de Alvalade, fruto também da incapacidade do CD Tondela, com mais três pontos.
Foto: Liga Portugal

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Desde que chegou a Alvalade, Rúben Amorim implementou, de imediato, a sua tática de eleição. Jogar com três centrais já não é sinónimo de um jogo defensivo e de atitude de expetativa em relação ao adversário. A estrutura tática do Sporting CP privilegia a construção a partir dos centrais, a posse de bola e o elevado número de jogadores em zona de finalização. Muitas destas dinâmicas são possíveis devido ao trabalho executado pelos alas, que atuam como extremos e dão largura no momento ofensivo (3x4x3) e como defesas laterais na organização defensiva (5x2x3). Vejamos, então, as soluções que o jovem treinador português tem para esta posição, e quais os aspetos que poderiam ser melhorados.

No primeiro jogo de Rúben Amorim ao serviço do Sporting CP, os alas escolhidos foram Ristovski e Acunã. No entanto, não deu para observar aquilo que o internacional macedónio poderia dar ao jogo. Com a expulsão de dois jogadores do Aves, e de modo a dar mais projeção ofensiva ao lado direito, o treinador lançou Jovane Cabral, que ficou responsável por fazer o corredor todo.

Analisando esta primeira dupla de alas (não incluindo Jovane), parece-me que só um dos atletas será titular na formação verde e branca. Marcos Acunã é ideal para esta posição, pois tem como principais características a sua qualidade técnica e o bom cruzamento, a acrescentar a entrega que deixa em campo. Não sendo um extremo que desequilibre uma formação fechada a sete chaves, nem um lateral exímio no trabalho defensivo, parece-me que o papel de ala lhe assenta que nem uma luva, pois é um jogador com capacidade de fazer todo o corredor esquerdo, dá largura ao ataque e não fica tão exposto aquando o seu movimento ofensivo, devido à presença dos três centrais.

O argentino pode ser um dos mais beneficiados com o sistema de Amorim
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Já Stefan Ristovski não apresenta, na minha ótica, estas qualidades acima descritas, sendo que é um jogador com várias lacunas técnicas, mais adequado para a posição de lateral direito.

Nos jogos que se seguiram, após a paragem causada pela Covid-19, Rafael Camacho e Nuno Mendes surgiram como novas opções. Rafael Camacho tem um histórico como extremo durante a sua formação, e como defesa lateral nas duas partidas que desempenhou ao comando de Jurgen Klopp. Dotado tecnicamente e muito rápido, peca muitas vezes na tomada de decisão no último terço. É um atleta que necessita urgentemente de ganhar algum peso, pois é fraco no confronto físico. Poderá ser utilizado como ala direito ou extremo/médio interior. Porém, ainda não o considero como uma aposta segura para titular.

Com a ausência de Acunã devido a lesão, eis que surge mais um menino vindo da Academia de Alcochete. Nuno Mendes fez a sua estreia na Primeira Liga Portuguesa com apenas 17 anos de idade, e, durante toda a sua prestação, demonstrou grande qualidade e maturidade. Fez uma exibição sólida, tendo estado diretamente envolvido no lance da grande penalidade convertida por Sporar e em várias ações defensivas. Num artigo em que falei do regresso da equipa B, também aqui no site do Bola na Rede, defini Nuno Mendes como um lateral com uma projeção ofensiva muito boa, sendo que friso também as competências defensivas que possui. É muito cedo para avaliar se será uma aposta certa para titular nos próximos anos. Avaliar um jogador nesta idade é sempre arriscado. Porém, o potencial está todo lá.

Um outro jogador que poderá ser aposta na ala direita é Valentin Rosier. O lateral francês ainda não foi aposta desde a chegada de Rúben Amorim. A situação é similar à de Ristovski. Ambos são atletas que se adequam mais à posição de defesa direito. Porém, a sua maior qualidade técnica pode ganhar pontos em relação ao macedónio.

Os alas têm uma grande influência na forma como Rúben Amorim põe as peças no tabuleiro, antes da cada partida. O Sporting CP necessita de pensar muito bem nas opções que tem do lado direito, visto que não existe nenhuma opção segura. Ir ao mercado é uma das soluções mais prováveis. Do lado esquerdo, Acuña é merecedor da titularidade, enquanto que Nuno Mendes é uma aposta para continuar. Estes dois parecem-me as melhores apostas, até ao momento, porque possuem tanto a técnica para dar largura ou para ir a zonas mais interiores do terreno como as competências defensivas que não os deixam comprometer a equipa.

Miguel Gato

Redação Bola na Rede · ver artigos

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