O problema do cálculo mental

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O Europeu de futebol está quase a começar e a nossa selecção já está a caminho de França com a bagagem cheia de golos à custa da Estónia, o que garante desde já um espírito optimista a jogadores e adeptos (nunca esquecendo a qualidade do adversário a quem marcámos sete golos).

Mas, apesar de vir aqui falar da selecção de Portugal, não vou dirigir-me tanto ao jogo disputado mas sim a situações paralelas ao jogo.

A escolha da campanha de marketing para a selecção neste Europeu começou logo com um erro de cálculo. Eles dizem que somos 11 milhões mas, segundo se sabe, Jorge Jesus tem que pagar a, pelo menos, 14 milhões. Pergunto onde meteram os três milhões que faltam.

Bem sei que, apesar de alguns prémios nas olimpíadas de matemática, na generalidade, somos um povo com problemas nessa disciplina. Ou não tivéssemos tido um ministro que, em directo e após um cálculo mental “rápido”, concluiu com a célebre frase: “É só fazerem as contas”; ou outro que, numa palestra para estudantes, nos elucidou com uma das mais básicas regras da economia moderna: “As dívidas não para ser pagas”.

Neste último caso até pode ter razão se o Estado não tivesse que andar a suportar dívidas de certos tipos que ficaram a dever ao BPN. Mas isso são contas de outro rosário, doutrina de outra “catedral”.

Mas, continuando a falar do “engenheiro” que largou a tal regra de economia acima publicada, este foi o mesmo que passou paninhos quentes aos alemães, ou à alemã. Foi também ele que lançou de uma forma mais vincada esse movimento que está agora a ser seguido também pelo actual Presidente da República (não que o anterior não o fizesse).

Mas, ao que parece, esse movimento está a espalhar-se, e teve um dos seus expoentes no jogo da selecção com a Estónia.

Um dos bons momentos do jogo de ontem Fonte: Facebook Oficial de João Mário
Um dos bons momentos do jogo de ontem
Fonte: Facebook Oficial de João Mário

É que, estava eu a ver a selecção de todos nós a esmagar o rival, quando chega o momento de entrar o “alemão” (parece que é jogador de um clube alemão). Foi a partir daí que se assistiu ao que acima descrevo, o movimento de sobrevalorizar tudo o que o “alemão” fazia, até passes errados. Era um “bruáááá” cada vez que o rapaz tocava na bola.

Mas o que incomodou mais ainda foi o facto de terem assobiado, sempre, dois jogadores sem razão aparente (sim, estou a ser sarcástico). Rui Patrício e Wiliam Carvalho foram apupados em todos os momentos em que intervieram no jogo, o que não entendi, até porque acertaram muito mais vezes que o tal “alemão”. Acredito que não o tenham feito por serem jogadores do Sporting Clube de Portugal, até porque estão agora a defender a selecção Portuguesa, a tal dos 14 ou 15 milhões.

Mas se eles preferirem podemos continuar a olhar para aquela selecção, apoiando sempre e só os jogadores afectos ao clube que defendemos.

Se assim for, parece-me que ainda continuamos – nós, sportinguistas – a ter mais motivos para apoiar a selecção portuguesa que outros.

E, se não chegassem os 4 jogadores que ainda pertencem aos quadros do Sporting Clube de Portugal, poderíamos alargar os pressupostos pelos jogadores formados pelo nosso clube, que, no último jogo, eram “só” 7  na equipa inicial.

É a tal espinha dorsal, de que uns falam e que outros concretizam.

Assim sendo, e se o amor e apoio pela selecção de Portugal se medem pelos jogadores dos clubes, então esta é muito mais dos Sportinguistas que de outro qualquer.

Eu preferia que fossem os tais 14 ou 15 milhões a apoiar mas, se não quiserem, também passamos bem com isso. O Jorge Jesus também agradeceria que fossem menos portugueses, pelo menos pediam-lhe menos.

O que acho é que têm o direito de ter preferências por um ou outro jogador, mas não devem assobiar ou “apupar” qualquer jogador que faça parte da selecção de todos nós, e que esteja ali a defender as cores do seu país, que por acaso também são as nossas, acho eu.

Boa Sorte a todos. 11, 14 ou 15 milhões.

Foto de Capa: FPF

Nuno Almeida
Nuno Almeidahttp://www.bolanarede.pt
Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.

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