Publicidade

O problema do cálculo mental

Nuno Almeida · 3 min

O problema do cálculo mental

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

sporting cp cabeçalho 1

O Europeu de futebol está quase a começar e a nossa selecção já está a caminho de França com a bagagem cheia de golos à custa da Estónia, o que garante desde já um espírito optimista a jogadores e adeptos (nunca esquecendo a qualidade do adversário a quem marcámos sete golos).

Mas, apesar de vir aqui falar da selecção de Portugal, não vou dirigir-me tanto ao jogo disputado mas sim a situações paralelas ao jogo.

A escolha da campanha de marketing para a selecção neste Europeu começou logo com um erro de cálculo. Eles dizem que somos 11 milhões mas, segundo se sabe, Jorge Jesus tem que pagar a, pelo menos, 14 milhões. Pergunto onde meteram os três milhões que faltam.

Bem sei que, apesar de alguns prémios nas olimpíadas de matemática, na generalidade, somos um povo com problemas nessa disciplina. Ou não tivéssemos tido um ministro que, em directo e após um cálculo mental “rápido”, concluiu com a célebre frase: “É só fazerem as contas”; ou outro que, numa palestra para estudantes, nos elucidou com uma das mais básicas regras da economia moderna: “As dívidas não para ser pagas”.

Neste último caso até pode ter razão se o Estado não tivesse que andar a suportar dívidas de certos tipos que ficaram a dever ao BPN. Mas isso são contas de outro rosário, doutrina de outra “catedral”.

Mas, continuando a falar do “engenheiro” que largou a tal regra de economia acima publicada, este foi o mesmo que passou paninhos quentes aos alemães, ou à alemã. Foi também ele que lançou de uma forma mais vincada esse movimento que está agora a ser seguido também pelo actual Presidente da República (não que o anterior não o fizesse).

Mas, ao que parece, esse movimento está a espalhar-se, e teve um dos seus expoentes no jogo da selecção com a Estónia.

Um dos bons momentos do jogo de ontem Fonte: Facebook Oficial de João Mário
Um dos bons momentos do jogo de ontem
Fonte: Facebook Oficial de João Mário

É que, estava eu a ver a selecção de todos nós a esmagar o rival, quando chega o momento de entrar o “alemão” (parece que é jogador de um clube alemão). Foi a partir daí que se assistiu ao que acima descrevo, o movimento de sobrevalorizar tudo o que o “alemão” fazia, até passes errados. Era um “bruáááá” cada vez que o rapaz tocava na bola.

Mas o que incomodou mais ainda foi o facto de terem assobiado, sempre, dois jogadores sem razão aparente (sim, estou a ser sarcástico). Rui Patrício e Wiliam Carvalho foram apupados em todos os momentos em que intervieram no jogo, o que não entendi, até porque acertaram muito mais vezes que o tal “alemão”. Acredito que não o tenham feito por serem jogadores do Sporting Clube de Portugal, até porque estão agora a defender a selecção Portuguesa, a tal dos 14 ou 15 milhões.

Mas se eles preferirem podemos continuar a olhar para aquela selecção, apoiando sempre e só os jogadores afectos ao clube que defendemos.

Se assim for, parece-me que ainda continuamos – nós, sportinguistas – a ter mais motivos para apoiar a selecção portuguesa que outros.

E, se não chegassem os 4 jogadores que ainda pertencem aos quadros do Sporting Clube de Portugal, poderíamos alargar os pressupostos pelos jogadores formados pelo nosso clube, que, no último jogo, eram “só” 7  na equipa inicial.

É a tal espinha dorsal, de que uns falam e que outros concretizam.

Assim sendo, e se o amor e apoio pela selecção de Portugal se medem pelos jogadores dos clubes, então esta é muito mais dos Sportinguistas que de outro qualquer.

Eu preferia que fossem os tais 14 ou 15 milhões a apoiar mas, se não quiserem, também passamos bem com isso. O Jorge Jesus também agradeceria que fossem menos portugueses, pelo menos pediam-lhe menos.

O que acho é que têm o direito de ter preferências por um ou outro jogador, mas não devem assobiar ou “apupar” qualquer jogador que faça parte da selecção de todos nós, e que esteja ali a defender as cores do seu país, que por acaso também são as nossas, acho eu.

Boa Sorte a todos. 11, 14 ou 15 milhões.

Foto de Capa: FPF

Nuno Almeida

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.