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O que seria deste Sporting com um “melhor marcador do campeonato”?

Sempre que a nossa equipa não vence um jogo há o reflexo imediato de criticar a qualidade dos avançados e mais especificamente os pontas-de-lança, uma vez que o principal papel deles no jogo é criar e/ou marcar golos.

Se os jogadores que ocupam esses espaços, estando em posições mais próximas da baliza adversária e por isso mais bem colocados para alvejar a mesma, não tiverem a qualidade necessária para desempenhar o seu principal papel na equipa, ficará muito mais difícil marcar golos.

Podem dizer que no futebol moderno os jogadores já não se limitam apenas a defender ou a atacar dependendo da posição que ocupam, e eu concordo com isso. No entanto, os jogadores ocupam posições defensivas e ofensivas por alguma razão, e acredito que seja porque determinado jogador tem melhores características para um determinado momento de jogo.

O ponta-de-lança, portanto, estará lá com a principal função de fazer golo, ainda que possa depois variar para uma posição de apoio aos médios e extremos, dependendo do momento e do desenrolar da jogada. Mas ainda assim, os colegas, ao cruzarem, ou ao enviarem a bola nas costas dos defesas contrários é por saberem que vai surgir o jogador que está lá para definir. Se isso não acontecer, todo o trabalho da equipa estará a ser limitado e lesado.

Ainda que o que foi escrito no parágrafo anterior seja verdade, apesar de aberto a discussão, o problema poderá não estar apenas no avançado centro (para não lhe chamar ponta-de-lança, uma vez que atualmente já poucos são os jogadores que se fixam entre os centrais adversários, e daí não saem) que não concretiza.

O problema poderá estar no volume de jogo que a equipa consiga, ou não, criar com boas situações de finalização para os avançados. E aplicando isto à equipa do Sporting, poderemos concluir que o problema de ser apenas o terceiro melhor ataque do campeonato poderá estar na conjugação de avançados com pouco aproveitamento com um menor caudal ofensivo relativamente aos rivais, ou ao rival.

O Sporting tem o terceiro melhor ataque reflexo de o melhor marcador da equipa aparecer apenas no quinto lugar dos goleadores da Liga, e o segundo surgir na decima primeira posição, enquanto a equipa que está no primeiro lugar coloca três jogadores à frente do nosso melhor marcador.

Este aspecto justifica a diferença de quinze golos entre os dois ataques, mas não só. Quem vai suceder-nos no trono conseguiu apresentar um jogo muito mais intenso e objectivo (além de situações extra-futebol que não vale a pena explorar agora aqui, mas que ajudam), com um meio-campo muito mais dinâmico, e avançados rápidos e objectivos.

A diferença nunca poderá estar apenas no homem da frente, um num homem, senão a equipa que se vai classificar na terceira posição teria possibilidade de ganhar o campeonato uma vez que (a menos que o segundo melhor marcador da liga consiga marcar pelo menos seis golos no último jogo) no final do campeonato terá um dos seus avançados consagrados como melhor marcador.

Se o problema fosse apenas do Paulin… desculpem, do ponta-de-lança, no ano passado também não conseguíramos ser campeões uma vez que não tivemos nunca um homem de referência na área. Tivemos foi um super-pote, aparecendo quase sempre de trás.

Sporting
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

A questão aqui é que o jogo do Sporting não “pede” uma referência na frente, e continuamos a jogar esse tipo de jogo com um jogador de característica diferentes (não será de estranhar termos melhorado a nossa circulação nos últimos jogos, quando iniciamos com três jogadores móveis). Mas eu entendo que o treinador queira ali um jogador forte fisicamente para segurar as primeiras bolas, ou ganhar o jogo aéreo quando é necessário esticar na frente com bolas diretas, e ainda ter alguma qualidade para segurar e esperar que a equipa suba.

Portanto, com um “melhor marcador do campeonato” o Sporting estaria melhor? Se pensarmos apenas em adicionar mais dez ou quinze golos ao nosso ataque, certamente teriam feito falta em determinados jogos, mas não sabemos se esses mesmo golos teriam sido marcados nos jogos que nos fizeram falta. (Nunca nos apareceu um Belém ou um Portimão). E tendo um ponta-de-lança de referência talvez tivéssemos de descaracterizar a nossa forma de jogar e pudéssemos nem ter conseguido o acesso à “Champions League”. Mas também podíamos ter ganho. Quem sabe?

São muitos “e se?” que nós achamos sempre que iria melhorar, mas não é assim tão linear. A verdade é que esta equipa técnica, com o seu modelo de jogo, já nos ajudou a conquistar um campeonato, e agora um segundo lugar (com a mesma pontuação que conseguimos quando fomos campeões – se ganharmos o último jogo) que nos dá acesso a milhões muito importantes (não é o melhor prémio, mas é um ótimo premio).

Sporting
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

O importante é que estamos na luta, e assim o Sporting estará mais perto de vencer. E é normal que, mesmo estando fortes, não consigamos ganhar sempre (a menos que jogássemos com esquemas conhecidos e comprovadamente utilizados no futebol português, que não é nosso costume), porque não jogamos sozinhos. Mas acredito que, mantendo esta equipa técnica, e não entrando em histerismos cada vez que corre menos bem (incompreensível ver Sportinguistas a pedir a “cabeça” do treinador já – só me faz lembrar o que fizeram ao Augusto Inácio e depois ficámos mais 18 anos à espera.), e iremos ganhar muito mais vezes, ou pelo menos mais frequentemente. Basta acreditar no trabalho e não exigir o impossível.

 

Componente 5 – 1 (1)

Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.                                                                                                                                                 O Nuno não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.                                                                                                                                                 O Nuno não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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