A excelente campanha que a equipa de futebol do Sporting CP está a fazer no campeonato português, para além de ter já ganho também a Taça da Liga, está a deixar os adeptos empolgados, originando que muitos deles consigam já dar como certa a conquista do campeonato em maio, depois de uma longa espera.

Essa espera de 20 anos desde a última conquista será a principal razão para que os sportinguistas estejam tão ansiosos. No entanto, essas duas décadas de espera deveriam ser também o alerta de que, para a equipa leonina, no campeonato português, nada é linear e tudo pode acontecer.

Bem sei que este ano temos um treinador que já mostrou competência suficiente para nos dar mais esperança do que em anos anteriores, mas as pedras no caminho que nos têm surgido em outras épocas continuam lá e vão começar a tornar-se montanhas assim que as “placas tectónicas” do futebol português se começarem a mover. Já vimos algum movimento nas últimas jornadas.

O nosso “mister”, inteligente como é, por conhecer o futebol e por também conhecer por dentro alguns dos nossos adversários, vem tentando baixar as expectativas aos jogadores e principalmente aos adeptos. Este discurso do “jogo a jogo” não é conversa da treta para tirar pressão aos jogadores. Ou pode ser também, mas é principalmente por saber exactamente as dificuldades que vão surgir no último terço do campeonato, a todos os níveis.

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Sabemos como as influências dos corredores podem desvirtuar um campeonato. Todos sabem que existem, mas todos as aceitam por a determinado momento lhes poder dar jeito. E os momentos de decisão começam a aproximar-se rapidamente, podendo significar a perda ou ganho de milhões de euros. Aguardemos o caso “Palhinha” e a frequência de cartões, pênaltis e expulsões a partir de agora.

A utilização de João Palhinha no dérbi está a ser analisada pelas entidades competentes
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Por estarmos a chegar a uma fase tão adiantada da temporada, é previsível e lógico que surjam lesões mais frequentemente pelo cansaço dos jogadores, e bem sabemos a falta que alguns dos nossos jogadores podem fazer. A falta de um facilmente será colmatada, mas se por acaso temos o azar de nos acontecer algo como ao Liverpool, com várias lesões simultâneas, dificilmente conseguiremos manter o nível de jogo. O Liverpool não conseguiu.

Exemplos de Liverpool FC, Atlético de Madrid ou mesmo de alguns dos nossos rivais mais diretos que sendo grandes equipas passaram por jogos consecutivos a perder pontos, são factos que nos devem deixar alerta sem nos tirar a coragem de vencer todos os jogos sem medo. Mas temos de ser realistas, não caindo no erro de pensar com certeza absoluta de que essas contrariedades não nos irão surgir.

E se surgirem, o treinador do Sporting CP também sabe que os mesmos que dizem agora que de certeza que vamos ser campeões, por terem criado essas expectativas elevadas, se vão sentir frustrados, tendo depois necessidade de descarregar esse sentimento em algo ou alguém. E então esses mesmos otimistas passarão a pessimistas depressivos culpando tudo e todos, menos a eles que criaram para si tal meta.

Eu não quero com isto dizer que os adeptos sportinguistas não possam extravasar a sua alegria por verem a sua equipa em primeiro lugar, com tão larga distância dos seus rivais. Mas têm de perceber também que essa vantagem não é impossível de anular, assim como não o foi de alcançar. E como se costuma dizer, o difícil não é chegar ao topo, mas sim manter-se lá.

Claro que deve ser permitido sonhar, mas conhecendo as dificuldades que podem surgir, não podemos dar nada como garantido.

Portanto, prefiro seguir o pensamento do treinador e retrair-me agora e extravasar toda a minha alegria quando estiver seguro de que ganhamos efetivamente o título. Quando aquele jogo decisivo que nos dá matematicamente a certeza de que já não há pontos em disputa suficientes para nos poderem alcançar terminar, poderão contar comigo para festejar.

É notório o contentamento dos adeptos leoninos, mas Rúben Amorim prefere gerir as expetativas
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Para já só não quero ser como aqueles maratonistas ou ciclistas que levantam os braços a festejar mesmo antes de cruzarem a linha de chegada, para depois se verem ultrapassados por milímetros, ou algo tão fino como uma linha de fora de jogo indevidamente desenhada.

Com calma, jogo a jogo, vamos festejando as vitórias do nosso clube, sem pensar que está garantido. Porque isso pode induzir no erro de relaxar, perder o foco, potenciando a probabilidade de algo correr mal. E nós bem sabemos que, no campeonato português, já há muitas coisas a acontecer todos os anos ao Sporting CP para que sempre termine da mesma forma. Então vamos precaver-nos e não dar armas aos que nos querem derrubar.

Não se esqueçam que eles todas as semanas tentam que o nosso treinador, ou algum dos nossos jogadores, assuma que é o principal candidato ao título, ou que já são campeões. Porque será? Acham que é porque será bom para o Sporting CP?

Jogo a jogo, onde vai um vão todos.

Nota: Para os que leram o meu último texto, devo informar que este texto não é irónico (talvez assim percebam a diferença).

OFF TOPIC: FORÇA QUINTANA!

4 COMENTÁRIOS

  1. Mais uma vez concordo 100% com sua análise! Simples e pura realidade! A felicidade de nos ermos sagrados campeões em qualquer época, e a mesma felicidade que sinto após cada vitória… mesmo que seja no jogo do berlinde! Sporting sempre

  2. Reforço a opinião dizendo somente que ainda não ganhamos o campeonato. Foco no jogo a jogo, pés bem assentes no chão, foco em todos os momentos do jogo! As hienas rivais preparam os caminhos para desvirtuar resultados e estão espera que tropecemos. Temos que estar vigilantes, atentos mas fortes também para os combater ou aniquilar as suas jogadas sujas fora das quatro linhas. Nunca fiar, resiliência porque ser campeão pelo Sporting significa ter sofrer para o conseguir. Os rivais tem dominado as duas últimas décadas facilmente por alguma coisa é.
    Forte rapazes! #ondevaium#vaotodos#

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