O regresso da estrelinha | Sporting 2-1 CD Nacional

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Pelo quarto jogo seguido, o Sporting conseguiu a vitória para lá dos 90 minutos do tempo regulamentar. Depois de PSG, Arouca e Athletic, foi agora o CD Nacional a ver as próprias redes a abanarem pouco antes do apito final. Luís Suárez, como havia acontecido em dois desses três jogos, vestiu a capa de herói, recorreu ao seu instinto matador e fez os adeptos de Alvalade ecoarem o seu nome, após estabelecer o 2-1 final.

Com mais uma vitória, o Sporting ficou a quatro pontos, à condição, do líder FC Porto – contra o qual jogará na próxima jornada – e, mais tarde, assistiu à escorregadela do Benfica diante do Tondela, aumentando para cinco pontos a distância para os encarnados. São agora 51 pontos que o fazem ocupar a segunda posição. Já o CD Nacional está atualmente em igualdade pontual com o Estrela da Amadora, Rio Ave e Arouca. Além disso, são mais cinco os pontos em relação ao Casa Pia, que, ocupando a posição de acesso ao playoff de despromoção, defronta o FC Porto nesta jornada. Os madeirenses contabilizam 20 pontos e ocupam o 11.º lugar na atual edição da Primeira Liga.  

Em 2020/2021, naquela que foi a temporada que marcou o regresso dos atuais bicampeões nacionais à conquista da Primeira Liga pela primeira vez em quase 20 anos, Rúben Amorim invocou, não raras vezes, uma estrelinha. A música célebre entoada pelos adeptos que marcou o fim de tantos anos de “seca” referenciava esse símbolo que acompanhava o Sporting e permitia, jornada após jornada, em partidas mais ou menos conseguidas, marcar golos decisivos em momentos cruciais das partidas. Dada esta sequência recente de vitórias, é impossível não falarmos do regresso da estrelinha, desta feita moldada por Rui Borges e personificada por Luís Suárez, que tem relembrado os saudosos golos do capitão Coates.

Liga Portuguesa: Sporting CP vs Nacional Luis Suárez
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

As diferenças entre uma e outra estrelinha são muitas. Nessa altura, os golos no último minuto eram conseguidos apenas por uma equipa que não desistia, que tinha mais fé e vontade do que qualidade de jogo. Hoje, estes golos em momentos cruciais representam um prémio para o que o Sporting, sobretudo em momento ofensivo, tem conseguido criar. É verdade que as duas últimas jornadas de campeonato não representaram as exibições mais brilhantes da equipa sportinguista, mas poderiam ser suficientes para a obtenção de resultados mais folgados. A 20.ª jornada da atual edição da Primeira Liga encontrou um CD Nacional extremamente organizado. A intenção passava por minimizar os danos que provêm das combinações interiores leoninas. Portanto, optou por se alinhar com os setores muito juntos e com a última linha defensiva estacionada longe da própria baliza. Conjugou-se ainda a proximidade entre os vários defesas, de modo a congestionar o corredor central e a obrigar o Sporting a explorar as alas. Verdade seja dita, pela qualidade individual e coletiva dos leões, os comandados de Rui Borges, aqui e ali, iam conseguindo adaptar-se à estratégia trazida pelos insulares. Como tal, atacavam pelos corredores laterais e procuravam o espaço deixado nas costas dos defesas-centrais. Entre as muitas qualidades no jogo do Sporting, destacam-se a adaptabilidade ao que é exigido pelo jogo, proveniente da versatilidade e variabilidade de processos na fase de construção, aceleração e criação.

Ainda que o CD Nacional conseguisse anular algumas peças-chave da equipa da casa – nomeadamente, Pedro Gonçalves, quando este jogava mais próximo de Suárez -, a verdade é que a formação leonina ia conseguindo promover trocas posicionais entre laterais, extremos e até médios – de modo a criar constrangimentos à identificação de referências e para promover a abertura do eixo central – e atacar o espaço. Assim, ainda que o clube de Tiago Margarido retirasse aos leões a forma de jogar em que se sente mais confortável, o Sporting tinha outras formas de criar perigo e a verdade é que, ao intervalo, já acumulava algumas situações de golo.

Kaique Nacional x Sporting
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Por estes motivos, a estrelinha atual é completamente diferente da que, outrora, aparecia para dar alegrias aos adeptos. Se a estrelinha antiga premiava o esforço e dedicação, esta recompensa a competência, a adaptabilidade, o bom jogar e o futebol organizado, mas dinâmico e mutável. Aliás, esta estrelinha não podia aparecer em melhor altura, não só porque permitiu ao Sporting atingir os oitavos de final da Champions League de forma direta como alimenta a motivação do clube lisboeta para o clássico com os dragões e, consequentemente, para a luta pelo tricampeonato.

Aproveitar este espaço para, também, congratular o CD Nacional pelo feito conquistado no fim-de-semana. Não sou apologista de vitórias morais, mas a estratégia levada para jogo foi muito bem desempenhada. A equipa de Tiago Margarido foi a primeira, fora clubes do top-4, a marcar qualquer golo em Alvalade e resistiu à média avassaladora de vitórias sportinguistas por 4-0 diante de clubes da quinta posição para baixo. É certo que os insulares, como seria de esperar, até olhando para as diferenças orçamentais e individuais de um e outro plantel, jogaram na expectativa e em transição. Todavia, refutaram a ideia de que só se dá luta aos grandes montando linhas de seis jogadores dentro de área. A otimização de espaços, conseguida muito pela articulação entre extremos e laterais – Boia e Veron defendiam por dentro quando os laterais saltavam fora e defendiam fora se os laterais tinham de fechar mais por dentro – foi essencial para neutralizar, o mais possível, a dinâmica ofensiva verde e branca.

Luis Suárez Ivan Fresneda
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O Sporting volta a entrar em ação na quinta-feira diante do AVS com três objetivos em mente: marcar presença nas meias-finais da Taça de Portugal, voltar às vitórias confortáveis e chegar ao Dragão com os índices de confiança no máximo. Há ainda a certeza de que a estrelinha, se for alimentada por um ataque organizado variado e versátil, aparecerá para continuar a iluminar o que resta da época

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