Quando me convidaram para opinar nesta página, o convite foi efectuado para falar sobre o Sporting, e a maior razão para me terem delegado essa rubrica foi o facto de eu ser Sportinguista. Tem lógica, penso eu.

Ora, seguindo esse raciocínio, todos os meus artigos se orientam essencialmente para comentar algo relacionado com o meu clube, ou sobre alguém de outro clube que deu uma opinião sobre a actualidade sportinguista. Mas, na essência, tento que o artigo seja sempre essencialmente sobre o meu clube, ou pelo menos a ideia original o seja. Penso que será esse o papel pedido a alguém a quem se sugere que escreva na secção Sporting, até porque para falar de outros clubes ou outras modalidades há também pessoas e secções destacadas para o efeito.

Chego ao dia de hoje e constato que tudo isso é uma ideia errada. Ou melhor, pode não ser a ideia a estar errada, mas ter sido um lapso do editor (porque o redator escreve o que bem entende – cada um vive e fala sobre e segundo o que o faz sentir bem) por ter colocado um texto de opinião sobre o Sporting na secção de outro clube. Para se perceber o meu esforço, fui até ler o texto na integra, para perceber se lá estava alguma referência ao clube identificado na referida secção, mas não encontrei. E porque estavam a falar de presidentes e dos maus exemplos que estes dão ao futebol, ainda tive esperança de ver ali reflectidos vários episódios do presidente recém-eleito daquele clube, que não vou ser eu a descrever, por ser esta uma secção sobre o Sporting, mas não encontrei nenhuma referência. Entendo que nestes casos as pessoas o façam por ter memória curta, mas tenham cuidado para não caírem no ridículo. Telhados de vidro todos temos, não é verdade?

Mas como todos sabemos, esta linha editorial que refiro aqui vai de encontro aos exemplos vindos de cima. Ou seja, logo no dia seguinte aos incidentes em Alvalade, já se ouvia uma manifestação (pode-se chamar manifestação a um conjunto de indivíduos que passam em uníssono uma única mensagem, não pode?) sobre a certeza da culpa do presidente do Sporting por se conhecer o feitio inflamado do mesmo e por se perceber que muita gente tem andado a passear e estudar os balneários do Sporting. Pensem só que desde que um dos Pinhos falou, a seguir ao jogo, nunca mais se ouviu nenhuma voz vinda de Arouca, até este fim de semana. E durante a semana só se ouviram pessoas ligadas a  um determinado clube sobre este assunto, indicando todas, sem sombra de dúvida, que o culpado seria única e exclusivamente Bruno de Carvalho.